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:: ‘Forças Armadas’

Forças Armadas levam dignidade às populações isoladas do Norte

ESPECIAL

Programa Calha Norte, do Ministério da Defesa, desenvolve ações sociais em mais de 600 municípios

Operação Acolhida integra iniciativas das Forças Armadas na recepção de estrangeiros. Foto: Ministério da Defesa
MANAUS (AM) – Prosperidade, colaboração, suporte e pertencimento sintetizam a ação das Forças Armadas nas regiões mais isoladas e necessitadas da Região Norte. O Programa Calha Norte, vinculado ao Ministério da Defesa, une forças para dividir conquistas junto à população de 619 municípios.

A atuação do Estado é consolidada em obras para o desenvolvimento econômico e, sobretudo, social da região contemplada. As pequenas comunidades saltam da invisibilidade para o centro de ações assistenciais.

O Calha Norte mantém, neste primeiro semestre de 2022, mais de 1.100 obras em execução distribuídas em 252 cidades, cujos investimentos alcançam R$ 1,6 bilhão. Existem abertos 370 processos de aquisição de bens a serem revertidos ao uso da população de 164 municípios, mais R$ 400 milhões de recursos voltados ao desenvolvimento regional.

O general de Divisão Ubiratan Poty, diretor do Programa Calha Norte, analisa que as atividades são focadas no desenvolvimento em infraestrutura e assistência das menores comunidades, normalmente localizadas em regiões de difícil acesso.

“Eu falo sempre que a lupa do Calha Norte é uma lupa grande para ver o pequeno. Nosso olhar principal, quando recebemos obras que nós sabemos que vai ter um impacto grande na vida daquela pessoa que vive em uma comunidade, nós nos esforçamos mais ainda. São obras de captação, distribuição e tratamento de água, obras de fornecimento de energia, rede elétrica rural, fazendo chegar à pequena população uma energia de qualidade e contínua, escolas, postos de saúde, quadras poliesportivas. Uma infinidade de obras que mudam a vida das pessoas”.

O general Poty elucida ainda que as faixas de fronteira são aquelas que recebem maior atenção, não apenas pelas estratégias de preservação da soberania, mas por abrigarem comunidades carentes, privadas do acesso aos serviços públicos.

“Temos alguns casos nos quais quem está lá representando o Estado Brasileiro é o Exército, ou é a Marinha ou a Força Aérea, devido às dificuldades da região. Então, estamos lá para cumprir a missão de defesa da pátria, contribuindo para a nossa soberania, a garantia da nossa soberania e para a manutenção da nossa integralidade territorial, mas ao mesmo tempo nós estamos olhando também para o desenvolvimento”.

“O programa tem uma capilaridade muito grande, nós estamos em uma cidade no interior do Amazonas [Benjamin Constant], na faixa de fronteira e aqui nós construímos um mercado, onde temos a imagem da população e dos vendedores presentes que contribuem para o fortalecimento da economia local. É a cadeia produtiva do pequeno produtor, então aqui são vendidos os produtos que eles pescam e tiram do rio, trazem aqui para um local adequado e higienizado para vender o seu pescado”, complementa o general.

Assistência Social

Um dos mais importantes braços do programa é a prestação de serviços assistenciais, como ocorre no município amazonense Rio Preto da Eva, cerca de 80 quilômetros da capital Manaus.

O Centro de Convivência do Idoso Antônio Batista Filho é um destes locais de acolhimento construído graças à ação do Calha Norte. Cerca de 400 pessoas são atendidas no espaço que alinha atividades para a promoção da saúde, alfabetização, artesanato e interação.

No momento, as obras da segunda etapa do Centro de Convivência estão em andamento. O engenheiro responsável pelo acompanhamento e fiscalização é o tenente da Marinha Diogo Coelho, que esclarece como são sentidos os impactos do programa federal.

“O que a gente percebe é que por onde o Calha Norte passa cria-se desenvolvimento nas regiões mais longínquas do país, bem como nós temos bastante obras em fronteiras. É interessante que, por mais simples e singelas que pareçam as obras, elas podem nestas comunidades serem a única fonte de lazer, a única fonte de interação, de qualidade de vida que eles têm”, diz.

De acordo com o tenente, para além da melhoria do bem-estar social, as obras também são um incentivo ao desenvolvimento econômico da região. “Os locais que o programa Calha Norte atua são aqueles onde as pessoas não têm acesso a muito, nem à informação, ao saneamento, à saúde pública que a prefeitura tende a oferecer. A partir dessa praça ou dessa quadra, a comunidade passa a se desenvolver nos arredores e impacta na economia. As obras fincam as populações nos locais e geram desenvolvimento”, elucida.

Para os assistidos, a sensação é de pertencimento. Maria Erlandia da Cunha, 65 anos, diz que o apoio é primordial para idosos que não contam com nenhuma outra ajuda. “É muito importante, porque muitos idosos são acamados e eles têm assistência. Quando vão lá visitar, eles levam um médico. Tem a nutricionista, tem a professora, que tem por volta de 26 alunos de alfabetização que estão aprendendo a escrever seu nome”.

Maria Erlandia compartilha sua experiência e integra a equipe de assistência, doando-se um pouco para aqueles que precisam. “Há vezes que eu até vou com elas fazer as visitas, porque eu trabalhei 32 anos na saúde e eu trabalhava com tuberculose e hanseníase. Fazia consultas nas escolas, nas creches, fazia exames de pele. Eu penso que eu senti falta do meu trabalho, mas aqui eu me recuperei, porque a atividade que eu tinha lá, eu consigo ter aqui. Aí não me fez tanta falta, como eu achei que teria”, conclui.

Outro projeto desenvolvido em Rio Preto da Eva, também voltado ao cuidado com a população carente, é o Centro de Referência de Assistência Social (CRAS) Flávia Marinho Pacaia, que abre suas portas para cerca de 80 pessoas a cada semana.

A coordenadora do CRAS, Alessandra Rabelo, explica que as atividades são uma parceria com o governo local.

“Aqui a gente realiza atividades socioeducativas, palestras, ações comunitárias, com todos os públicos-alvo: mulheres, crianças e idosos. A gente faz parceria com a Secretaria de Saúde, Assistência Social e atualmente a gente fez uma permuta, uma parceria com a Associação dos Idosos do município”.

Para Alessandra, o espaço era uma necessidade latente. “O Centro Social é de grande relevância para a comunidade porque a comunidade estava desassistida, não tínhamos nenhum espaço para realizar qualquer atividade seja para qualquer política pública, seja assistência, saúde, educação, não tinha espaço para realizar essas atividades. Desde que inaugurou, temos conseguido acessar as famílias e trazer serviço de direito, política pública para as famílias”.

O sentimento de uma segunda família é o relato mais comum dentre aqueles que frequentam o CRAS. Assim como Elde Rabelo, de 68 anos, que diz ter “duas casas”, quando compartilha seus dias com os moradores atendidos.

“Eu me encontrei aqui novamente, porque eu estava travada. Aqui é minha segunda casa, minha segunda família. Além disso, estou realizando o sonho que eu não realizei quando era mais nova, eu queria ser enfermeira, e assim eu faço aqui com os mais idosos que têm maior dificuldade para fazer as coisas. Eu me sinto como se eu estivesse na minha casa”, comenta a aposentada.

O acolhimento faz toda a diferença, comenta José Antônio dos Santos, 72 anos. “Aqui eu só recebo carinho, aqui eu não me sinto mais sozinho, me sinto amparado e eu sou feliz. Para o idoso é tudo alegria quando chega, porque ele é amparado. No meu caso, fico na minha casa também só eu, lá eu sou feliz sozinho, mas aqui sou feliz com todos que me cercam, sou mais uma peça nesta multidão”, diz.

Além dos idosos, o Centro também desenvolve ações com as crianças do município, traçando o acompanhamento do desenvolvimento junto aos pais. Como é o caso de Kezia Rosário da Silva, 36 anos, que leva as duas filhas, Larissa e Elane, 12 e 9 anos, para a convivência no CRAS.

“Eu avalio que é um período da criança não estar na rua, saiu da escola e estão na reunião, eles tiram as crianças das ruas. A gente vê nas horas vagas as crianças nas ruas e nesse horário estão aqui convivendo com os coleguinhas. Creio que isso é que vai ajudando elas a se desenvolverem, ajudando a ser mais expressivas, a dialogar melhor, se comunicarem melhor”, diz a mãe.

Estrangeiros

Nascida há quatro anos, a Operação Acolhida configura como mais uma das ações humanitárias desenvolvidas em parceria com as Forças Armadas do Brasil. O programa é reconhecido pela Organização das Nações Unidas (ONU) como um dos mais efetivos no amparo de refugiados e imigrantes no mundo.

O foco da Acolhida são os venezuelanos que cruzam a fronteira com Roraima e buscam apoio no país vizinho. Desde 2017, cerca de 717 mil venezuelanos ingressaram no Brasil, dos quais, 47% deles permaneceram em território nacional.

O general Sérgio Schwingel é o comandante da Operação, que acolhe e administra a situação legal de cerca de 2,5 mil estrangeiros a cada mês. Para o militar, o caráter consistente do Acolhida é o que promove bons resultados.

“A operação tem resultados importantes e significativos, hoje estamos fazendo o ordenamento da fronteira, em Pacaraima, Boa Vista e Manaus, a recepção identificação e triagem. Interiorizamos para mais de 800 municípios, mais de 72 mil venezuelanos, mais de 40 mil venezuelanos já passaram pelos nossos abrigos e já tivemos mais de 2 milhões de atendimentos nas nossas estruturas”.

Com o advento da pandemia, a deterioração da economia do país vizinho foi marcante, este fator é encarado como um desafio ainda maior para a manutenção sustentável do programa assistencial, diz o general Schwingel.

“Estamos com muita dificuldade de capacitação, o nível socioeconômico, intelectual, social dos venezuelanos mudou muito. No início, tínhamos venezuelanos de nível alto, profissionais engenheiros, médicos, hoje o nível já não é tão alto, hoje são pessoas que já viviam nas ruas na Venezuela, e estão acostumadas com as ruas. Convencer que ela não pode ficar na rua e ir a um abrigo não é fácil, não é fácil interiorizar essas pessoas ou integrar na nossa sociedade, estamos tendo esse desafio no dia de hoje”.

O comandante da operação elucida que “a interiorização é o pilar mais importante. Se eu fizer uma comparação de uma torneira de entrada, a torneira aberta é a de entrada. A torneira de saída, que é a interiorização, ela tem que estar mais aberta que a torneira de entrada, porque se não vai colapsar. Se a torneira de saída estiver mais fechada, são abrigos cheios, pessoas nas ruas e a operação vai colapsar, o eixo mais importante é a interiorização, e com a qual nos preocupamos mais”.

Apesar das dificuldades de condução da Acolhida, o programa é um alento e uma nova esperança àqueles que chegam ao Brasil em busca de novas oportunidades e em fuga da pobreza que castiga o país de origem.

Operação Acolhida integra iniciativas das Forças Armadas na recepção de estrangeiros. Foto: Ministério da Defesa

A venezuelana Georgina Castro, 19 anos, atravessou sozinha a fronteira após a pandemia roubar as oportunidades de crescimento profissional e pessoal. Ela está no Brasil há oito meses e, dentro dos próximos três, será enviada a um abrigo localizado no Rio Grande do Sul.

“Aqui no Brasil tem muitas coisas espetaculares, pelo menos porque tenho o privilégio e a segurança daquilo que necessita a nossa comunidade, a comunidade LGTB na Venezuela é alvo de muita homofobia e transfobia, aqui sinto que a minha vida vai mudando pouco a pouco”, diz.

Para Georgina, a decisão de deixar a Venezuela foi triste, mas necessária. “Foi triste e lamentável deixar o meu país, mas o que mais poderia fazer? Eu tinha que tomar alguma atitude para não continuar do jeito que eu estava. Sem trabalho, sem perspectiva de melhoras. Foi desafiador vir para o Brasil, mas na vida temos que estar preparados para enfrentar coisas boas e ruins. Sinto falta do meu país, mas tenho que batalhar pelos meus objetivos”.

O casal Yoselin Arias, 29 anos, e Jonathan Rafael Maita Herrera, 28, trouxeram o filho, o pequeno Santiago Rafael Maita, 6 anos, para o Brasil em busca de condições melhores para criar a criança, longe das dificuldades vivenciadas na Venezuela.

Yoselin está otimista e ansiosa para inaugurar uma nova vida. “Vamos para Brasília, estou feliz e nervosa. Saí da Venezuela, porque queremos uma melhoria para a nossa família, um futuro melhor, uma vida boa, é o que queremos, trabalhar. Estar bem estabilizado como família é só o que queremos”.

A venezuelana lamenta que as condições de vida em seu país eram complicadas. “Na Venezuela não tínhamos trabalho, para conseguir comida era um problema. Já aconteceu de ficarmos muitos dias sem comer. É uma situação horrível, que eu não quero passar nunca mais. Vir ao Brasil significa esperança. Tenho fé de que as coisas serão diferentes aqui”, diz Yoselin.

Meio ambiente

As Forças Armadas estão presentes na Região Norte desenvolvendo mais um importantíssimo papel, o da preservação ambiental. A rica fauna nacional, em especial da Floresta Amazônica, recebe amparo e ações afirmativas de conservação no Calha Norte.

O Centro de Instrução de Guerra na Selva (CIGS) mantém um zoológico que, além de encantar as visitas, serve de abrigo a animais resgatados e em situação de maus tratos e de perigo.

O Zoo CIGS mantém mais de 300 animais que foram resgatados pelas autoridades ambientais, incluindo IBAMA, ICMBio e polícias ambientais. No momento, existem espécies de aves, mamíferos, répteis e peixes da fauna amazônica.


O processo para o acolhimento é rigoroso, explica o coronel Lustosa, responsável pelos animais mantidos no abrigo. “O animal tem que ser catalogado com guia, pois qualquer coisa diferente disso é tráfico, né? Portanto, os Cetas [Centro de Triagem de Animais Silvestres] recebem os animais e redistribuem”.

Os animais são cuidados, recebem o tratamento de saúde, caso haja necessidade, e passam pela preparação para reintegração à natureza. Em muitos casos, os animais não podem ser reintroduzidos ao seu habitat, devido seu estado físico ou comportamental.

“Por exemplo, o macaco foi capturado onde? A gente faz todo o tratamento com ele, se ele estiver bem, recuperado, leva e solta no mesmo lugar. Mas uma onça que é pegada filhote, 20 dias, 30 dias, ela não tem condição, porque não aprendeu a caçar, a mãe não está junto. O mundo que elas conhecem é esse e nós ficamos com elas aqui”, explica o coronel.

A variedade de animais mostra a situação preocupante de ataques e acidentes ocorridos com os bichos selvagens. Estão abrigadas no Zoo CIGS dez onças pintadas e outras espécies de felinos como jaguatiricas, gatos maracajá, jaguarundi ou gato-mourisco e gato-do-mato. As mais coloridas araras e a majestosa harpia, também conhecida como gavião-real, também integram o plantel de espécies resgatadas.

Repórter viajou a convite do Ministério da Defesa

Operação aeronaval reúne 830 militares das três Forças no Rio

Exercício visa integrar militares e treinar para ações humanitárias

Publicado em 02/09/2021 – 23:12 Por Vladimir Platonow – Repórter da Agência Brasil – Rio de Janeiro

Helicópteros das três Forças Armadas (Marinha, Exército e Força Aérea) realizam manobras no Navio-Aeródromo Multipropósito Atlântico em movimento durante a Operação Poseidon 2021, coordenada pelo Ministério da Defesa.

Uma operação aeronaval integrada reúne 830 militares do Exército, da Marinha e da Força Aérea na costa do Rio de Janeiro. O exercício acontece no âmbito da Operação Poseidon 2021, que começou no dia 28 de agosto e prossegue até o próximo dia 4, com exercícios de pouso e decolagem no Navio Aeródromo Multipropósito (NAM) Atlântico.

Além da capacitação no pouso, os militares realizam exercícios de infiltração de mergulhadores de combate, evacuação aeromédica (Evam) de feridos e tiro real sobre alvo à deriva. O treinamento conjunto foi proposto pelo Ministério da Defesa e tem por finalidade o aumento contínuo da interoperabilidade entre as Forças.

O exercício foi acompanhado, nesta quinta-feira (2), pelo ministro da Defesa, general Walter Braga Netto, pelo comandante da Marinha, almirante de esquadra Almir Garnier, e pelo almirante de esquadra Petronio Augusto Siqueira de Aguiar, chefe de Operações Conjuntas do Ministério da Defesa.

O comandante da Marinha, almirante de esquadra Almir Garnier Santos, acompanha manobras de helicópteros das três Forças Armadas no Navio-Aeródromo Multipropósito Atlântico em movimento, durante a Operação Poseidon 2021.
O comandante da Marinha, almirante de esquadra Almir Garnier Santos, acompanha manobras de helicópteros das três Forças Armadas no Navio-Aeródromo Multipropósito Atlântico em movimento, durante a Operação Poseidon 2021. – Fernando Frazão/Agência Brasil

O comandante da Marinha ressaltou os propósitos de integração, e lembrou que integrantes das três Forças muitas vezes usam termos e linguagem próprios para denominar técnicas e equipamentos semelhantes.

“O maior desafio é que cada comando de Força tem suas características próprias, seus usos e costumes, e quando se vai operar em um outro ambiente, sob a coordenação de uma outra Força, você precisa se adaptar a ela. Até o jargão e a cultura do trânsito a bordo de um navio, o resto é boa vontade”, disse Garnier.

Para ele, o treinamento de qualificação e requalificação de pouso é um exercício eficaz tanto para iniciantes quanto para militares já experientes. “Cada vez mais, o Ministério da Defesa, o Estado-Maior Conjunto e as Forças Armadas visam operar de maneira integrada”, ressaltou o comandante da Marinha.

Adestramento

O almirante de esquadra Petrônio lembrou que esse tipo de operação vem sendo construída desde 2018 pelo Ministério da Defesa, como programação de evolução do adestramento dos pilotos.

“No ano passado, fizemos nosso primeiro adestramento conjunto, com as três Forças e o navio parado, como se fosse um aeroporto. Nós qualificamos os pilotos e agora passamos a uma nova fase deste exercício, com o navio em movimento. Pretendemos que este tipo de adestramento permaneça por alguns anos, porque ainda temos algumas fases a serem cumpridas, até uma operação noturna, que é uma situação muito diferente do que ocorre de dia”, disse Petrônio.

Helicópteros das três Forças Armadas (Marinha, Exército e Força Aérea), realizam manobras no Navio-Aeródromo Multipropósito Atlântico em movimento durante a Operação Poseidon 2021
Helicópteros das três Forças Armadas (Marinha, Exército e Força Aérea), realizam manobras no Navio-Aeródromo Multipropósito Atlântico em movimento durante a Operação Poseidon 2021 – Fernando Frazão/Agência Brasil

O segundo objetivo, ressaltou o chefe de Operações Conjuntas, é fazer com que as Forças Armadas estejam prontas a atender alguma demanda do Estado brasileiro, incluindo possíveis assistências humanitárias internacionais ou missões de resgate.

Submarinos

Tanto Garnier quanto Petronio ressaltaram a chegada à esquadra brasileira do primeiro submarino da nova família, o Riachuelo, que deverá ser entregue ainda em dezembro deste ano em condições plenas de operação.

Depois do Riachuelo, virão outros três submarinos convencionais e, finalmente, o submarino de propulsão nuclear, que colocará o Brasil no seleto grupo de países com capacidade de produzir submarinos com essa característica tática avançada.

“Submarino [de propulsão] nuclear construiremos, esse é o nosso lema. É o nosso grande gol. É um desafio. Estamos trabalhando na fronteira do conhecimento. Não é construir, mas desenvolver um submarino”, disse Petronio.

“O Riachuelo está em avaliação operacional, não é mais teste de engenharia. No ano que vem ele estará operando com a nossa esquadra. Vai trazer um novo patamar de operação de submarinos, porque é um equipamento muito mais moderno do que os nossos anteriores”, completou Garnier.

Além disso, ambos lembraram que está contratada a produção de quatro fragatas, fabricadas por um estaleiro em Itajaí (SC), com início previsto para 2022, e estimativa de entrega entre 2024 e 2025.

Pilotos

O exercício reuniu pilotos de helicópteros das três Forças, como o primeiro-tenente da Força Aérea Brasileira (FAB) Rodrigo Galardo, que destacou as dificuldades de se pousar em um navio em movimento, no meio do mar.

Helicópteros das três Forças Armadas (Marinha, Exército e Força Aérea), realizam manobras no Navio-Aeródromo Multipropósito Atlântico em movimento durante a Operação Poseidon 2021
Helicópteros das três Forças Armadas (Marinha, Exército e Força Aérea), realizam manobras no Navio-Aeródromo Multipropósito Atlântico em movimento durante a Operação Poseidon 2021 – Fernando Frazão/Agência Brasil

“O maior desafio é pelo fato de não termos chegado a simular um voo como este. É a primeira vez que a gente realiza um pouso em algo que está se movendo. Isso é realmente novo para a gente, que está em alto mar, não tem muito horizonte e não tem algo fixo para se estabilizar. Então isso acaba agregando valor na nossa aproximação”, relatou Galardo, que trabalhou no resgate de vítimas, em 2019, na tragédia de Brumadinho (MG).

Atlântico

O porta-helicópteros Atlântico tem capacidade para transportar 16 aeronaves de asa rotativa, podendo ter, simultaneamente, até sete aeronaves em seu convés de voo e transportar doze aeronaves em seu hangar. Pode utilizar todos os tipos de helicópteros pertencentes aos esquadrões da Marinha.

O navio tem 203 metros de comprimento, com velocidade máxima mantida de 18 nós (33 quilômetros por hora) e raio de ação de 8 mil milhas náuticas (14,8 mil quilômetros). O convés de voo possui 170 metros de extensão, com 32 metros de largura.

Edição: Pedro Ivo de Oliveira

Militares reagem a ataque de Aziz com indignação e em tom de advertência

Presidente da CPI generalizou, sem provas, citando “o lado podre das Forças Armadas”


A nota contundente das Forças Armadas é assinada pelo ministro da Defesa e os comandantes das três Forças.

O ministro da Defesa e os comandantes do Exército, da Marinha e da Aeronáutica reagiram com forte indignação às declarações do presidente da CPI da Pandemia, senador Omar Aziz (PSD-AM), “desrespeitando as Forças Armadas e generalizando esquemas de corrupção”.

Em nota oficial, os chefes militares afirmam que as palavras do senador atinge as Forças Armadas “de forma vil e leviana, tratando-se de uma afirmação grave, infundada e, sobretudo, irresponsável”.

A nota encerra com um tom de advertência: “As Forças Armadas não aceitarão qualquer ataque leviano às instituições que defendem a democracia e a libewrdade do povo brasileiro”.

Os militares ficam revoltados com uma declaração de Aziz, na sessão desta quarta-feira (7), na CPI, quando afirmou, dirigindo-se ao depoente do dia, Roberto Dias, recém-demitido do cargo de diretor de Logística do Ministério da Saúde, após denúncia de suposta corrupção:

– “Você foi sargento da Aeronáutica? Conhece o coronel Guerra? Olha, eu vou dizer uma coisa, as Forças Armadas… os bons das Forças Armadas devem estar muito envergonhados com algumas pessoas que hoje estão na mídia, porque fazia muito tempo, fazia muitos anos que o Brasil não via membros do lado podre das Forças Armadas envolvidos com falcatrua dentro do governo, fazia muitos anos”.

A íntegra do repúdio dos militares:

“O Ministro de Estado da Defesa e os Comandantes da Marinha do Brasil, do Exército Brasileiro e da Força Aérea Brasileira repudiam veementemente as declarações do Presidente da Comissão Parlamentar de Inquérito, Senador Omar Aziz, no dia 07 de julho de 2021, desrespeitando as Forças Armadas e generalizando esquemas de corrupção.

Essa narrativa, afastada dos fatos, atinge as Forças Armadas de forma vil e leviana, tratando-se de uma acusação grave, infundada e, sobretudo, irresponsável.

A Marinha do Brasil, o Exército Brasileiro e a Força Aérea Brasileira são instituições pertencentes ao povo brasileiro e que gozam de elevada credibilidade junto à nossa sociedade conquistada ao longo dos séculos.

Por fim, as Forças Armadas do Brasil, ciosas de se constituírem fator essencial da estabilidade do País, pautam-se pela fiel observância da Lei e, acima de tudo, pelo equilíbrio, ponderação e comprometidas, desde o início da pandemia Covid-19, em preservar e salvar vidas.

As Forças Armadas não aceitarão qualquer ataque leviano às Instituições que defendem a democracia e a liberdade do povo brasileiro.”

Aqui, a versão da nota dos militares no formato PDF:

Ministro da Defesa anuncia novos comandantes das Forças Armadas

Oficiais-generais vão liderar Exército, Marinha e Aeronáutica

Publicado em 31/03/2021 – 19:05 Por Pedro Rafael Vilela – Repórter da Agência Brasil – Brasília

O ministro da Defesa, Braga Netto, anunciou nesta quarta-feira (31) o nome dos três novos comandantes das Forças Armadas brasileiras (Exército, Marinha e Aeronáutica). 

Para o Exército, foi escolhido o nome do general Paulo Sérgio Nogueira de Oliveira, atual chefe do Departamento-Geral de Pessoal (DGP) da corporação. Ele vai substituir o general Edson Pujol, que deixou o cargo ao lado dos outros comandantes das Forças nesta semana por decisão do presidente e do novo ministro da Defesa, em um gesto inédito na histórica do país. 

Na Marinha, assume o almirante de esquadra Almir Garnier Santos, no lugar de Ilques Barbosa. Santos deixará o comando da secretaria-geral do Ministério da Defesa. 

Já o escolhido para comandar a Força Aérea Brasileira (FAB) é o brigadeiro Carlos Alberto Batista Júnior, atual comandante-geral de apoio (logística) da corporação. Ele substitui Antônio Carlos Moretti Bermudez. 

Em um breve pronunciamento para apresentar os novos comandantes, o ministro da Defesa falou sobre a atuação das Forças Armadas no combate a pandemia. “As Forças Armadas são fatores de integração nacional e têm contribuído diuturnamente nessa tarefa com a Operação Covid-19 com inúmeras atividades”, destacou Braga Netto. Ele também afirmou os militares se manterão fieis à Constituição Federal.

“A Marinha do Brasil, o Exército Brasileiro e a Força Aérea brasileira se mantêm fieis às suas missões constitucionais de defender a pátria, garantir os poderes constitucionais e as liberdades democráticas”.

O presidente Jair Bolsonaro também apresentou os novos comandantes em sua conta no Twitter.

Edição: Fábio Massalli

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