O quadro geral
A Sexta-Feira Santa, que em 2026 cairá no dia 3 de abril, é um dia de grande importância para os católicos, marcado por tradições de jejum e abstinência. Neste dia, a Igreja Católica não celebra missa, e a prática da abstinência de carne vermelha é uma tradição significativa que remonta a séculos.
A abstinência de carne é obrigatória para todos os fiéis que completaram 14 anos de idade, conforme estipulado pelo Código de Direito Canônico, que afirma: “Estão obrigados à lei da abstinência os que completaram catorze anos de idade.” Assim, a carne é considerada um alimento festivo e associado a celebrações, e sua exclusão neste dia é vista como uma forma de penitência.
Durante a Semana Santa, os católicos costumam optar por peixe como alternativa à carne vermelha. Essa prática não apenas reflete a tradição, mas também simboliza a simplicidade e a humildade, características que os fiéis são incentivados a adotar durante este período de reflexão sobre a morte de Jesus Cristo na cruz.
Além disso, a abstinência de carne não é uma regra absoluta. Pessoas com problemas de saúde, grávidas, trabalhadores que exercem atividades físicas intensas e pessoas em situação de vulnerabilidade estão isentas dessa obrigação. A Igreja reconhece que a prática deve ser adaptada às circunstâncias individuais, permitindo que todos possam participar da espiritualidade da Semana Santa.
O jejum e a abstinência são também uma forma de penitência que consiste na privação de alimentos, e a norma da Igreja estabelece que a abstinência deve ser substituída por outra prática de penitência. Isso significa que, mesmo que a carne não seja consumida, os fiéis são incentivados a refletir sobre o significado do sacrifício e a se engajar em atos de caridade ou oração.
As reações à prática da abstinência de carne na Sexta-Feira Santa são variadas. Enquanto muitos católicos seguem rigorosamente as tradições, outros questionam a necessidade de tais restrições nos dias atuais. O Padre José Ulisses Leva, em suas reflexões sobre o tema, observa que “a carne recorda o corpo de Jesus Cristo”, ressaltando a profundidade espiritual da abstinência.
Por fim, a Conferência Episcopal pode determinar mais pormenorizadamente a observância do jejum e da abstinência, adaptando as diretrizes às necessidades dos fiéis. A Semana Santa, um período de 40 dias que prepara os católicos para a celebração da paixão, morte e ressurreição de Cristo, continua a ser um tempo de reflexão e renovação espiritual.




