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:: ‘Cacau’

Beneficiamento do cacau aumenta em 220% faturamento de produtores rurais baianos

Fonte: Correio da Bahia

Beneficiamento do cacau aumenta em 220% faturamento de produtores rurais baianos

De olho no nicho especial de mercado, baiana desenvolve marca própria de chocolate orgânico par vender nos EUA

Transformar amêndoas de cacau em derivados como chocolates finos não serve apenas para agradar o paladar. O beneficiamento do fruto pode aumentar em até 2.000% o faturamento dos produtores rurais, segundo o Ministério da Agricultura (Mapa). Os especialistas do órgão federal estimam que a agregação de valor, desde a amêndoa até o chocolate gourmet, é capaz de aquecer a cadeia produtiva que movimenta mais de R$ 20 bilhões por ano no Brasil.

Entre os produtores baianos o percentual de crescimento do faturamento ainda é mais modesto, mas eles acreditam que podem atingir a marca dos três dígitos, desde que consigam realizar a cadeia completa, da produção em campo até a venda final para o consumidor. De olho neste nicho de mercado, muitos estão investindo no beneficiamento de parte da produção, e deixando de repassar 100% das amêndoas exclusivamente para as indústrias moageiras.

Depois de secar as amêndoas, agricultores beneficiam a produção para aumentar faturamento das fazendas. (Foto: Rotas do Cacau)

Iniciativa baiana 

As oscilações do mercado há muito tempo não assustam mais os agricultores da Bahia Cacau, Cooperativa da Agricultura Familiar e Economia Solidária da Bacia do Rio Salgado (Coopfesba). Desde que passaram a diversificar o uso da amêndoa na agroindústria coletiva, e a fabricar mais de vinte produtos diferentes, os associados só viram as vendas aumentar.

Tudo começou depois que eles criaram a primeira fábrica de chocolates finos de agricultura familiar do Brasil. A marca reúne a produção de 60 agricultores familiares de Ibicaraí, e de 220 produtores de outros municípios vizinhos. Juntos eles já produzem cerca de 3 mil arrobas de cacau por ano.

Ano passado, a cooperativa faturou mais de R$ 800 mil, um montante que representa uma evolução de 220% no faturamento em 3 anos. Antes da instalação da agroindústria, em 2016, a cooperativa faturava cerca de R$ 250 mil por ano. O aumento nos lucros exigiu investimentos em novas máquinas e apuro no plantio, colheita e finalização das safras.

“A nossa meta é chegar a um faturamento de R$ 2 milhões já no ano que vem. Temos a nossa própria loja em Ibicaraí, e projetamos a abertura de mais duas lojas em outras cidades”, afirma Osaná Crisóstomo Nascimento, presidente da Bahia Cacau.

Bahia Cacau, Cooperativa agrícola de Ibicaraí, faturou no ano passado R$ 800 mil com a venda de derivados do cacau. (Foto: divulgação)

O catálogo de produtos inclui desde as gotinhas de chocolate de cinco gramas às barras de um quilo. O teor da massa de chocolate varia de 35% a 70%. Enquanto a arroba custa em média R$ 150 no mercado geral, os agricultores vinculados à cooperativa conseguem comercializar o produto por até R$ 220, cerca de 47% acima do cacau commodity.

“Beneficiar o cacau, dando uma nova roupagem, não apenas produzindo a amêndoa pela amêndoa, é a grande tendência para diferenciar o produto no mercado. E isso vem estimulando muito os agricultores”, acrescenta Osaná.

Exportação

Foi pensando em modernizar e aumentar o faturamento da fazenda de cacau no sul da Bahia, que a baiana Letícia Sarmento está criando a própria marca de chocolate. A ideia é atender o sofisticado mercado consumidor dos Estados Unidos.

Letícia Sarmento e o pai Raimundo Fontes implantaram o sistema orgânico na fazenda para produção de chocolates diferenciados.(Foto: Divulgação)

“Meu pai sempre quis vender cacau para outros países, mas com a crise do cacau ele nunca teve certeza se iria dar certo. Foi aí que propus a criação de um negócio diferente, voltado para exportação e para atender diretamente os microempreendedores americanos que buscam cacau fino, e chegam a vender uma barra de chocolate a no mínimo dez dólares”, conta.

Primeiro ela convenceu o pai, Raimundo Fontes, a trocar o modo de cultivo tradicional pelo sistema orgânico de produção. O sistema que não utiliza defensivos químicos começou a ser implantado em 2014, e é considerado sustentável, produzindo amêndoas mais valorizadas no mercado.

A designer baiana Letícia Sarmento desenvolveu a marca própria depois de vários anos pesquisando as peculiaridades do mercado americano de cacau. (Foto: divulgação)

De lá para cá, ela fez vários cursos de cacauicultura e aproveitou os conhecimentos em design, setor em que atua nos Estados Unidos, para desenvolver a marca Varre-Vento, inspirada no nome da fazenda. A propriedade fica em Ilhéus e produz cerca de 400 sacas de amêndoas por ano.

“Existe uma oportunidade grande de expansão. O mercado de cacau fino está crescendo muito e a procura é grande por produtos de qualidade em termos de sabor e aroma, e por produtores que cultivem de forma sustentável, respeitando o meio ambiente”, acrescenta Letícia.

A primeira linha de produtos derivados do cacau orgânico da Varre-Vento deve chegar ao mercado ainda este ano. A comercialização será realizada através da Companhia Exportadora de Amêndoas e Derivados, também criada pela baiana.

Primeira linha de chocolates finos da Varre-vento deve chegar ao mercado até o final do ano. (Foto: Maria Letícia Sarmento)

Mel de Cacau e outros derivados

De olho neste filão de consumo diferenciado, os produtos gerados a partir das amêndoas conquistam cada vez mais espaço no mercado. Tem sido assim com doces, geleias, cremes, nibs, pó e mel de cacau produzidos nas fazendas.

O mel de cacau é uma espécie de néctar doce e ácido que escorre do fruto. Consumido in natura, ele sempre foi comercializado de forma artesanal nas regiões produtoras. Mas nos últimos anos, vem ganhando embalagens elaboradas, marcas e registros oficiais. Entre as mais conhecidas estão a Cosme e Damião, a Du Kakau e a Uruçuca.

Mel de cacau é muito perecível, por isso deve ser mantido refrigerado antes de ser consumido. Produto é considerado afrodisíaco. (Foto: divulgação)

“Geralmente o mel de cacau ainda é produzido de forma artesanal, mas já conta com algumas opções comerciais. Antigamente ele era desperdiçado nas fazendas, mas tem tido uma procura mais intensa, principalmente por pessoas que procuram uma alimentação saudável, natural, que tenham alguma relação de infância ou familiar com a cacauicultura, ou que queiram experimentar drinks e coquetéis diferentes”, conta João Pedro Vilela, que revende derivados do cacau em Salvador, sob encomenda e através do whatsapp. Trazido diretamente do produtor no sul da Bahia, ele comercializa o litro do mel de cacau por R$ 25.

Mas em alguns outros pontos de venda, a bebida pode ser encontrada até por R$ 100 o litro. Não há confirmação científica, mas o mel do fruto tem fama de ser afrodisíaco. Outro derivado da amêndoa que vem se destacando é a cacauína, uma bebida que mistura cacau e cachaça e que já conta também com rótulos comerciais.

Rota do Cacau

Para incrementar o faturamento das fazendas, muitos produtores rurais têm aderido também a programas de turismo rural e cooperação técnica. Um dos mais conhecidos é a Estrada do Chocolate, criada no ano passado na Bahia. O roteiro conta com o apoio do Sebrae, e inclui a visita a vinte fazendas do sul do estado, entre Ilhéus e Uruçuca. Durante o passeio é possível conhecer de perto o processo de produção das amêndoas, até experimentar os deliciosos chocolates e outras comidas típicas da região.

A Estrada do Chocolate, primeiro roteiro turístico temático da cacaicultura no Brasil, inclui visitas a 20 fazendas produtoras de cacau no sul da Bahia

Outro projeto de fomento é a Rota do Cacau, criado pelo governo federal para incentivar o desenvolvimento econômico das fazendas que ainda sofrem com as consequências da vassoura-de-bruxa. A rota inclui propriedades da Bahia e do Pará, os maiores produtores nacionais.

“As Rotas promovem capacitações, possibilitam acordos de cooperação com universidades, e contribui com a organização dos agricultores familiares, empresários e órgãos de fomento ao desenvolvimento”, afirma Vitarque Coelho, coordenador de Sistema Produtivos e Inovativos do Ministério do Desenvolvimento Rural.

O sul da Bahia conta atualmente com 26 municípios produtores de cacau. Constantemente eles recebem a visita de compradores estrangeiros, principalmente japoneses e americanos.

Estrada do Chocolate inclui visita as fazendas histórias das terras do sem fim, eternizadas na obra do

escritor Jorge Amado. (Foto: Rotas do Cacau)

“As Rotas atuam na estruturação produtiva e na integração econômica das regiões. Com isso, ampliamos nossa participação nos mercados nacionais e internacionais de produção, consumo e investimento”, afirma Adriana Melo, secretária nacional de Desenvolvimento Regional e Urbano.

Grandes indústrias também mantem projetos de incentivo à produção e ao desenvolvimento sustentável no setor. Uma delas, a Cargill Cacau e Chocolate, lançou uma campanha para incentivar a rastreabilidade da cadeia produtiva e a capacitação tecnológica dos agricultores. O projeto envolve ainda treinamento, um relatório bianual de sustentabilidade, e o mapeamento das fazendas, para diminuir os riscos de danos ambientais. A empresa atua em mais de 170 países, como Brasil, Camarões, Costa do Marfim, Gana e Indonésia.

“É vital que as nossas ações criem benefícios duradouros para os produtores, suas famílias e comunidades, capacitando-os para alcançar o sucesso como pequenos negócios, ao mesmo tempo que ajudam a proteger nosso planeta” afirmou Harold Poelma, presidente da empresa.

Bahia e Pará são os principais produtores do Brasil. Beneficiamento é tendência mundial. (Foto: Rotas do Cacau)

Cacauicultores baianos poderão quitar dívidas com até 80% de desconto e acessarem crédito rural

REUNIÃO EDUARDO SALLES DESENBAHIA CNA BNB

O deputado estadual Eduardo Salles articulou reunião, nesta segunda-feira (29), com o presidente da Agência de Fomento do Estado da Bahia (Desenbahia), Francisco Miranda, o superintendente do Banco do Nordeste, José Gomes, o consultor de Relações Institucionais da Confederação da Agricultura e Pecuária do Brasil (CNA), Nelson Fraga, e o presidente da Federação da Agricultura e Pecuária da Bahia (FAEB), Humberto Miranda, e técnicos dessas instituições financeiras.

“O objetivo foi resolver um imbróglio de interpretação jurídica, que perdura há anos, e prejudica o desenvolvimento da cacaueira porque os produtores não podem quitar suas dívidas com as premissas da Lei 13.340 que permitiria a eles receberem descontos de até 80%, retirando juros de mora e outros encargos, e na sequência a possibilidade de concessão de novo crédito”, explica Eduardo Salles.

“Atualmente, temos 1.800 produtores da região do cacau no estado que estão impossibilitados de acesso ao crédito em função de uma burocracia com essa interpretação equivocada”, acrescentou o deputado, que recorreu ao Desenbahia para que a instituição permita a liquidação das dívidas desses produtores.

“O Desenbahia alega que como essas operações já foram lançadas em prejuízo, o BNB  não permite ao produtor quitar essas dívidas, mas explicamos que, como são operações do Fundo Constitucional de Financiamento do Nordeste (FNE), banco repassador, contratadas antes de 2000, o risco é do próprio Fundo. Então estamos tentando levar essa interpretação para que os produtores possam liquidar suas dívidas, oferecendo maior desconto e com novos financiamentos, e quem não puder, que renegocie. Tudo de forma flexível”, explicou o consultor Nelson Fraga aos técnicos do Desenbahia e do Bando Nordeste, também presentes à reunião.

Ainda durante o encontro, o superintendente do BNB, José Gomes, solicitou imediatamente às diretorias financeira e jurídica do Banco em Fortaleza que realizassem uma análise sobre a situação e deem retorno ainda esta semana sobre o assunto, para que, caso a interpretação discutida na reunião esteja correta, que a Desenbahia anuncie rapidamente a possibilidade de quitação dos débitos desses quase dois mil cacauicultores.

“Estamos trabalhando para que os produtores, principalmente do sul da Bahia, possam quitar suas dívidas, voltando ao valor original, sem juros de mora, e oferecermos o máximo de desconto possível para que eles reorganizem suas produções”, finalizou o parlamentar.

ASCOM – Deputado Estadual Eduardo Salles

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Sócio da Natura briga com Lindt e Cacau Show com chocolate de R$10 a R$300

Criada por Guilherme Leal, fundador da Natura, e um ex-funcionário da empresa, a Dengo tem nove lojas e vende chocolate vindo de produtores da Bahia

Coronéis, romances e cenários em fazenda de cacau: elementos da obra do escritor baiano Jorge Amado vêm fazendo há décadas os cenários do sul da Bahia gravarem presença no imaginário brasileiro. Mas um movimento de chocolate de alta qualidade produzido na região quer fazer Ilhéus e seus arredores serem lembrados não só pelo glamour da literatura do século passado e por passeios turísticos, mas pelo cacau do presente.

Um dos expoentes desse movimento é a Dengo, fabricante de chocolates 100% brasileiros e co-criada por Guilherme Leal, sócio-fundador e copresidente do conselho de administração da Natura. O nome bem brasileiro — o termo “dengo”, na Bahia, é usado para simbolizar carinho, amor e cuidado — reflete a origem da empresa, que teve a semente plantada quando Leal comprou uma propriedade no sul da Bahia e passou a conhecer melhor a região.

O objetivo inicial era não fazer negócio por lá, e somente encontrar formas de melhorar a economia local. No fim, o executivo foi convencido anos depois pelo ex-funcionário Estevan Sartoreli, que havia passado 12 anos na Natura, a levar adiante o projeto do que hoje é a Dengo.

Ao lado de Leal, Sartoreli é um dos sócios da empresa e presidente da rede de lojas de chocolate, em um empreendimento que vende chocolate de alta qualidade usando matéria prima de produtores parceiros da Bahia — e que são pagos, segundo a empresa, 70% a mais do que a média do mercado. No fim, é inevitável notar semelhanças com a Natura, como a preocupação com sustentabilidade e a cadeia.

Com essa ideia em mente, a Dengo chega a sua segunda Páscoa com nove lojas no Brasil e 136 produtores de cacau parceiros. Sartoreli, que recebeu a Exame em uma das unidades da Dengo, no Shopping Eldorado, em São Paulo, classifica o empreendimento como um negócio de impacto social, nascido com o objetivo de gerar renda para os produtores da região. Mas que deve ser tratado como um negócio como qualquer outro. “Se fossemos fazer estudo de mercado, não faríamos nada”, brinca. “No fim do dia, tem que ter negócio. Ninguém vai comprar chocolate porque somos ‘a marca do bem’. Vão comprar porque é bom”, diz.

De pequenas barras de chocolate de cinco reais a um dos ovos mais caros desta Páscoa, recheado com vinho de cacau e que passa de 300 reais, a Dengo mira nas classes A e B, mas diz que quer que todos consigam comprar nas lojas. O intuito é fazer frente a marcas estrangeiras vistas como “premium” pelo consumidor brasileiro, como Lindt e Kopenhagen (também dona da Brasil Cacau), além da também brasileira Cacau Show.

O preço do quilo dos chocolates da Dengo é de cerca de 200 reais, mas na loja é possível comprar produtos mais modestos, como uma barra de 80 gramas por cerca de 20 reais. Há ovos de páscoa por cerca de 50 reais, mas também ovos que passam dos 100 reais. Sartoreli afirma que o ovo mais caro da Páscoa é um ponto fora da curva, e que 80% do faturamento vem desses produtos voltados para a classe média, por menos de 100 reais. “Esse ovo de mais de 300 reais é só para mostrar tudo do que o cacau brasileiro é capaz. Mas também queremos produtos acessíveis, que todo mundo possa consumir”, diz o presidente. A empresa também vende cafés, como forma de aumentar o movimento das lojas.

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Sartoreli afirma que a Dengo quer participar da discussão para aumentar a qualidade do cacau brasileiro como um todo. O Brasil está entre os cinco maiores produtores de cacau do mundo, atrás de países da África. Ainda assim, a qualidade do cacau produzido aqui ainda é vista como baixa, tanto internamente quanto no mundo.

Depois que o cacau chega dos produtores baianos, os chocolates da Dengo são feitos em uma fábrica da empresa em São Paulo. Cada produtor parceiro é, de certa forma, especializado em um tipo de cacau, com teor diferente. Cacau plantado ao lado de uma mangueira, por exemplo, pode trazer naturalmente traços da fruta. E a empresa usa isso a seu favor: há chocolates com traços de manga, tangerina, banana e jabuticaba, entre outras frutas brasileiras.

Nas embalagens das barras, é possível conhecer a história de cada produtor, tratados pelo nome. Isso quando há embalagem: na onda da preocupação com a sustentabilidade, a Dengo já vende mais de 70% de seus chocolates “a granel”, isto é, cortados e vendidos sem embalagem. Uma das estrelas da loja — para a surpresa de todos, conta Sartoreli — são as pepitas, uma espécie de amêndoa torrada e coberta com pó de cacau que é rica em antioxidantes e outros nutrientes. “Por que precisamos trazer uma amêndoa europeia se podemos fazer coisas deliciosas com o que temos aqui?”, questiona o presidente.

A pegada brasileira e quase artesanal da Dengo vai ao encontro de uma tendência já vista no mercado de alimentação como um todo, com consumidores cada vez mais preocupados com a qualidade e procedência do que consomem. Em um levantamento realizado nos 45 dias que antecederam a Páscoa pela empresa de monitoramento em inteligência artificial Stilingue, comerciantes locais e microempreendedores tiveram destaque nos pedidos e encomendas online. A empresa analisou 386 mil menções em Facebook, Twitter e Instagram, além de blogs, sites de notícias e comentários, e notou que os pequenos empreendedores ou tutoriais para fazer o próprio ovo representaram 18% do volume coletado no período — com mais de 60% das postagens vindas de mulheres.

“Se há dez anos você falasse que tem um ovo com lascas de banana, o consumidor médio possivelmente acharia estranho. Hoje, mesmo as pessoas de renda mais baixa estão dispostas a experimentar novos sabores e produtos de maior qualidade”, analisa Cristina Souza, diretora-executiva da consultoria GS&Libbra e especializada em Food Service. “Nem que seja para comprar uma barrinha em vez daquele ovo mais caro”, completa.

O mercado de chocolates no Brasil movimenta cerca de 13,3 bilhões de reais, segundo dados de 2018 da consultoria Euromonitor — com crescimento de 10% desde 2013. A líder nacional é a Lacta, da norte-americana Mondelez International (com 18% do mercado), seguida pela Cacau Show (9,9%) e a Garoto, da Nestlé (9,6%). Marcas estrangeiras como Lindt e Kopenhagen não estão nem entre as cinco primeiras.

Mas a Dengo, por ora, não tem pretensões de ser tão grande quanto a Cacau Show ou as rivais mais baratas. Há o plano de abrir novas lojas ainda em 2019, mas sem franquias e sem um projeto para expandir freneticamente — pelo menos por enquanto, afirma Sartoreli. Das nove unidades da Dengo, a maioria está em shoppings de alta renda da capital paulista. Há ainda duas no Rio de Janeiro e uma em Campinas (SP), todas próprias.

Aos poucos, Sartoreli quer que a classe média brasileira, em vez de gastar uma centena de reais nas amêndoas suíças da Lindt, aposte nas bolinhas de pepita com pó de cacau da Bahia.

A nova mina de ouro do dono da Natura: chocolate e café ===>>> 08-03-2018

O empresário Guilherme Leal, sócio-fundador da Natura, vai tentar repetir a fórmula que deu origem a uma das maiores empresas de cosméticos do país. Desta vez, a ideia é inovar no mercado de chocolates e cafés especiais.
A entrada no novo ramo foi em junho de 2017 e agora a nova marca, a Dengo, abriu sua segunda loja no shopping JK Iguatemi, um dos mais nobres em São Paulo. A primeira loja-piloto funciona no Morumbi Shopping, também na capital paulista.
Leal é o investidor do projeto, que tem outros dois sócios, entre eles o idealizador do empreendimento, o engenheiro de produção Estevan Sartoreli, que por 12 anos também trabalhou na Natura.
Seguindo, aparentemente, o mesmo caminho que consolidou a Natura, a Dengo busca aproximar pequenos e médios produtores do consumidor final, gerando impacto social e retorno direto para estes produtores, por meio do compartilhamento de parte dos lucros com eles e suas famílias. “É possível fazer diferente e criar modelos sustentáveis que compartilham valor em sua cadeia”, afirma Sartoreli.

O primeiro passo foi encontrar os produtores das melhores amêndoas de cacau. Foi criado o Centro de Inovação do Cacau na Universidade Estadual de Santa Cruz (Uesc), entre Ilhéus e Itabuna, na Bahia. Atualmente, a rede integrada já é formada por 120 produtores. Todas as amêndoas são avaliadas neste centro, que chega a rejeitar cerca de 40% da matéria-prima que lá chega. O preço pago pela qualidade superior das amêndoas é significativo. Segundo Sartoreli, a Dengo chega a pagar 70% a mais pelo quilo de cacau.

As receitas foram desenvolvidas pela chocolatière Luciana Lobo, sem adição de essências ou aromas e nenhum tipo de gordura hidrogenada, apenas a manteiga do cacau. O açúcar também vai em quantidades moderadas e, quando necessário, é orgânico. “Mais cacau e menos açúcar é a nossa bandeira”, afirma Lobo.
No portfólio estão as tradicionais barras de chocolate vendidas em seis variações de teor de cacau, de 36% a 75%, além de uma versão sem açúcar. Todas as barras possuem a origem especificada em sua embalagem, com fotos e informações sobre seus produtores. Os bombons são recheados com frutas brasileiras, como cupuaçu, jabuticaba, caju, cajá, e algumas opções sazonais, também cultivadas por estes produtores. Há também as chamadas “quebra-quebras”, grandes placas de chocolate com recheios como banana ou abacaxi com coco, vendidas a granel. Há ainda as pepitas, amêndoas de cacau torradas e drageadas, com coberturas variadas. Os preços dos produtos variam, mas em média o quilo do chocolate sai por R$ 200.
A base das receitas ainda é preparada em Schwyz, cidade suíça onde foram produzidos os primeiros chocolates da marca. O maquinário necessário para que a produção seja feita inteiramente no Brasil, no entanto, já foi comprado.
Além dos chocolates, a Dengo também trabalha com cafés, no mesmo esquema de fortalecimento de produtores locais. Os cafés são produzidos em Minas Gerais e em São Paulo e correspondem, atualmente, a 20% da receita da empresa, cujo valor não é revelado. Os cafés são comercializados em grãos ou moídos, em embalagens de 250g.
O cacau também é utilizado na receita de cervejas, desenvolvida pela Dengo e produzida pela Ashby Cervejaria, em Amparo (SP), e de chás, estes produzidos pela própria empresa com cascas das amêndoas de cacau. Todos os produtos podem ser encontrados no site da loja e é possível, inclusive, escolhê-los de acordo com seus produtores. As entregas são feitas para todo Brasil.

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Postagem de Bolsonaro falando da CEPLAC há pouco.

Atualmente, 90% da produção nacional do cacau está concentrada nos estados da Bahia e do Pará. O Ministério do Desenvolvimento Regional (MDR), via Ministro Gustavo Canuto e a Comissão Executiva do Plano da Lavoura Cacaueira (Ceplac) identificaram o potencial dessas regiões e disponibilizam apoio técnico para estruturar a cadeia produtiva local por meio do Programa Rotas de Integração Nacional.

No Brasil, o cultivo concentra-se, principalmente, em dois polos: Litoral Sul da Bahia, que abrange 26 municípios na Mata Atlântica; e Transamazônica, englobando 11 cidades paraenses na região da Floresta Amazônica. Segundo o Ministério da Agricultura, Pecuária e Abastecimento, o País é o 7º maior exportador do produto no mundo. A agregação de valor do cacau supera 2.000% desde a amêndoa até o chocolate e a cadeia produtiva movimenta R$ 20 bilhões no território nacional.

O objetivo do MDR é impulsionar a produção em sistemas agroflorestais (SAFs) e contribuir com a produção de riqueza – bens e serviços – e sustentabilidade das regiões. A atividade gera emprego, especialmente na agricultura familiar e extrativista em regiões de baixa renda. As Rotas de Integração Nacional são estratégia fundamental da Política Nacional de Desenvolvimento Regional (PNDR) e contribuem com o desenvolvimento e inclusão socioeconômica de municípios menos desenvolvidos. As Rotas atuam na estruturação produtiva e na integração econômica das regiões. Com isso, ampliamos nossa participação nos mercados nacionais e internacionais de produção, consumo e investimento.

As Rotas promovem capacitações; possibilitam acordos de cooperação com universidades para difusão de conhecimento e tecnologias; contribui com a organização dos agricultores familiares, empresários e órgãos públicos e privados de fomento ao desenvolvimento. É fundamental disponibilizarmos esse planejamento e mão de obra capacitada no campo, na indústria e serviços.

O cacau paraense possui alto índice teor de manteiga e o iguala ao padrão do mercado internacional, diferencia-se, principalmente, pelo fato de o cacau amazônico estar em seu bioma de origem e na linha do Equador.

O cacau é uma grande alavanca no desenvolvimento do Pará e uma alternativa para desenvolver a Amazônia de forma sustentável, já que seu cultivo pode recuperar áreas degradadas. É uma forma, também, de reduzir o êxodo rural, uma vez que é uma cultura perene e mantém as pessoas durante bastante tempo nesta tradição.

A sustentabilidade no cultivo do fruto é graças ao sistema de plantio denominado Cabruca – 65% sol e 35% sombra das plantas, o que garante a utilização de árvores e replantio. Dessa forma, não é necessário fazer nenhum tipo de desmatamento e, ainda, promove a recuperação e reflorestamento de áreas degradadas.

Grupo desenvolve fungicida capaz de combater praga do cacau

Cientistas de quatro instituições obtêm molécula que pode agir contra a vassoura-de-bruxa

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O desenvolvimento de uma molécula fungicida contra a vassoura-de-bruxa reuniu, sob a coordenação do professor Gonçalo Amarante Guimarães Pereira, uma equipe interdisciplinar de cientistas dos Institutos de Biologia (IB) e Química (IQ) da Unicamp, do Centro de Energia Nuclear na Agricultura da USP, do Centro Nacional de Pesquisa em Energia e Materiais (CNPEM) e da Universidade de Warwick, do Reino Unido.

O trabalho, parte da tese “Desenvolvimento direcionado de inibidores da enzima mitocondrial Oxidase Alternativa (AOX) com ação antifúngica contra Moniliophthora perniciosa, fungo causador da vassoura-de-bruxa do cacaueiro”, de Mario Ramos de Oliveira Barsottini, é considerado um marco no conceito e consolidação de uma equipe de cientistas brasileiros com know-how para produzir e avaliar novos químicos de interesse comercial. Os resultados, publicados na revista Pest Management Science, em outubro de 2018, prometem uma nova fase para a cacauicultura nacional.

A vassoura-de-bruxa causa prejuízos ao cacau nacional desde 1989 (leia mais no texto abaixo). Sem formas de erradicar a doença, os cacauais sentem, ainda hoje, os efeitos da vassoura-de-bruxa: são cada dia menos produtivos e competitivos frente às plantações da África e da Ásia.

“Os fungicidas mais usados contra fungos atacam geralmente a respiração ou a estabilidade da membrana celular. Os que atacam a respiração, não funcionam contra a vassoura-de-bruxa. Já os que atacam a membrana celular, funcionam em laboratório, mas não no campo, de acordo com os produtores”, explica Mario Barsottini, primeiro autor do artigo.

O alvo das novas moléculas é a inibição de uma enzima muito peculiar do fungo, a oxidase alternativa (AOX). “A AOX confere à vassoura-de-bruxa resistência a fungicidas na primeira fase da infecção”, conta Barsottini. “Nossa hipótese era de que, inibindo essa via, a gente conseguiria matar o fungo. Mas achar uma molécula capaz de inativar AOX é como montar um quebra-cabeça sem saber direito o formato das peças”, acrescenta.

O grupo descreveu essa enzima e seu papel na sobrevivência do fungo em artigo publicado na revista New Phytologist em 2012. “Observamos que, quando a respiração principal é bloqueada pela azoxistrobina, uma via alternativa da respiração mantém o fungo na fase biotrófica. Mas, quando combinamos essa droga com um inibidor da oxidase alternativa, o fungo cessa completamente seu crescimento”, explicou Pereira, na época, à Agência FAPESP.

Na primeira fase da infecção, chamada biotrófica, o sistema de defesa da planta consegue bloquear a respiração do fungo. A AOX cria um atalho, que permite ao fungo manter suas funções vitais e resistir ao ataque. Após meses de manipulação da distribuição de nutrientes entre os vários tecidos vegetais, o fungo consegue energia suficiente para sofrer metamorfose e entrar na fase necrotrófica, quando se multiplica rapidamente e mata o seu hospedeiro.

Folhas, ramos e frutos secos com cogumelos (basidiomata), facilitam a disseminação dos esporos pela plantação, que permanecem viáveis por meses antes que um novo ciclo de infecção recomece. Portanto, o controle químico do fungo deve ocorrer antes dessa transição.

O professor Gonçalo Amarante Guimarães Pereira (à esquerda), coordenador da pesquisa, e Mario Barsottini, primeiro autor do artigo, em estufa no Instituto de Biologia

Essa via alternativa da respiração não é exclusiva da vassoura-de-bruxa. O parasito humano Trypanosoma brucei, causador da doença do sono e transmitido pela mosca tsé-tsé, também utiliza essa artimanha.

“Fármacos usados para o controle dessa doença humana, como o ácido salicilhidroxâmico (SHAM) e galato de n-propila, são instáveis e pouco permeáveis às membranas do fungo”, comenta Silvana Rocco, pesquisadora do CNPEM, que participou do estudo.

Rocco desenvolveu novas moléculas a partir de derivados de N-fenilbenzamidas (NPD), uma droga mais fácil de sintetizar e alterar quimicamente. No artigo, Barsottini e colegas testaram 74 dessas moléculas e encontraram uma delas capaz de inibir a via alternativa da respiração e o crescimento do fungo modelo, Pichia pastoris. A molécula nomeada a NPD 7j-41 também foi eficiente contra a vassoura-de-bruxa; evitou a germinação dos esporos e o aparecimento dos sintomas em planta infectadas de tomate, em ensaios realizados em laboratório.

“A NPD 7j-41 nos ajuda a entender quais partes da molécula são mais importantes para estabilidade, permeabilidade na membrana e interação para inibição da AOX. Alterando a estrutura dela, nós podemos desenvolver um químico eficaz para matar o fungo, sem causar danos à planta ou ao meio ambiente”, explica Rocco. “Além das barreiras impostas pela célula do fungo, a nova molécula tem que vencer outros desafios até chegarmos a um fármaco com produção em escala industrial”, completa.

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Silvana Rocco, pesquisadora do Centro Nacional de Pesquisa em Energia e Materiais (CNPEM), durante análise dos novos químicos em reator de ressonância magnética. Foto: Fellipe Mello | CNPEM

“A classe das ascofuranonas usada no combate do T. brucei é promissora, mas difícil de sintetizar. Esses compostos são mil vezes mais potentes que os nossos derivados da NPD”, relata Barsottini. “Nós pretendemos usar o conhecimento adquirido e partir para compostos mais potentes. Queremos trazer o conhecimento da área médica para a agricultura”, finaliza.

Multifatorial, doença chegou à Bahia em 1989

O fungo vassoura-de-bruxa (Moniliophthora perniciosa) chegou à Bahia em 1989, quando a produção de cacau estava no auge. Plantas deformadas com folhas secas e frutos enegrecidos, sem boas amêndoas, prejudicaram a região cacaueira. Fatores climáticos, estruturais e conjunturais da cadeia produtiva ajudaram na disseminação da doença, que levou ao abandono de fazendas, êxodo rural e miséria.

Hoje, plantas tolerantes e manejo adequado da cultura permitem a convivência entre praga e atividade produtiva, que marca a identidade e a cultura do povo imortalizado nas obras de Jorge Amado. Mesmo assim, a produção vem caindo: de 390 mil toneladas na década de 1980 para 83,9 mil toneladas de amêndoas em 2017.

Muitos especialistas já preveem o colapso na produção mundial de chocolate, caso a doença se espalhe para outras regiões produtoras na África e Ásia. Há ainda outra ameaça, a introdução do fungo patogênico aparentado, a Moniliophthora roreri, que pode causar estragos ainda maiores. Sem agroquímicos eficientes disponíveis para o seu controle, a vassoura-de-bruxa permanece o maior desafio da cacauicultura nacional.

O estudo de Barsottini e colegas é o primeiro passo para o desenvolvimento de um fungicida para garantir a viabilidade dos produtores de cacau e manutenção de economias locais e dos serviços ambientais do cultivo “cabruca”, feito na sombra da Mata Atlântica e da Floresta Amazônica.

 

O artigo:

Para ler o artigo “Synthesis and testing of novel alternative oxidase (AOX) inhibitors with antifungal activity against Moniliophthora perniciosa (Stahel), the causal agent of witches’ broom disease of cocoa, and other phytopathogens” (doi: 10.1002/ps.5243) de Mario R. O. Barsottini e colegas, acesse https://onlinelibrary.wiley.com/doi/full/10.1002/ps.5243

 

 

Imagem de capa JU-online

Audiodescrição: Em laboratório, imagem frontal e de busto, homem sentado em cadeira, com olhar para a esquerda na imagem, segura com a mão esquerda um pequeno tubo plástico, e com a mão direita uma haste específica para manipulação. Ele mantém parte dos braços apoiados sobre uma extensa bancada retangular branca, disposta à frente dele. Às costas dele, outras duas bancadas idênticas, e também com vários equipamentos específicos para uso em laboratório. Ele usa luvas azuis e jaleco branco. Imagem 1 de 1.

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O POLVO CACAUEIRO

Luiz Ferreira da Silva

Pesquisador aposentado da CEPLAC

luizferreira1937@gmil.com

O polvo é um molusco marinho que possui oito braços e, como são usados na locomoção, caracteriza-se como octópodes.

Na atual situação de debacle em que se encontra a região do cacau, até se pode fazer uma correspondência com a apreciada guloseima, haja vista tantos problemas que lhe afeta, discriminados em 8 pernas que vem travando a economia do cacau:

  1. CEPLAC fragilizada, não mais atendendo aos produtores como fazia anos atrás;

  2. Produtor endividado, com seu patrimônio hipotecado e, logicamente, sem condições de investir em suas roças;

  3. Vassoura-de-bruxa “varrendo” os cacauais, necessitando de práticas integradas de controle e material genético tolerante;

  4. Falta de lideranças, substituídas por uma “ruma” de associações que pouco se entendem e não possuem um norte fixo pragmático, batendo recordes de reuniões infrutíferas per capta;

  5. Lavouras velhas necessitadas de replantação, constituindo meio de cultura favorável aos “vassoureiros” (roças infestadas com o mal);

  6. Ministério da Agricultura inapto e inepto, preocupado mais em penduricalhos, numa fobia de mudança estrutural, sem saber o que fazer com a CEPLAC;

  7. Políticos baianos de muita conversa e pouca ação, sem compromisso com a região e despreparados no tema, desde o Governo ACM, e finalmente;

  8. A crise brasileira com o déficit das contas públicas beirando os 150 bilhões de reais, numa luta titânica de sobrevivência fiscal, sem muito gás para socorrer a lavoura do cacau baiano.

Dessa forma, através desse fictício polvo vegetal se expressa a realidade da região sul baiana – caótica e de difícil solução – que, a cada ano, se agrava, podendo alcançar um nível “one way” (sem retorno), haja vista que a atual crise é bem mais complexa que as anteriores. Hoje, as ventosas daqueles tentáculos estão mais profundas e com mais força de fixação.

É preciso se contextualizar o processo avançado de degradação da lavoura cacaueira num processo contínuo, seja pelo envelhecimento das plantações, seja pela falta de investimentos tecnológicos. Pelo outro lado, não há nenhuma política pública para reverter o atual cenário, que passa pela solução das dívidas dos produtores.

 As informações (Bahia Rural), fim de 2017, dão conta da queda vertiginosa da produção e redução da produtividade média das plantações. Isso significa não só a perda da hegemonia baiana, pois o Estado do Pará deve assumir a liderança nacional do cacau, mas também a inviabilidade do cultivo, mercê de uma produtividade aquém de 30 arrobas por hectare.

A região ainda não se apercebeu de tal gravidade. Espero que, como se trata de uma região banhada pelo oceano, a figura do polvo com seus olhos abertos, possa lhe servir de alerta. (Maceió, AL, 18-12-2018)

 

CHOCOLATES PELO BRASIL AFORA

NEGÓCIOS

O doce sabor do sucesso

Grupo CRM, que engloba as marcas Kopenhagen e Brasil Cacau, chega a um faturamento bilionário com diversificação de produtos e ampliação do portfólio para incluir a venda de cafés

 

Foto: Claudio Gatti

Renata Vichi: A ceo Da Kopenhagen comemora o faturamento de R$ 1,5 Bilhão (Crédito: Claudio Gatti)

Dizem que o chocolate pode melhorar o estado de ânimo de qualquer pessoa e até gerar sensação de felicidade e bem estar, levando a tristeza para longe. Talvez tenha sido por isso que Celso Ricardo de Moraes resolveu trocar produtos farmacêuticos como Maracugina a Apracur do Laboratório Virtus, do qual era proprietário, pelos chocolates. Em vez de oferecer alívio, o empresário investiu no prazer.

O Grupo CRM, que engloba as marcas Kopenhagen e Brasil Cacau, comandado hoje por sua filha, Renata Moraes Vichi, chegou a um faturamento de R$ 1,5 bilhão e uma rede de 730 lojas, em 2018. Agora, a empresa aposta em novos ingredientes para manter o ciclo de crescimento: os cafés e a reformulação de produtos clássicos. Em julho deste ano, o grupo entrou no mercado de cápsulas de espresso. O produto – um pacote com dez unidades compatível com todas as máquinas do mercado, incluindo a Nespresso da Nestlé – é encontrado em todas as lojas Kopenhagen. Em três meses, a empresa vendeu 1,5 milhão de cápsulas e alcançou um resultado de R$ 29,8 milhões. A demanda acima do esperado obrigou a companhia a subir a produção em 30%. “A gente errou feio nas previsões inicias”, diz Renata. “Não imaginávamos que existia toda essa demanda.” Segundo ela, a oferta de cápsulas de café é bastante atrativa entre jovens de 25 a 34 anos, faixa que a marca tem se esforçado para levar para dentro das lojas. Esse público representava apenas 19% dos clientes, em 2015. Hoje, é 23%.

Outro caminho encontrado para rejuvenescer a Kopenhagen foi a criação do “Keep Kop”, em referência ao pôster “Keep Calm and Carry On”, que tomou conta das redes sociais há alguns anos.

É uma linha vendida em saquinhos de 100 gramas – como snacks – a um preço mais acessível, que gira em torno de R$ 19,90. Os produtos vão de pipoca coberta com chocolate a um crocante de caramelo com flor de sal. Essa adaptação aos novos hábitos do consumidor também se refletiu na linha infantil de chocolates. O Lingato, lançado em 2015, é uma versão menor e com confeitos coloridos do tradicional Língua de Gato. Outros doces clássicos da marca ganharam roupagem nova e, hoje, esse portfólio já é responsável por R$ 8 milhões do faturamento do grupo. Seguindo a tendência, em agosto deste ano, o Língua de Gato ganhou recheio e o Nhá Benta, novos sabores (maracujá e avelã). O lançamento fez a venda desses produtos aumentar 70% relação ao ano passado. No entanto, os clássicos da empresa (Nhá Benta na versão com marshmellow, Lajotinha, Língua de Gato e Chumbinho) representam mais da metade do faturamento.

Para explorar ainda mais o poder dos seus doces tradicionais, a Kopenhagen criou o Projeto “Revival”, em comemoração aos 90 anos da marca. Assim, diversos produtos que haviam saído de linha – como a batatinha de marzipã, o Jelly Garden e o Bombom Avelã – voltaram às lojas. O primeiro é um doce de amêndoa em formato de bolinha e coberto com chocolate amargo, que foi o primeiro sucesso da marca, enquanto o Jelly Garden são geleias cobertas com chocolate. Já os clássicos não descontinuados, como o Lajotinha, receberam embalagens iguais às de 1941, quando o bombom foi lançado. Além de todas essas novidades, Renata contou à DINHEIRO que quer transformar algumas das lojas da rede em uma espécie de pâtisserie. Algumas unidades poderão ter, no cardápio, uma calda de avelã diferenciada, por exemplo.

Atenta às mudanças nos hábitos de consumo, com a clientela sempre em busca de alimentos mais saudáveis e com menos açúcares, a executiva também criou novos doces em versões sem lactose, diet e com 70% cacau. Além disso, em breve a Kopenhagen ganha uma linha de produtos funcionais, como barras de proteínas, por exemplo. “É um movimento ainda pequeno no nosso mercado, mas temos que acompanhar as tendências”, diz Renata que ressalta, no entanto, que os clientes que entram nas lojas não estão nada preocupados com as calorias que consomem. “É um momento de prazer”, diz. Ainda assim, ela ressalta que o Nhá Benta – carro-chefe da Kopenhagen – tem apenas 90 calorias.

Nhá benta em produção: clássico da empresa agora vem nos sabores maracujá e avelã (Crédito:Claudio Gatti)

Para colocar todos os planos em prática, o Grupo estima um investimento de R$ 60 milhões para o próximo ano, sendo R$ 10 milhões para a reforma das lojas e R$ 50 milhões em publicidade.

marketing Renata Moraes Vichi conhece o poder da persuasão. Desde que assumiu a vice-presidência do Grupo, em 2004, a verba de marketing aumentou 600%. Formada em administração e publicidade, a empresária levou a empresa de um faturamento de R$ 38 milhões para R$ 1,5 bilhão. O segredo, diz ela, foi dar capilaridade ao negócio e reforçar o conceito da marca. Quando foi adquirida pela família, em 1996, a Kopenhagem já tinha 70 anos de mercado. Dois anos depois da aquisição, Renata, então com 16 anos, começou a trabalhar na empresa, como estagiária. “Eu não sou herdeira. Sou sucessora. E não foi uma sucessão imposta. Essa era a minha vontade”, destaca ela.

A empresária ainda aumentou o portfólio do grupo com a criação da Brasil Cacau, em 2009. Para suportar a produção, que hoje totaliza aproximadamente 6 mil toneladas de chocolate por ano, o grupo transferiu, em 2011, a fábrica de Tamboré, em São Paulo, para um espaço de 33 mil metros quadrados em Extrema, Minas Gerais, a 109 km de distância da capital paulista. A Brasil Cacau tem 380 lojas e é a principal concorrente da Cacau Show, do empresário Alexandre Costa, que teve um faturamento de R$ 3,3 bilhões em 2017. Para o próximo ano, quando a Brasil Cacau completará uma década, estão programadas a abertura de mais 80 unidades, enquanto a Kopenhagem ganhará outras 40 lojas.

Em 2014, a empresária também iniciou uma joint-venture com a marca suíça Lindt. Ela e o pai possuem, juntos, 49% da operação da marca no Brasil. Uma possível abertura de capital do Grupo CRM não é descartada, mas não é o foco da empresa no momento. O que Renata Moraes Vichi deseja agora é que seus chocolates continuem agradando o paladar dos brasileiros.

Chocolate de impacto


Dengo chega ao mercado com proposta social

Uma nova marca de chocolates despontou no mercado em 2017. Ela se chama Dengo e, apesar de ser um nome ainda pouco conhecido, seu idealizador é Guilherme Leal, sócio da Natura, uma das maiores empresas de cosméticos do Brasil. O empresário tem o ideal da transformação social como um dos objetivos. O cacau usado pela Dengo, por exemplo, é comprado apenas de pequenos produtores do sul da Bahia, forma que o empresário encontrou para transformar a realidade da região cacaueira que apresenta um dos piores IDHs do país.

Foto: Divulgação

A Dengo paga até 125% acima do valor do mercado pelo cacau desses produtores, mas tem uma exigência: a qualidade impecável da amêndoa. Isso é garantido por meio de uma minuciosa análise do fruto e do seu alto teor de fermentação – processo pelo qual ele precisa passar para retirar impurezas e acidez. Assim como a Natura, a marca valoriza os ingredientes brasileiros. Os chocolates da Dengo são feitos com cacau e açúcar orgânicos, sem gordura hidrogenada e com recheios de castanha, amendoim, banana e cupuaçu. “A gente não sabe o tamanho que a empresa vai ter, mas a gente sabe o tamanho do impacto que vai causar”, diz o CEO da Dengo, Estevan Sartoreli. A rede começou com apenas sete produtores e hoje tem 126. O cacau produzido por eles é suficiente, por enquanto, para abastecer as seis lojas da marca: cinco em São Paulo (Morumbi Shopping , Shooping JK Iguatemi, Iguatemi Alphaville, Iguatemi Campinas e Pátio Higienópolis) e uma no Rio de Janeiro (Village Mall), além das vendas online. O preço dos produtos varia de R$ 4,80 (barra de 20 gramas) a R$ 60 (mix de sabores de 300 gramas).

Como a vassoura-de-bruxa impactou a produção cacaueira no Brasil

Cacau infectado

Pesquisador explica como a praga devastou o sul da Bahia e fala sobre as pesquisas desenvolvidas para combatê-la

Na história da agricultura do Brasil, algumas pragas já foram responsáveis por mudar a geografia do campo. Um exemplo é a vassoura-de-bruxa, que causou grande impacto na produção cacaueira do país. Para falar sobre esta praga, o Brasil Rural entrevista o coordenador de pesquisa do Laboratório de Genômica e Expressão, do Instituto de Biologia da Universidade de Campinas – UNICAMP, Gonçalo Amarante Guimarães Pereira.

A vassoura-de-bruxa, causada por um fungo chamado “moniliophthora perniciosa”, é originária da Amazônia. Porém, de acordo com Gonçalo, a partir do momento em que a cultura do cacau começou a se estabelecer e se fortalecer no sul da Bahia a praga chegou na região. “As pessoas achavam que a Bahia estava protegida da doença. Entretanto, provavelmente de forma criminosa, mas seguramente de forma humana, em 87, 88, as pessoas começaram a encontrar o fungo na Bahia.”

Em relação aos estudos feitos no laboratório, o especialista esclarece que ao longo dos anos a pesquisa se concentrou em entender o mecanismo da praga. A partir daí, foram desenvolvidas novas moléculas capazes de atuar em diversos fungos que atacam diversas culturas brasileiras.

“A gente talvez esteja à frente de um novo conjunto de moléculas que podem trazer grandes soluções para o campo, não apenas para o cacau”, pontua.

Ouça a entrevista completa e conheça mais sobre esta praga AQUI

Fonte: Brasil Rural

ANTIGOS CACAUICULTORES E A PODRIDÃO PARDA.

Era costume dizerem que:

O mela ataca quando entra agosto.

Podridão parda, também chamada de mela.

INDUSTRIA MOAGEIRA E FÁBRICA DE CHOCOLATE EM ITAJUIPE-BAHIA

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