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DECLARAÇÃO DE AMOR A CIDADE DE SÃO JORGE DOS ILHÉUS – JORGE AMADO

Jorge Amado

(No centenário da cidade em 1981)


Cidade do meu amor, Rainha do Sul, reduto de índios, capitania, porta do cacau aberta ao mundo, porta de entrada ao universo grapiúna, São Jorge dos Ilhéus; pioneira, mãe de cidades, vilas, povoados, eu te saúdo em nome de tuas irmãs mais moças – Itabuna, Itajuípe, Belmonte, Uruçuca, Canavieiras, Ubaitaba, Caravelas, Una, Coaraci – em nome de todo o território e de todo o povo grapiúna, em tua data gloriosa, na festa de teu centenário.

Ditaste a lei e comandaste os homens na saga do cacau – sobre o sangue derramado construíste riqueza e civilização. Venho te ofertar meu amor de toda a vida, desde que cheguei infante à fímbria de teu mar, às praias do Pontal, vindo das terras ricas de Itabuna, das roças recém-plantadas, de Ferradas onde fui parido. Me acalentaste em teu seio pujante, de tua seiva me alimentei de destemor, de malícia e graça, de paixão pela aventura. Me ensinaste o acontecimento e a poesia, me deste a medida da vida e da morte, me deste a chave da adivinha, a que abre as portas da realidade e da magia.

Me fizeste homem e escritor, te devo a decisão, o conhecimento e o ofício, para que um dia eu viesse te reescrever, povoar tuas ruas, e arauto de tua grandeza, levasse teu nome ao longínquo e ao recôndito, aos confins.

Neste teu dia de proclamação e reconhecimento, quero saudar a todos e a cada um; saudar os coronéis, os que aceitaram o desafio e assumiram a luta, vararam a selva, derrubaram a mata virgem e plantaram as roças: coronel Manuel Misael da Silva Tavares, começou tropeiro tangendo burros, terminou rei do cacau; coronel Pedro Catalão, parecia um europeu de tão civilizado; coronel Basílio de Oliveira e Sinhô Badaró, os invencíveis guerreiros; coronel Antônio Pessoa e sua intendência; coronel Ramiro Ildefonso de Araújo Castro em seu palacete; coronel José Ninck, negro e destemido; coronel João Amado de Faria, meu pai; o coronel Aguiar com quem ele conversava em frente à nossa casa é o pai de Adonias Filho; saudar Brasilino José dos Santos, meu compadre Brás, a cara marcada da bexiga, o riso aberto no rosto de caboclo; ele traçou os caminhos, violou a floresta, plantou os alicerces de Pirangi, fundador da cidade.

Saudar os principais responsáveis por tua grandeza: os alugados e os jagunços, vindos do sertão e de Sergipe, os que adubaram a terra com seu sangue generosos e a prepararam para o plantio e a colheita do cacau; saudar os que lutaram pelo progresso, por teu novo porto substituindo a pequena enseada de perigos e naufrágios – teu porto por onde saem para os quatro cantos do mundo as amêndoas do cacau, tua cor, teu sabor e teu perfume. Saudar João Mangabeira, recém formado bacharel em Direito, menino de dezenove anos, desembarcando em Ilhéus para aprender e ensinar – plantou a cultura em meio aos cacauais.

Quero rever as meninas em flor, as namoradas na janela e no portão, quero reencontrar as raparigas dos cabarés e dos castelos, românticas e puras; quero jogar dados no bar do cais com os ingleses da Estrada de Ferro, brindar por teu futuro – com eles aprendemos o valor e o gosto da bebida; quero sentar novamente ao lado dos jogadores de pôquer, num quarto do Hotel Coelho, dos profissionais vindos para o novo eldorado ganhar o dinheiro fácil dos coronéis do cacau com a trinca Itabuna e um renque de blefes – meu tio Álvaro Amado, coronel do cacau, exibia o jogo, recolhia as fichas, sorria modesto: “mal sei distinguir o valor das cartas”.

Quero ouvir a voz erudita de João Evangelista de Oliveira, discutindo gramática e romances franceses; ler o artigo castiço de Nelson Schaun; a página exemplar de mestre Epaminondas Berbert de Castro; o verso de Fernando Caldas; escutar o riso de Helvécio Marques – eles empunharam a cultura como uma arma, tão importante quanto o rifle e o clavinote. Quero andar outra vez no Ford-de-bigodes de Demostinho, varar a estrada de lama e buracos para penetrar nas festas de Itabuna, namorar em Água Branca e em Banco da Vitória – Demosthenes Berbert de Castro, o patriota por excelência, o herói da construção do porto, o infatigável cidadão.

Quero abraçar Raymundo Sá Barretto, a imbatível lealdade a serviço de tua tradição e de teu progresso, quero perambular vagabundo pelas ruas, com o poeta Sosígenes Costa, vindo dos mares de Belmonte para ser teu predileto, aquele que te engrandeceu e nos deu o dom maior da poesia eterna. Quero ir buscar Otávio Moura na redação do jornal para partirmos ao encontro das mulheres mais famosas nos becos mais esconsos. Quero assistir o navio sueco vencer a barra estreita e ameaçadora e ancorar na manhã de minha infância, trazendo o sonho das virgens, a sedução da falsa loira de Estocolmo.

Quero brindar em tua honra com os ficcionistas grapiúnas, os que narram tuas histórias e inventam tua humanidade, conservam viva tua memória: Adonias Filho, James Amado, Jorge Medauar, Hélio Pólvora, Sônia Coutinho, Emo Duarte, Elvira Foepel, Cyro de Mattos, Marcos Santarita, Clodomir Xavier de Oliveira, meus irmãos de ofício e de labuta. Quero te saudar com os poemas mais belos de Telmo Padilha e Florisvaldo Mattos.

Quero improvisar uma canção, pronunciar um discurso, conceber um verso que seja igual à aurora, tenha a beleza única das roças de cacau, dos frutos sazonados, para dizer de tua face múltipla, rural e marítima, bravia e terna, de tua altivez atlântica, de tua graça cativante, de tua juventude centenária, de tua grandeza, cidade ilustre e fundamental, chão de valentes.

Sou teu filho, cresci em tuas ruas, contigo aprendi a liberdade e o futuro, a luta contra a opressão e a miséria, contigo aprendi o amor – minha cidade de Ilhéus, minha pátria bem-amada!

Obs: Em 1981 é o centenário da cidade, pois em 1881 Ilhéus foi elevada de vila à cidade.

*Na foto, os escritores, Jorge Amado, Sá Barretto, Telmo Padilha, Florisvaldo Mattos e James Amado.

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CHINESES MELHORAM O PAÍS, BRASILEIROS CONSTROEM ESTÁDIOS.

 

Enquanto nossos políticos falam, falam, nada decidem e o tempo passa, vejamos o que os chineses já alcançaram em termos de transportes ferroviários.

Impressionante atingirem a velocidade de 301 km/h produzindo menos de 67 decibéis de ruído.

Conclusão: continuamos sendo a república das bananas do big brother, do carnaval e do futebol.

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Não! Não é Estádio não. É uma estação ferroviária. Beijing-Shanghai high-speed rail. Beijing departure station

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Velocidade de 301 km/hr – Olhem a limpeza.

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Olhem a quantidade de papel de biscoitos e sacolas no chão… Procure bem….

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O que é isso? É um avião por acaso?

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 Afinal, é trem ou avião?

 

 

 

 

CONHEÇA UM POUCO DESTE FALASTRÃO INCONSEQUENTE.

João Pedro Stédile

Origem: Wikipédia, a enciclopédia livre.

João Pedro Stédile, emfoto de novembro de 2004

João Pedro Stedile (Lagoa Vermelha, 25 de dezembro de 1953) é um economista e ativista social brasileiro. É graduado em economia pela Pontifícia Universidade Católica do Rio Grande do Sul, e pós-graduado pela Universidade Nacional Autônoma do México.

Marxista por formação, Stédile é um dos maiores defensores da reforma agrária. Filho de pequenos agricultores da província italiana de Trento, reside hoje em São Paulo.

É membro da direção nacional do Movimento dos Trabalhadores Rurais Sem Terra (MST), do qual é também um dos fundadores. Participa desde 1979 das atividades da luta pela reforma agrária no País, pelo MST e pela Via Campesina.

Atuou como membro da Comissão de Produtores de Uva, dos Sindicatos dos Trabalhadores Rurais do Rio Grande do Sul, na região de Bento Gonçalves.

Assessorou a Comissão Pastoral da Terra (CPT) no Rio Grande do Sul e em âmbito nacional e trabalhou na secretaria da Agricultura do Rio Grande do Sul.

Recebeu a medalha “Mérito Legislativo”, concedida a personalidades brasileiras ou estrangeiras que realizaram ou realizam serviço de relevância para a sociedade. A indicação partiu do deputado federal Brizola Neto (PDT/RJ), líder da bancada do seu partido na Câmara, como uma forma de trazer a reflexão à luta pela terra e o uso que vem sendo feito dela. Para Brizola Neto, a indicação é uma homenagem mais do que merecida. “A medalha será um símbolo para o Congresso Nacional, que tomou essa iniciativa, mesmo com alguns tentando criminalizar as ações do movimento.“. Ele diz ainda que a contribuição que Stédile deu ao país é a luta que vem travando nesses anos todos pela terra.1

§Controvérsias[editar | editar código-fonte]

Stédile defende abertamente a insubordinação legal e a luta armada. Em um artigo 2 sobre a deposição do presidente do Paraguai, Fernando Lugo, em 2012, ressaltou: “Se a sociedade paraguaia estivesse dividida e armada, certamente os defensores do presidente Lugo não aceitariam pacificamente o golpe“.

O Movimento dos Trabalhadores Rurais Sem Terra, que tem em Stédile um líder, é, não raras vezes, acusado de não ter como meta principal o bem estar dos camponeses, e sim, utilizar a reforma agrária apenas como pretexto para promover uma revoluçãosocialista. Um trecho da cartilha de lutas do MST diz: “Os dirigentes possuem um sonho revolucionário que é construir sobre os escombros do capitalismo uma sociedade socialista. Muitas vezes as aspirações dos dirigentes não são as mesmas da massa. Nesse caso é preciso desenvolver um trabalho ideológico para fazer com que as aspirações da massa adquiram caráter político e revolucionário“.

Para Stédile, que apoiou Dilma Rousseff em sua campanha presidencial3 , “O governo Dilma virou um bando de tecnocratas de costas para o povo 4 ”. Todavia, o MST tem seu nome cada vez mais envolvido em denúncias de repasses irregulares de verbas públicas, desde a gestão do presidente Lula5 .

ELEIÇÃO NA CDL DE ILHÉUS

BLOCO BECO DA BAIUCA, VEM QUENTE ESTE ANO.

Bloco Beco da Baiuca da Rua Santa Inês-Princesa Isabel e desde 2006 participa dos carnavais, este ano sairá com 600 foliões e com a animação de Abdias e Banda, as camisas já estão à venda no bar do Marquinhos e Loja Traços e Formas no box nº 35-SAC.

Segurança, alegria e muita gente bonita é a tônica do nosso bloco.

Bloco Beco da Baiuca, imagem Google.

Bloco Beco da Baiuca, imagem Google.

QUEM SÃO OS DONOS DA NOTÍCIA EM ITABUNA?

Andreyver Lima

Andreyver Lima

A maneira com que se divulga e se noticia aqui é agressiva e odiosa. Contribui apenas para desinformação da população e o fortalecimento de um determinado grupo que quer a permanência da ignorância em nossa cidade para o alcance e manutenção do poder.

Esses artifícios de manipular e criar factoides se aproveitam da ingenuidade e também da tendência à revolta que há em cada brasileiro.


Há em cada um de nós o espirito revolucionário que precisa apenas de uma brecha, para que possamos destilar nossas palavras de ordem. Acusando sem ouvir o outro lado.


Digo isso porque temos preguiça de ler e de nos informar. E o primeiro canal que nos dá informação parece convincente, apesar de a fonte da notícia ser criada pelos pensantes do grupo.


Não estou a falar de illuminates. Estes que têm a fama de controlar a mídia mundial. Falo regionalmente. Falo de Itabuna. Cidade polo de tantas coisas boas e ruins. Grande central de comunicação do sul do estado. É de conhecimento de todos o número de veículos e incontáveis blogs e sites daqui.


Como peneirar um conteúdo confiável? Como se policiar sem ferir a ‘liberdade de expressão’?


Aqui, temos um programa que se vangloria de sua audiência, escorrendo sangue na TV e fazendo chacota com os presos e detidos. Ah, sem contar que eles têm grande alcance entre o público infantil. Os pais mandam cartas e fazem ligações, afirmando, de maneira ingênua, que a criança não perde o programa. O apresentador acha graça.


A internet é um lugar ainda mais hostil para quem quer se informar em Itabuna.

Além do copia e cola, alguns sites têm erros ortográficos que doem os olhos. A manipulação é tão evidente que chega a ser piada para quem conhece os fatos ou personagens da notícia. As publicações mais parecem “fuxico de maria da esquina”. São eles os donos da informação?

Mas, que mal há nisso? Já que ganham dinheiro dentro da lei? A resposta é: muito além de dinheiro, criam algo mais valioso, o financiamento do poder.


Se pensamos de forma mais concreta, observando a história da comunicação no Brasil no geral, responderemos de outra forma. O total domínio num jogo de influências e uma série de outros problemas nos fazem pensar que a resposta mais correta, na verdade, é: dominação demais.


Torço pelo dia em que nós aqui façamos nosso papel. 

Viva a liberdade! Da qual faço uso neste momento.

ATESTADO DE INCOMPETÊNCIA PARA GOVERNAR – DILMA ROUSSEFF E SEU PARTIDO, O PT COM ALIADOS!

Notificações de Autuação por Infração de Trânsito

ESCASSEZ DE CHOCOLATE ESTIMULA RESSURGIMENTO DO CACAU NA AMAZÔNIA.

Bloomberg

Bloomberg
Matt Craze© Foto: Matthew Mead/AP

 Com o aumento dos preços do chocolate, um ex-banqueiro do Credit Suisse Group AG quer ajudar a reativar o cultivo de cacau na bacia amazônica, onde acredita-se que os grãos se originaram há cerca de 15.000 anos.

Com o aumento dos preços do chocolate, um ex-banqueiro do Credit Suisse Group AG quer ajudar a reativar o cultivo de cacau na bacia amazônica, onde acredita-se que os grãos se originaram há cerca de 15.000 anos.

Sua campanha, localizada no Peru, é parte de uma iniciativa latino-americana para conquistar um controle maior do setor que atualmente é dominado por produtores da África Ocidental, responsáveis por 70 por cento do mercado. A iniciativa surge em um momento em que a seca, as doenças e os controles governamentais de preços reduziram a capacidade dos produtores africanos de atender a demanda, o que elevou os preços em 7,4 por cento em 2014.

Surge então a América Latina, onde cientistas acreditam que o cacau se originou. Em dado momento, o doce era considerado pelos Astecas como a bebida dos deuses e acabou sendo levado à Europa pelos colonizadores espanhóis. Agora, o ex-banqueiro Dennis Melka está participando da iniciativa do Brasil, do Equador e da Colômbia para que o produto volte às suas raízes.

“O mercado está crescendo mais rapidamente do que a capacidade da África para atendê-lo”, disse Melka, CEO e fundador da United Cacao Ltd., com sede nas Ilhas Cayman. “É uma excelente oportunidade para fornecer e mudar a indústria confeiteira”.

Melka, que saiu do Credit Suisse em 2005, era diretor da cobertura do banco para mercados emergentes, com foco no Sudeste Asiático. Ele fundou a Asian Plantations Ltd., que produz azeite de dendê na Malásia, e posteriormente passou a cultivar dendezeiros e outras espécies tropicais na América do Sul, onde as terras não são tão caras.

Em novembro, ele vendeu a Asian Plantations em um acordo cotado em 188 milhões de libras (US$ 286 milhões), de acordo com dados compilados pela Bloomberg. No mês seguinte, a United Cacao arrecadou US$ 10 milhões em sua abertura de capital, em Londres, e as ações subiram 35 por cento desde então.

Cultivo sensível

O cacau é um cultivo sensível e só pode ser realizado a cerca de 10 graus da linha do equador. Por ter terras em condições ideais e disponíveis imediatamente na selva sul-americana, Melka afirma que a região amazônica está despontando como um fornecedor primordial para os produtores de chocolate.

Os preços do cacau vêm aumentando desde 2011 e agora estão em cerca de US$ 2.900 por tonelada.

“Estamos correndo para plantar porque este preço é incrível”, disse Melka. “O Vale do Silício do setor cacaueiro não fica na Ásia nem na África, fica no cinturão amazônico equatoriano e peruano”.

Confeitarias

Melka pretende pegar uma fatia do mercado da África Ocidental, onde o cacau é cultivado principalmente por pequenos produtores e vendido a Cargill Inc., pela Barry Callebaut AG, da Suíça, e pela Olam International Ltd., que são processadores de grande porte.

À medida que a demanda global aumenta, conduzida em parte pela mudança das preferências do consumidor na Ásia, a Organização Internacional do Cacau projeta uma escassez de 100.000 toneladas no atual ano de cultivo. A fabricante de doces Mars Inc. prevê que em 2020 a escassez será de 1 milhão de toneladas.

A M. Libânio Agrícola SA, produtora e processadora brasileira de cacau desde 1920, pretende triplicar a produção em nove fazendas com 627.000 hectares na Bahia, disse Eimar Sampaio Rosa, diretor acionista da empresa.

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A VEJA ARROMBA E ARREGAÇA COM A PETRALHADA, POR ISSO ERA CHAMADA DE ‘PIG’, PARTIDO DA IMPRENSA GOLPISTA!

Em VEJA desta semana

Petrolão: políticos recebiam a propina em domicílio

Confira as revelações do homem que entregava dinheiro da Petrobras na casa de deputados, senadores, governadores, ministros e na sede nacional do PT

Robson Bonin e Hugo Marques
Money delivery: Acompanhado de seus advogados, Rafael Ângulo Lopez negocia um acordo de delação premiada com a Justiça. Durante anos, ele distribuiu dinheiro desviado da Petrobras a “clientes” famos do esquema de corrupção

Money delivery: Acompanhado de seus advogados, Rafael Ângulo Lopez negocia um acordo de delação premiada com a Justiça. Durante anos, ele distribuiu dinheiro desviado da Petrobras a “clientes” famos do esquema de corrupção(Jefferson Coppola/VEJA)

Depois de tantas revelações sobre engenharias corruptas complexas de sobrepreços, aditivos, aceleração de obras e manobras cambiais engenhosas, a Operação Lava-Jato produziu agora uma história simples e de fácil entendimento. Ela se refere ao que ocorre na etapa final do esquema de corrupção, quando dinheiro vivo é entregue em domicílio aos participantes. Durante quase uma década, Rafael Ângulo Lopez, esse senhor de cabelos grisalhos e aparência frágil da fotografia acima, executou esse trabalho. Ele era o distribuidor da propina que a quadrilha desviou dos cofres da Petrobras. Era o responsável pelo atendimento das demandas financeiras de clientes especiais, como deputados, senadores, governadores e ministros. Braço-direito do doleiro Alberto Youssef, o caixa da organização, Rafael era “o homem das boas notícias”. Ele passou os últimos anos cruzando o país de Norte a Sul em vôos comerciais com fortunas em cédulas amarradas ao próprio corpo sem nunca ter sido apanhado. Em cada cidade, um ou mais destinatários desse Papai Noel da corrupção o aguardavam ansiosamente.

Os vôos da alegria sempre começavam em São Paulo, onde funcionava o escritório central do grupo. As entregas de dinheiro em domicílio eram feitas em endereços elegantes de figurões de Brasília, Recife, Porto Alegre, Curitiba, Maceió, São Luís. Eventualmente ele levava remessas para destinatários no Peru, na Bolívia e no Panamá. Discreto, falando só o estritamente necessário ao telefone, não deixou pistas de suas atividades em mensagens ou diálogos eletrônicos. Isso o manteve distante dos olhos e ouvidos da Polícia Federal nas primeiras etapas da operação Lava-Jato. Graças à dupla cidadania — espanhola e brasileira —, Rafael usava o passaporte europeu e ar naturalmente formal para transitar pelos aeroportos sem despertar suspeitas. Ele cumpria suas missões mais delicadas com praticamente todo o corpo coberto por camadas de notas fixadas com fita adesiva e filme plástico, daqueles usados para embalar alimentos. A muamba, segundo ele disse à polícia, era mais fácil e confortável de ser acomodada nas pernas. Quando os volumes era muito altos, Rafael contava com a ajuda de dois ou três comparsas.

A rotina do trabalho permitiu que o entregador soubesse mais do que o recomendável sobre a vida paralela e criminosa de seus clientes famosos, o que pode ser prenúncio de um grande pesadelo. É que Rafael tinha uma outra característica que poucos sabiam: a organização. Ele anotava e guardava comprovantes de todas as suas operações clandestinas. É considerado, por isso, uma testemunha capaz de ajudar a fisgar em definitivo alguns figurões envolvidos no escândalo da Petrobras. VEJA apurou que o entregador já se ofereceu para fazer um acordo de delação premiada, a exemplo do seu ex-patrão.

Veja dois dos destinatários da proprina que Rafael Ângulo Lopez transportava.

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