A insatisfação de motoristas e entregadores de todo o país cresce às vésperas dos atos convocados contra o PLP 152. A proposta, que visa regulamentar o trabalho nas plataformas de aplicativos, foi inicialmente concebida ouvindo todas as partes, incluindo trabalhadores e plataformas. No entanto, a expectativa inicial de diálogo e consenso se transformou em um clima de tensão e protesto.
No dia 14 de abril de 2026, motoristas de aplicativos realizaram uma carreata em São Paulo, demonstrando sua oposição ao projeto. O PLP 152 estabelece um piso de R$ 8,50 por corrida, enquanto o governo defende uma corrida mínima de R$ 10. Essa discrepância gerou descontentamento entre os trabalhadores, que sentem que suas necessidades não estão sendo atendidas.
O relator do PLP 152, deputado federal Augusto Coutinho, defende que a proposta busca garantir maior participação patronal na proteção social dos trabalhadores. Contudo, motoristas como Anderson Antunes expressam preocupações, afirmando: “A proposta não tem nenhuma garantia pra gente de valores, de segurança. Eles [deputados federais] estão priorizando apenas as plataformas e o governo.”
Além disso, o PLP 152 mantém os trabalhadores como autônomos, sem vínculo empregatício, o que gera ainda mais insatisfação. Nicolas Souza Santos, outro representante dos motoristas, destacou que “todas as lideranças, influencers, sindicalistas estão se movimentando para enterrar o projeto. Não existe mais a sensação de que poderia haver algum diálogo.”
O PLP 152 também estabelece dois modelos de remuneração: por serviço ou por tempo efetivo, além de um teto de taxas sobre o valor pago pelo usuário. No entanto, a proposta foi adiada e não será votada nesta semana, o que intensificou os protestos. A Anea, associação que representa motoristas, confirmou atos em 13 capitais do Brasil, enquanto o Sindmobi anunciou uma carreata até Brasília contra o PLP 152.
Os motoristas e entregadores convocam uma manifestação nacional por melhores condições e mudanças nas plataformas. A pressão sobre o governo aumenta, e a expectativa é de que novas discussões sobre o projeto sejam realizadas em breve. Detalhes permanecem não confirmados.




