Os momentos-chave
“Ela tinha pedido um ovo cozido e foram olhar esse brilho”, recorda Lurdes Neves Ferreira, mãe de Leide das Neves Ferreira, uma das vítimas fatais do acidente com césio 137 que ocorreu em Goiânia, Goiás, em setembro de 1987. O brilho mencionado por Lurdes referia-se ao material radioativo que havia sido encontrado em um aparelho de radioterapia abandonado, que acabou sendo manipulado por várias pessoas sem o devido conhecimento dos riscos envolvidos.
O acidente, que ficou marcado na história brasileira como o maior acidente radiológico do país, resultou na morte de quatro pessoas. Leide, de apenas 6 anos, foi uma das primeiras vítimas fatais, seguida por Maria Gabriela Ferreira, de 37 anos, que também sucumbiu à contaminação. Israel Baptista dos Santos, de 20 anos, e Admilson Alves de Souza, de 18 anos, morreram posteriormente, em 27 e 28 de outubro de 1987, respectivamente, após terem sido expostos ao césio 137.
Após a descoberta do material radioativo, uma grande operação foi mobilizada para conter a contaminação e tratar as milhares de pessoas expostas à radiação. Mais de 112 mil pessoas foram monitoradas, e 249 delas apresentaram contaminação confirmada. Dentre essas, 129 necessitaram de acompanhamento médico permanente, evidenciando a gravidade da situação e os impactos na saúde pública.
O acidente com césio 137 não apenas causou perdas irreparáveis, mas também levantou questões sobre a segurança no manuseio de materiais radioativos e a necessidade de uma melhor regulamentação. O evento expôs falhas nos sistemas de controle e prevenção, que resultaram em uma tragédia que poderia ter sido evitada.
“Juntou o pó do césio com a água do ovo e escorria aquele caldo preto”, continua Lurdes, descrevendo o momento em que sua filha e outras crianças entraram em contato com a substância. A inocência das crianças contrasta com a gravidade da situação, que se desdobrou em um dos piores desastres ambientais do Brasil.
O impacto do acidente se estendeu além das vítimas diretas, afetando a comunidade de Goiânia e gerando um clima de medo e desconfiança. As autoridades de saúde e segurança pública enfrentaram o desafio de lidar com a crise, enquanto a população buscava respostas e soluções para o problema que se instalou em suas vidas.
O acidente com o césio 137 em Goiânia é um lembrete sombrio da importância da conscientização sobre os riscos associados a materiais perigosos. A história das vítimas, como Leide, Maria Gabriela, Israel e Admilson, deve ser lembrada para que tragédias semelhantes não se repitam no futuro. Detalhes permanecem não confirmados sobre as consequências a longo prazo para os sobreviventes e a comunidade afetada.




