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:: ‘Itajuipe’

O POLVO CACAUEIRO

Luiz Ferreira da Silva

Pesquisador aposentado da CEPLAC

luizferreira1937@gmil.com

O polvo é um molusco marinho que possui oito braços e, como são usados na locomoção, caracteriza-se como octópodes.

Na atual situação de debacle em que se encontra a região do cacau, até se pode fazer uma correspondência com a apreciada guloseima, haja vista tantos problemas que lhe afeta, discriminados em 8 pernas que vem travando a economia do cacau:

  1. CEPLAC fragilizada, não mais atendendo aos produtores como fazia anos atrás;

  2. Produtor endividado, com seu patrimônio hipotecado e, logicamente, sem condições de investir em suas roças;

  3. Vassoura-de-bruxa “varrendo” os cacauais, necessitando de práticas integradas de controle e material genético tolerante;

  4. Falta de lideranças, substituídas por uma “ruma” de associações que pouco se entendem e não possuem um norte fixo pragmático, batendo recordes de reuniões infrutíferas per capta;

  5. Lavouras velhas necessitadas de replantação, constituindo meio de cultura favorável aos “vassoureiros” (roças infestadas com o mal);

  6. Ministério da Agricultura inapto e inepto, preocupado mais em penduricalhos, numa fobia de mudança estrutural, sem saber o que fazer com a CEPLAC;

  7. Políticos baianos de muita conversa e pouca ação, sem compromisso com a região e despreparados no tema, desde o Governo ACM, e finalmente;

  8. A crise brasileira com o déficit das contas públicas beirando os 150 bilhões de reais, numa luta titânica de sobrevivência fiscal, sem muito gás para socorrer a lavoura do cacau baiano.

Dessa forma, através desse fictício polvo vegetal se expressa a realidade da região sul baiana – caótica e de difícil solução – que, a cada ano, se agrava, podendo alcançar um nível “one way” (sem retorno), haja vista que a atual crise é bem mais complexa que as anteriores. Hoje, as ventosas daqueles tentáculos estão mais profundas e com mais força de fixação.

É preciso se contextualizar o processo avançado de degradação da lavoura cacaueira num processo contínuo, seja pelo envelhecimento das plantações, seja pela falta de investimentos tecnológicos. Pelo outro lado, não há nenhuma política pública para reverter o atual cenário, que passa pela solução das dívidas dos produtores.

 As informações (Bahia Rural), fim de 2017, dão conta da queda vertiginosa da produção e redução da produtividade média das plantações. Isso significa não só a perda da hegemonia baiana, pois o Estado do Pará deve assumir a liderança nacional do cacau, mas também a inviabilidade do cultivo, mercê de uma produtividade aquém de 30 arrobas por hectare.

A região ainda não se apercebeu de tal gravidade. Espero que, como se trata de uma região banhada pelo oceano, a figura do polvo com seus olhos abertos, possa lhe servir de alerta. (Maceió, AL, 18-12-2018)

 

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