O que os dados mostram
A nova greve dos caminhoneiros, marcada para iniciar às 18h do dia 18 de março de 2026, levanta a questão: o que motivou essa mobilização? A resposta é clara: as altas agressivas do óleo diesel no Brasil, que têm pressionado a categoria a buscar soluções para a crise que enfrentam.
Recentemente, o diesel tipo S-10 registrou um aumento de 18,86% desde o final de fevereiro, enquanto o preço do diesel comum subiu mais de 22% no mesmo período. Em Santos, o preço do diesel chegou a R$ 6,29, e em algumas regiões, o valor pode ser ainda maior, alcançando R$ 15,00. Esses aumentos têm gerado descontentamento entre os caminhoneiros, que se sentem pressionados por custos crescentes sem um suporte adequado.
A mobilização foi decidida em uma reunião realizada no Porto de Santos, onde lideranças do setor, incluindo representantes da Abrava e Fetrabens, deram sinal verde para a paralisação. Caminhoneiros autônomos de Itajaí também decidiram aderir à greve nacional, somando-se a um movimento que já conta com cerca de 790 mil caminhoneiros autônomos e 750 mil motoristas celetistas no Brasil.
Apesar de o governo federal ter anunciado um pacote de medidas para aliviar a situação do setor, a Petrobras, por outro lado, anunciou um reajuste no combustível, o que contradiz as tentativas de negociação. “Estamos tentando, negociando com o Governo Federal há mais de um ano, entretanto, até o presente momento nada foi definido”, afirmou Luciana Saldanha, uma das líderes da categoria.
Além disso, caminhoneiros afirmam que parte dos benefícios prometidos pelo governo ficou retida na cadeia de distribuição, e a falta de fiscalização efetiva permite que transportadores operem abaixo do piso mínimo de frete. Wallace Landim, um dos representantes da categoria, destacou a necessidade de uma fiscalização mais rigorosa: “O governo precisa fiscalizar as distribuidoras e revendedoras”.
Os governadores, por sua vez, rejeitaram o pedido do presidente para reduzir o ICMS sobre o diesel, o que poderia aliviar um pouco a pressão sobre os preços. A insatisfação da categoria reflete não apenas o aumento contínuo dos custos do transporte, mas também a ausência de medidas estruturais que garantam previsibilidade ao setor.
Um movimento coordenado como este pode ter um impacto relevante sobre a logística e a atividade econômica do país. A possibilidade de uma nova paralisação nacional de caminhoneiros voltou ao radar do governo federal, e as autoridades estão atentas ao desenrolar da situação. O movimento anulou qualquer efeito prático das medidas já anunciadas, e detalhes permanecem não confirmados sobre como o governo irá responder a essa nova onda de protestos.




