O acidente com césio-137, que ocorreu em Goiânia em 13 de setembro de 1987, é considerado o maior acidente radiológico urbano do mundo. O incidente se deu quando catadores abriram uma cápsula de césio-137 em um aparelho de radioterapia abandonado, liberando material radioativo na cidade.
Desde então, dezenas de pessoas foram contaminadas, resultando em quatro mortes imediatas e outras registradas nos anos seguintes devido às consequências da radiação. A descontaminação da área afetada gerou 13.500 toneladas de lixo atômico, que permanecerão perigosas por até 180 anos.
Atualmente, 603 pessoas recebem pensão vitalícia em decorrência do acidente, com um novo projeto de lei em tramitação na Assembleia Legislativa de Goiás que propõe um reajuste de 70% nas pensões. O novo valor da pensão para os moradores mais afetados seria de R$ 3.242, enquanto para os demais afetados, o valor seria de R$ 1.621.
A série “Emergência Radioativa”, lançada na Netflix em 18 de março de 2026, trouxe à tona a história do acidente e suas consequências. Sueli de Moraes, uma das vítimas, comentou: “Conheço todas as vítimas e fui vítima também. Tem pessoas que não estão gostando, de certo porque não viram ainda. Chateou muita gente do grupo, que disse que não tinha nada a ver, que era mentira”.
Karlos Cabral, que apoia a criação de um memorial em homenagem às vítimas, afirmou: “Trata-se de um compromisso com as vítimas, com a história de Goiânia e com as futuras gerações. É fundamental que esse episódio seja lembrado não apenas como tragédia, mas como aprendizado”.
As feridas do acidente ainda estão abertas, como destacou Johnny Massaro: “As feridas estão abertas, porque as vítimas que ainda sofrem as consequências. É uma história que pertence a elas, mas, ao mesmo tempo, pertence ao imaginário de toda a sociedade”.
Fabiano Gullane, responsável pela série, enfatizou a importância de retratar os fatos com precisão: “É sempre um desafio escolher o que fica dentro e o que fica fora do roteiro, mas a gente procurou ser fiel na reconstituição dos fatos, tendo uma garantia de que, essencialmente, o que os especialistas falaram e o que aconteceu fosse contado”.
O acidente com césio-137 continua a ser um marco na história de Goiânia, refletindo não apenas os desafios enfrentados pelas vítimas, mas também a necessidade de lembrar e aprender com os erros do passado. Detalhes permanecem não confirmados.




