O que está em jogo no evento de Erika Hilton na PUC-SP?
O evento programado para o dia 9 de março de 2026 na Pontifícia Universidade Católica de São Paulo (PUC-SP), que contará com a participação da deputada federal Erika Hilton, levanta questões importantes sobre a presença da organização Samidoun, classificada como terrorista por alguns países. A dúvida central é: qual o impacto da participação de Hilton em um evento que envolve uma entidade controversa como a Samidoun?
A resposta a essa pergunta é complexa. Erika Hilton, membro do partido PSOL, é uma figura proeminente no ativismo por direitos humanos e defesa das vidas das mulheres. O evento, organizado pelo Núcleo de Gênero do curso de Psicologia da PUC-SP, abordará temas como anti-imperialismo, democracia e soberania, refletindo a agenda progressista da deputada. Contudo, a inclusão da Samidoun, que tem enfrentado acusações de antisemitismo e terrorismo em diversos países, complica a narrativa.
Quem é Rawa Alsagheer?
Rawa Alsagheer, uma ativista política palestina e cineasta, também será uma das palestrantes do evento. Ela é conhecida por suas críticas a empresas de segurança privadas ligadas a ex-oficiais militares israelenses. A presença de Alsagheer, junto com a de Hilton, promete trazer à tona discussões sobre a luta dos palestinos e as condições dos prisioneiros políticos, um tema que Samidoun afirma defender, conforme suas declarações: “Nosso trabalho consiste em conscientizar e fornecer recursos sobre os presos políticos palestinos, suas condições, suas demandas e sua luta pela liberdade.”
A posição da PUC-SP
A PUC-SP, por sua vez, afirmou que o evento não faz parte de sua agenda oficial, mas que respeita os valores da democracia e dos direitos humanos. Essa declaração é significativa, pois demonstra a tentativa da instituição de se distanciar de possíveis controvérsias enquanto ainda promove um espaço para o debate. A universidade enfatizou que “a livre manifestação do pensamento e de valores humanistas fazem parte do DNA da PUC-SP,” indicando um compromisso com a diversidade de opiniões.
O que é Samidoun?
Samidoun, que foi fundado em 2011, é uma rede internacional que se apresenta como defensora dos prisioneiros palestinos. No entanto, sua reputação é manchada por sanções e proibições em vários países. Em novembro de 2023, a organização foi banida na Alemanha por disseminar propaganda anti-Israel, e em outubro de 2024, os Estados Unidos impuseram sanções a ela por atuar como uma frente de arrecadação de fundos para a Frente Popular de Libertação da Palestina (PFLP). Além disso, o governo israelense a designou como organização terrorista em 2021.
Implicações e reações
A participação de Hilton e Alsagheer no evento pode provocar reações variadas, tanto de apoiadores quanto de críticos. Enquanto muitos veem a presença de Hilton como uma oportunidade para discutir questões de direitos humanos e feminismo, outros podem considerar a associação com Samidoun como problemática, especialmente à luz das acusações de apoio a organizações terroristas, como mencionado pela ministra do Interior da Alemanha, Nancy Faeser: “Samidoun também apoiou e glorificou várias organizações terroristas estrangeiras, incluindo o Hamas.”
Próximos passos
Com o evento se aproximando, a expectativa é alta sobre como as discussões se desenrolarão e quais serão as reações do público e da mídia. A PUC-SP e os organizadores do evento terão que lidar com as repercussões da escolha de convidados e temas, especialmente em um clima político tão polarizado. Detalhes permanecem não confirmados sobre a possível presença de outros palestrantes e como a dinâmica do evento será gerida.




