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:: ‘Agricultura’

Bolsonaro adverte que acabar o marco temporal será o fim do agronegócio

44ª EXPOINTER

Foi a primeira aparição do presidente após o 7 de Setembro

Bolsonaro foi presenteado com sapatos, botas e vinhos Foto: Twitter Correio do Povo

O marco temporal é definido pela Constituição e determina que os indígenas terão direito perpétuo sobre a terra que ocupavam até a promulgação da Constituição, em 1988, mas setores de esquerda, ONGs (inclusive estrangeiras) e outros interesses não muito claro passaram a financiar ação e pressionar o STF a, na prática, “revogar” o dispositivo constitucional. O ministro Edson Fachin já votou contrário ao marco temporal, muito embora alterações no texto constitucional sejam prerrogativa do Poder Legislativo.

Ele foi recebido por apoiadores na entrada do Parque de Exposições Assis Brasil, na cidade de Esteio, região metropolitana de Porto Alegre e recebeu homenagem durante o almoço oferecido pela Federação da Agricultura do Rio Grande do Sul (Farsul).

Na ocasião, ele ganhou a Medalha do Mérito Farroupilha, distinção máxima oferecida pela Assembleia Legislativa do Rio Grande do Sul, em homenagem aos cidadãos brasileiros ou estrangeiros que, por motivos relevantes, tenham se tornado merecedores do reconhecimento.

O presidente passeou pelos pavilhões da feira, em diversos estandes foi recebido e presenteado pelos produtores gaúchos.

Na comitiva que acompanhou Bolsonaro estavam seus filhos, o deputado federal Eduardo Bolsonaro (PSL-SP) e o vereador Carlos Bolsonaro (Republicanos-RJ), e apoiadores como o general Augusto Heleno, o ministro do Trabalho e Previdência, Onyx Lorenzoni, o senador Luis Carlos Heinze e o ex-senador Magno Malta, além de outras autoridades.

Governo usará COP26 para melhorar imagem da agropecuária brasileira

Publicado em 24/08/2021 – 12:51 Por Pedro Peduzzi – Repórter da Agência Brasil – Brasília

Foto: Guilherme Mortimon/Mapa

O Ministério da Agricultura, Pecuária e Abastecimento (Mapa) quer reverter a imagem negativa, em termos ambientais, que o setor agropecuário tem no exterior. Segundo o secretário de Comércio e Relações Internacionais do ministério, Orlando Leite Ribeiro, os problemas de desmatamento se tornam ainda mais graves para o Brasil devido a uma percepção externa reforçada por países que querem defender “seus sistemas ineficientes” de prática agrícola.

A afirmação foi feita hoje (24) durante o debate Pró-Clima: Agroindústria, Segurança Alimentar e Sustentabilidade, promovido pela Confederação Nacional da Indústria (CNI), que contou também com a participação da ministra da pasta, Tereza Cristina.

Imagem externa

“É preciso diferenciar o problema que temos do problema da imagem. Temos, sim, problemas com o número crescente de desmatamento. O governo está ciente disso e tenta reverter. Mas existe um problema maior que é a percepção, no exterior, dessa situação. No imaginário popular europeu, a Amazônia está queimando e estão extraindo madeira no coração da Amazônia, mas a gente sabe que não é isso”, disse Ribeiro.

O secretário lembrou que o bioma amazônico é uma área imensa que ocupa mais de 50% do território brasileiro. “Esse problema ocorre sobretudo na franja de humanização norte do Mato Grosso e no sul do Pará. Então é um problema muito localizado”, acrescentou.

Perguntado sobre se as críticas feitas ao país teriam, por trás, tentativas de se impor barreiras comerciais para a agropecuária brasileira, Ribeiro disse que o governo se preocupa “com os recortes que são feitos sob essa questão”.

“De fato essa pressão internacional, sobretudo da União Europeia, veio após a conclusão das negociações do acordo do Mercosul com a União Europeia”, disse o secretário ao lembrar que essa pressão contra o Brasil não é consenso entre os países integrantes do bloco.

“Reconheço que existe o problema e que temos de tratar para reverter a questão do desmatamento. Agora, o que me pergunto é se uma vez equacionado esse problema não surgirão outras dificuldades para impedir o avanço desse acordo. Por exemplo, direitos trabalhistas. A agricultura brasileira é muito competitiva, e isso às vezes assusta. Então, é normal esse tipo de reação por parte de alguns países que querem defender seus sistemas ineficientes e seus modelos tradicionais”, argumentou.

COP26

Para a ministra Tereza Cristina, a Conferência das Nações Unidas sobre Mudanças Climáticas (COP26) representará uma oportunidade para o país apresentar, ao mundo, “o papel positivo da agropecuária brasileira para a mitigação de emissões e para a adaptação às mudanças climáticas”.

“Sabemos das características de nossa agricultura tropical que se singulariza como uma das mais produtivas, inovadores e descarbonizantes do mundo. No entanto, nos surpreendemos ao descobrir o quão pouco se sabe sobre nossa agropecuária fora do Brasil. Esse desconhecimento acaba sendo aproveitado por aqueles que querem avançar narrativas tendenciosas que buscam transferir para este setor parte do ônus histórico pela emissão de gases de efeito estufa”, disse a ministra.

Tereza Cristina disse que governo e sociedade civil estão se preparando para “levar a visão brasileira sobre agricultura e ambiente à COP-26”.

“O que defendemos é que se reconheça o papel positivo da agropecuária para a mitigação de emissões, e para a adaptação às mudanças climáticas. Tenho convicção de que a agricultura brasileira já vem fazendo isso há muito tempo, através de várias políticas públicas para estímulo de práticas como plantio direto, o RenovaBio, o uso da segunda safra na mesma área, as florestas plantadas, e a política de bioinsumos que cresce cada vez mais”.

O RenovaBio é a a Política Nacional de Biocombustíveis, que tem como principal instrumento o estabelecimento de metas nacionais anuais de descarbonização para o setor de combustíveis, de forma a incentivar o aumento da produção e da participação de biocombustíveis na matriz energética de transportes do país.

“A experiência brasileira tem demonstrado que é possível atingir resultados expressivos a partir de abordagem equilibrada de sustentabilidade na agricultura. Entendemos que essa é a visão que deve prevalecer no âmbito das negociações da COP26 e para além de novembro”, acrescentou a ministra.

Edição: Maria Claudia

MONILÍASE DO CACAUEIRO

Publicado em 12/08/2020 16h21 Atualizado em 16/08/2021 17h06

A monilíase, causada pelo fungo Moniliophthora roreri, é uma das mais sérias doenças do cacaueiro, infectando os frutos em qualquer fase de desenvolvimento e, em condições favoráveis, pode causar perdas de até 100% da produção. A partir do século passado na Colômbia, a sua dispersão vem ocorrendo com maior intensidade, passando ao Equador (1917), Venezuela (1941), Panamá (1949), Costa Rica (1978), Nicarágua (1980), Peru (1988), Honduras (1997), Guatemala (2002) e Belize (2004). Mais recentemente a doença atingiu o México (2005) e Bolívia (2012) e hoje se encontra em todos os países produtores de cacau da América Latina, exceto o Brasil. Com o aumento do trânsito de pessoas na fronteira amazônica, inclusive com a construção de rodovias ligando esta região aos países onde a doença ocorre a exemplo do Peru, o risco de introdução dessa enfermidade aumentou bastante, colocando o Brasil em alerta.

Nas regiões onde a monilíase se instalou, a sua ação tornou-se mais destrutiva do que a causada pela vassoura-de-bruxa (Moniliophthora perniciosa), doença que provocou uma catástrofe na Região Cacaueira do Sul da Bahia, eliminando mais de 250 mil empregos diretos e reduzindo a produção de cacau a 25%.

O potencial de inoculo por fruto é elevado. Um fruto doente pode produzir cerca de sete bilhões de esporos na superfície da lesão necrosada. A característica pulverulenta dos esporos do fungo, facilita a dispersão natural pelo vento, ou por meio de respingos de chuva das lesões esporulantes para outras plantas, podendo alcançar 1 km de distância.

A dispersão a grandes distâncias entre regiões e/ou países ocorre por intervenção humana principalmente pelo transporte de frutos infectados. Os esporos podem sobreviver até 9 meses em qualquer material: ferramentas, sapatos, roupas, equipamentos, veículos e contêineres, artigos regulamentados, como sacarias e embalagens de acondicionamento de produtos vegetais que porventura foram infestados com esporos provenientes de países onde a doença ocorre.

A Comissão Executiva do Plano da Lavoura Cacaueira (CEPLAC/SDI/MAPA) e a Agência de Defesa Agropecuária da Bahia (EBDA) elaboraram uma Cartilha sobre a Monilíase do Cacaueiro e, pela primeira vez, um Protocolo de Biossegurança para esta praga quarentenária ausente que ameaça a cacauicultura brasileira. Esse já é um desdobramento do trabalho de priorização da CEPLAC e ADAB no sentido de enfatizar as medidas necessárias à prevenção da moniliase. A definição dos critérios para estabelecimento do Protocolo de Biossegurança e da Cartilha é fruto de várias reuniões técnicas ocorridas nos últimos anos.

Cartilha traz ilustrações que esclarece sobre a doença e as diversas ações para sua prevenção; um livro didático dedicado principalmente ao agricultor. O Protocolo de Biossegurança é um conjunto de procedimentos, ações, capazes de eliminar ou minimizar riscos de entrada da praga. Recomendamos que este seja utilizado principalmente pelo viajante, ao turismo rural, e outros setores da cadeia produtiva do cacau.

É imprescindível a todos, o conhecimento e a compreensão do perigo que esta praga representa, e as ações para sua prevenção contribuindo para as boas práticas de biossegurança.

 (Manfred Willy Müller – Coordenador-Geral de Pesquisa, Desenvolvimento e Inovação da CEPLAC)

Notas Técnicas

CONSTATAÇÃO DA MONILÍASE DO CACAUEIRO NO ACRE

Manuais

MANUAL DE PROCEDIMENTOS DO PLANO DE CONTINGÊNCIA PARA MONILIOPHTHORA RORERI

Cartilhas

Português • Espanhol • Inglês

Protocolos de Biossegurança

Português • Espanhol • Inglês

Ceplac testa clones de cacaueiro em países vizinhos para resistência à Monilíase

Português

Oeste aposta no cacau e tem produtividade 177% maior que média de melhor região do país

Especialistas acreditam em potencial para se somar com Sul da Bahia e outras localidades do Brasil

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Jorge Amado foi taxativo: “A melhor terra do mundo para o plantio do cacau”, disse sobre a Bahia. Quando se pensa em cacau por aqui, a mente vai direto ao Sul, mas uma outra região está apostando nessa produção e já apresenta resultados bastante positivos. O Oeste baiano agora abre espaço para o cacau, atingindo uma produtividade 177% acima dos locais com melhores médias do país. Especialistas acreditam que a produção na região pode somar forças para suprir demanda interna e ainda devolver ao Brasil o posto de grande exportador do fruto.

A região Oeste é muito marcada pelo agronegócio. Destaca-se pelo  plantio de soja, milho e algodão. Possui projetos em diversas áreas ligadas ao campo, como criação de gado de corte, abatedouros de aves, uma fruticultura estabelecida e em crescimento, dentre outras atividades. Mas, há sete anos, iniciou um projeto de testes com o cacau. Atualmente, seis fazendas fazem experimentos com a planta, totalizando uma área de plantio de 180 hectares.

As áreas plantadas no Oeste ainda estão em fase experimental, mas os resultados impressionam. Em Riachão das Neves, por exemplo, a Fazenda Solaris vem registrando produtividade de 2.550 kg/hectare. A nível de comparação, no Pará, onde atualmente se tem as melhores marcas do Brasil, dados do IBGE de 2019 apontam uma média de 918 kg/hectare.

Ou seja, na plantação experimental da cidade no interior baiano vem sendo alcançada uma produtividade 177% maior do que a média paraense. Já a média de todo o Brasil é de 446 kg/hectare, e a da Bahia de 274 kg/hectare, respectivamente 571% e 930% menores que a média de Riachão das Neves.

“Os números da produtividade da cultura na região vêm nos deixando entusiasmados. Em 2021, estimamos que à área já plantada com cacau no Oeste serão acrescentados pelo menos mais 840 hectares”, comenta o secretário da Agricultura, Pecuária, Irrigação, Pesca e Aquicultura da Bahia, João Carlos Oliveira. “Estamos presenciando o início de um novo ciclo para o cacau na Bahia, com estímulo da produção nas regiões tradicionais e acréscimo da região Oeste, que chega com muita força”, diz

(Foto: Divulgação/Aiba)

Para Moisés Schmidt, do Grupo Schmidt Agrícola e vice-presidente da Associação de Agricultores e Irrigantes da Bahia (Aiba), o que explica os bons resultados é, principalmente, o uso da tecnologia. “Nós estamos migrando toda a tecnologia que temos de grãos e algodão para a cultura do cacau”, diz. Além disso, outros fatores apontados por ele são a intensidade do sol e o tipo de solo.

“A região se mostra promissora para várias culturas por conta da intensidade do sol na região. Estamos desmistificando a ideia de que o cacau tem que ficar numa região sombreada. Temos cacau plantado em pleno sol com excelentes resultados. Outro benefício é a facilidade de mecanização em larga escala devido ao relevo e solo. Estamos aprendendo a trabalhar cacau com mecanização e como fruticultura e, não, como extrativista”, acrescenta.

Schmidt afirma, no entanto, que o cacau não vai sair do Sul da Bahia e acredita que a região Oeste tem potencial para somar forças com outras regiões da Bahia e do Brasil para elevar ainda mais a posição do país, que hoje aparece em sétimo lugar no ranking de produtores mundiais, no cenário internacional.

“O Brasil precisa agregar cacau para abastecer o mercado interno e poder voltar para o mercado de exportação. Hoje, estamos precisando importar. Nós entendemos que o Oeste da Bahia vem para possibilitar isso. Somando forças com o Sul da Bahia e o Pará, podemos suprir a nossa demanda interna, fazendo com que o Brasil volte a ser, além de grande produtor, um grande exportador de cacau”, finaliza.

Vale ressaltar que, além de sucos, polpas e doces, do cacau se extrai as amêndoas que, processadas, transformam-se em deliciosos chocolates. Segundo a Associação Nacional das Indústrias Processadoras de Cacau (AIPC), o setor gera no Brasil cerca de 200 mil empregos diretos e indiretos, aproximadamente 95 mil só na Bahia.

Quem acredita em bruxa?

A vassoura de bruxa é uma praga causada pelo fungo Moniliophtora perniciosa que colocou fim aos tempos áureos da produção cacaueira na Bahia. Ela deixa os ramos da planta secos, com aparência de uma palha ou vassoura e, assim, dizimou pés de cacau em 1989 e fez a produção cair de 400 mil toneladas para 92 mil toneladas em 1990, levando os produtores da região à falência.

Para se ter uma ideia, no ápice produtivo, em 1986, a Bahia chegou o equivalente 90% da produção brasileira à época. Desde o grande desastre, a região nunca se recuperou totalmente e vem lutando para combater a vassoura de bruxa, que nunca foi completamente extinta.

(Foto: Arquivo Pessoal/Antelmo Farias)

O produtor Antelmo Farias, de 64 anos, viu sua família ser prejudicada pela praga. Há 28 anos, ele fez as malas e partiu para a região Oeste. Hoje, é proprietário da Fazenda Solaris, uma das que vem apresentando resultados promissores de produtividade do fruto. A intenção inicial da mudança, no entanto, não era dar continuidade ao cultivo daquele que foi motivo de tanta tristeza.

“Eu não vim para cá com o intuito de produzir cacau, eu nem queria mais comer chocolate de tanta raiva que eu tinha do cacau. Meu pai morreu com depressão depois das dívidas provocadas pela devastação que a vassoura de bruxa causou. Mas, em 2015, eu visitei uma área de cacau e enxerguei um potencial ali, se fosse implementado um investimento”, explica Farias.

Ele conta que a área apresentava diversos problemas e seria utilizada por um vizinho para plantio de maracujá, quando ele resolveu investir no local. “Aceitei o desafio da quebra de paradigma. Muita gente me chamou de louco, disse que era para eu voltar ao Sul, que não ia dar certo aquilo ali. Mas eu acredito que o Oeste vai surpreender o mundo com a produção de cacau”, afirma.

“É uma região de clima extremamente favorável. Já demonstrou isso com a soja, com o milho, com o algodão e poderia mostrar também com o cacau. A área que eu adquiri se recuperou e nós tivemos uma alta produtividade. Hoje estamos com uma produção média de 200 arrobas de cacau com perspectiva de aumentar isso porque temos novas áreas plantadas”, ressalta.

Farias ainda afirma que a região tem uma grande vantagem contra a vassoura de bruxa, devido ao clima local, e acredita que, a partir de agora, o cacau só deve ser motivo de alegria. “Num período de chuva a gente faz o manejo, poda, etc. E aí vamos produzir o cacau no período seco, já que a vassoura não resiste num ambiente de umidade abaixo de 30%. O Sul da Bahia, por exemplo, que sofreu muito com a doença, é uma região com umidade o ano inteiro, entre 70 e 80%”, conclui.

*Com orientação da chefe de reportagem Perla Ribeiro

Conab estima colheita de 260,8 milhões de toneladas na safra 2020/2021

Colheita é ligeiramente menor do que a projeção anterior

Publicado em 08/07/2021 – 10:28 Por Pedro Peduzzi – Repórter da Agência Brasil – Brasília

Colheita de milho, colheita de grãos

A safra 2020/2021 de grãos deverá ter uma colheita de 260,8 milhões de toneladas, informou a Companhia Nacional de Abastecimento (Conab) ao divulgar, hoje (8), o 10º levantamento da Safra de Grãos. O número é ligeiramente menor do que a projeção anterior.

De acordo com o presidente da Conab, Guilherme Ribeiro, a diferença de 1,3 milhão de toneladas “se deve ao plantio tardio de milho segunda safra e à falta de chuva”. Plantado fora da janela ideal, o milho acabou ficando mais vulnerável às condições climáticas registradas no período. Segundo Ribeiro, o grão já teve 95% da sua primeira safra colhida.

De acordo com a Conab, o clima adverso em algumas regiões produtoras “influenciou de maneira negativa na produtividade estimada do cereal, e a colheita da segunda safra do grão deve chegar a 66,97 milhões de toneladas, queda de 10,8% se comparada com o período anterior”.

A estimativa de produção total do milho supera 93 milhões de toneladas, com a primeira safra tendo uma colheita de cerca de 24,9 milhões de toneladas. A estimativa para a terceira safra do grão é de aproximadamente 1,5 milhão de toneladas. “Com a atualização, a produtividade do milho segunda safra pode chegar a 4,5 toneladas por hectare na atual safra, queda de 17,5% em relação à 2019/2020. Já a área plantada do cereal no período registra aumento de aproximadamente 8,1%, chegando a 14,88 milhões de hectares”, informa a Conab.

Soja e arroz

O levantamento prevê um acréscimo de 11,1 milhões de toneladas de soja para esta safra. Com a colheita já encerrada, a oleaginosa deverá registrar um novo recorde de 135,9 milhões de toneladas colhidas, “mantendo o Brasil como maior produtor da cultura no mundo”.

A produção estimada para o arroz é de 11,8 milhões de toneladas, 5,2% maior do que o volume produzido na safra anterior. Cerca de 92% dessa produção tem como origem os cultivos irrigados. O restante 8% tem como origem os plantios de sequeiro. Já a produção de feijão está estimada em cerca de 3 milhões de toneladas.

Exportações e importações

A Conab prevê que as exportações de algodão no segundo semestre de 2021 atinjam patamares menores do que no ano passado. “Essa redução se deve à combinação de uma menor produção na atual safra e de um maior consumo das indústrias nacionais. Nesse cenário, a tendência é de recuperação de 16% nos estoques finais da fibra em relação ao volume divulgado no balanço do mês passado”, informa a companhia.

No caso do milho, a Conab manteve as projeções de importação do grão em 2,3 milhões de toneladas, e de exportação em 29,5 milhões de toneladas. Já para a soja, a Conab estima recorde no volume exportado, finalizando o ano com cerca de 86,69 milhões de toneladas, 4,5% a mais que no ano anterior. No primeiro semestre de 2021 foram exportadas 57,56 milhões de toneladas dessa oleaginosa.

A Conab informa que, para o trigo, o estoque de passagem para a safra 2021/2022 deverá ter volume próximo a 1,8 milhão de toneladas.

Para o arroz, as exportações em junho foram 19% menores que as ocorridas no mesmo período do ano passado. A Conab acrescenta que essa queda “é ainda maior quando se considera o acumulado do primeiro semestre, chegando a uma redução de 50% no volume exportado”.

Edição: Fernando Fraga

Plano Safra 2021/2022 anuncia R$ 251 bilhões para produtores rurais

Volume representa R$ 14,9 bilhões a mais em relação ao plano anterior

Publicado em 22/06/2021 – 19:15 Por Pedro Rafael Vilela – Repórter da Agência Brasil – Brasília

O governo federal lançou nesta terça-feira (22), no Palácio do Planalto, o Plano Safra 2021-2022, que contará com R$ 251,2 bilhões em crédito para apoiar a produção agropecuária nacional. O volume representa R$ 14,9 bilhões a mais em relação ao plano anterior (R$ 236,3 bilhões), um aumento de 6%. Os financiamentos podem ser contratados de de julho deste ano até o final de junho de 2022.

“Novamente, nós priorizamos a agricultura familiar e os investimentos, em especial na agricultura de baixo carbono, que aumentou em mais de 100% neste plano. Então, este é um plano que já vem muito pincelado de verde”, afirmou a ministra da Agricultura, Tereza Cristina, durante o anúncio.  

Do total de crédito disponibilizado, cerca de R$ 39,3 bilhões serão exclusivos para o Programa Nacional de Fortalecimento da Agricultura Familiar (Pronaf), um incremento de 19% em relação ao ano passado. Os demais públicos ficam com R$ 211,9 bilhões (4% a mais do que em 2020), sendo R$ 34 bilhões destinados aos médios produtores, por meio do Programa Nacional de Apoio ao Médio Produtor Rural (Pronamp). Dos R$ 251,2 bilhões do Plano Safra, um total de R$ 177,8 bilhões serão para custeio e comercialização e outros R$ 73,4 bilhões serão para investimentos. Neste último caso, o aumento da disponibilidade foi de 29%.

A ministra da Agricultura, Pecuária e Abastecimento, Tereza Cristina , durante lançamento do Plano Safra 2021/22 no Palácio do Planalto. – Fabio Rodrigues Pozzebom/Agência Brasil

As taxas de juros dos financiamentos tiveram aumento médio de 10% para os pequenos e médios produtores, na comparação com os juros praticados nos financiamentos do Plano Safra anterior. No caso do Pronaf, os juros passam de 2,75% ao ano para 3% a.a, para a produção de bens alimentícios; e de 4% a.a para 4,5% a.a para os demais produtos. Já para o Pronamp, que reúne os médios produtores, os juros serão de 5,5% a.a para custeio e 6,5% a.a para investimento. Os grandes produtores poderão contratar financiamentos com juros de 7,5% a.a para custeio e 8,5% a.a para financiamento de máquinas. Os financiamentos via cooperativas para investimento, crédito industrial e capital de giro será de 8% a.a.    

Para os investimentos considerados prioritários pelo governo, de promoção da sustentabilidade, o valor dos juros será de 5,5% ao ano. A taxa se refere à projetos de recomposição de reservas legais e áreas de preservação permanentes (APPs). Para financiamento de integração lavoura-pecuária, recuperação de pastagens, irrigação e construção de armazéns, os juros serão de 7% a.a.

“[Foi] inevitável uma elevação da taxa de juros, por tudo que vocês têm acompanhado. A gente conseguiu que não fosse uma elevação tão acentuada”, afirmou Wilson Vaz de Araújo, diretor de financiamento e informação do Ministério da Agricultura, Pecuária e Abastecimento. 

 A subvenção ao prêmio do seguro rural ficou em R$ 1 bilhão. O valor deve possibilitar a contratação de 158,5 mil apólices, num montante segurado da ordem de R$ 55,4 bilhões e cobertura de 10,7 milhões de hectares.

Projetos sustentáveis

Para o próximo ciclo, o Plano Safra fortaleceu o Programa para Redução de Emissão de Gases de Efeito Estufa na Agricultura (Programa ABC), que é a principal linha para financiamento de técnicas sustentáveis na agropecuária. Neste caso, a disponibilidade de crédito foi ampliada em 101% em relação aos recursos do plano anterior. A linha terá R$ 5,05 bilhões em recursos com taxa de juros de 5,5% e 7% ao ano, carência de até oito anos e prazo máximo de pagamento de 12 anos. 

O Plano Safra 2021/2022 prevê o financiamento para aquisição e construção de instalações para a implantação ou ampliação de unidades de produção de bioinsumos e biofertilizantes na propriedade rural, para uso próprio. Também serão financiados projetos de implantação, melhoramento e manutenção de sistemas para a geração de energia renovável. O limite de crédito coletivo para projetos de geração de energia elétrica a partir de biogás e biometano será de até R$ 20 milhões. 

O Proirriga, programa destinado ao financiamento da agricultura irrigada, terá R$ 1,35 bilhão, com juros de 7,5% ao ano. Já o Inovagro, voltado para o financiamento de inovações tecnológicas nas propriedades rurais, ficou com R$ 2,6 bilhões, e taxas de juros de 7% ao ano.

O presidente do Banco do Brasil, Fausto de Andrade Ribeiro, durante lançamento do Plano Safra 2021/22 no Palácio do Planalto.

O presidente do Banco do Brasil, Fausto de Andrade Ribeiro, durante lançamento do Plano Safra 2021/22 no Palácio do Planalto. – Fabio Rodrigues Pozzebom/Agência Brasil

Armazéns

Os recursos para a construção de armazéns nas propriedades rurais também ganhou ampliação expressiva neste Plano Safra. Ao todo, serão destinados R$ 4,12 bilhões, um acréscimo de 84%. Para o financiamento de armazéns com capacidade de até 6 mil toneladas nas propriedades, a taxa de juros é de 5,5% ao ano e para maior capacidade, a taxa é de 7% ao ano, com carência de três anos e prazo máximo de 12 anos. O valor disponibilizado é suficiente para aumentar em até 5 milhões de toneladas a capacidade instalada com a construção de cerca de 500 novas plantas.

Custos

Os custos aos cofres públicos para a subvenção dos financiamentos pelo governo federal será de R$ 13 bilhões. Deste total, R$ 6,4 bilhões são para o Pronaf e R$ 6,6 bilhões para a agricultura empresarial.

Assista a cerimônia completa na TV Brasil

Edição: Bruna Saniele

Agro é causa única da Comissão de Agricultura da Câmara, diz Aline Sleutjes

Deputada-raiz do setor, Aline Sleutjes quer o campo “cada vez mais forte e competitivo”

Ela concedeu entrevista esta noite ao Canal Agro+, do Grupo Bandeirantes, e destacou que a pauta na comissão prioriza os interesses do País voltados para o setor que tem assegurado o ótimo desempenho do PIB (Produto Interno Bruto).

Parlamentar de raiz no setor rural em seu Estado, Aline Sleutjes disse que os projetos em discussão na Comissão de Agricultura e Pecuária da Câmara buscam soluções e melhorias para o campo.

“O setor rural brasileiro precisa de políticas eficazes e de resultados”, disse ela, “Quando assumi, deixei claro que lutarei para um agro cada vez mais forte e competitivo.” Segundo a parlamentar, o setor de grãos, carne, aves e suínos alavancam o Brasil lá fora.

Bolsonaro defende mais parcerias do Brasil com Eurásia em evento

Presidente  destacou a capacidade do setor agrícola brasileiro

Publicado em 04/06/2021 – 12:49 Por Jonas Valente – Repórter Agência Brasil – Brasília

O presidente Jair Bolsonaro defendeu a ampliação das parcerias do Brasil com países da região da Eurásia em participação hoje (4) no Fórum Econômico Internacional de São Petesburgo, evento sediado pelo governo da Rússia para debater as parcerias e desafios das nações da região.

Bolsonaro destacou a capacidade do setor agrícola brasileiro, afirmou que o país deve se consolidar nos próximos anos como o principal produtor de alimentos do mundo e defendeu que nessa e em outras áreas seja possível avançar em parcerias com nações da região, uma vez que tanto estas quanto o Brasil participam da mesma cadeia de valor global relacionada à agricultura.

“O Brasil deseja expandir sua cooperação com todos os países da região da Eurásia, em particular com a Rússia. Nós gostaríamos de manter essa reciprocidade dos dois lados e temos potencial de diversificar nossa agenda de comércio exterior”, disse, em discurso transmitido por videoconferência.

O presidente brasileiro sublinhou a importância dos empresários dos países para identificar novas oportunidades de negócios. Neste sentido, Bolsonaro defendeu a importância de aprofundar acordos e iniciativas para o fomento a investimentos.

O presidente também ressaltou outros temas em que seria desejável construir novas parcerias. “Deveríamos continuar trabalhando conjuntamente para promover parcerias nas áreas de tecnologia, defesa, espaço, energia e saúde. Brasil está aberto a novas oportunidades de corporações em temas como nanotecnologia, inteligência artificial e biotecnologia”, sugeriu.  

Edição: Fábio Massalli

Interatividade e 5G podem atrair jovem de volta ao campo, diz ministra

Tereza Cristina estima que 60% dos produtores rurais estão conectados

Publicado em 28/05/2021 – 07:30 Por Agência Brasil – Brasília

A ministra da Agricultura, Pecuária e Abastecimento, Tereza Cristina, participa do programa A Voz do Brasil

A ministra da Agricultura, Pecuária e Abastecimento, Tereza Cristina, disse que a chegada da interatividade e do 5G pode fazer com que o jovem volte a se interessar pelo trabalho no campo. Para ela, o agricultor conectado traz grandes benefícios não apenas na área da produção, mas também na social.

“[Com a interatividade] ele [o agricultor] vai poder interagir com as áreas urbanas. Tenho muita esperança de que o jovem se interesse em voltar para o campo para trabalhar com seus pais. A nossa população rural está envelhecida e precisamos de mais jovens trabalhando no campo. Com essa ferramenta [o 5G], tenho uma esperança muito grande de trazer esse jovem para o campo novamente”, afirmou.

A ministra estima que 60% dos produtores rurais estão conectados e, com o 5G, ela acredita que a situação vai melhorar e se democratizar mais rapidamente.

Cadastro Ambiental Rural

Em entrevista à Empresa Brasil de Comunicação (EBC), Tereza Cristina também falou sobre a ferramenta de análise dinamizada que vai agilizar a verificação de dados do Cadastro Ambiental Rural (CAR), lançada pelo governo federal no início do mês. A análise dos dados declarados no CAR é fundamental para a implantação efetiva do Código Florestal Brasileiro. O estado do Amapá será o primeiro a usar a ferramenta, mas outras unidades da Federação também já assinaram o termo para a utilização.

A ministra explicou que atualmente os estados fazem o processo de forma manual por meio de seus técnicos, o que demanda uma equipe muito grande.

“[O produtor] já recebe o seu CAR, o seu certificado, ou se ele não estiver conforme [as normas], vai para o Programa de Recuperação Ambiental fazer então o que é necessário e o que está no Código Florestal que precisa implementar. Isso vai dar uma agilidade e uma segurança jurídica a todos aqueles que participarem desse programa.”

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Febre aftosa

Durante participação no programa A Voz do Brasil, Tereza Cristina destacou o reconhecimento de seis estados brasileiros como áreas livres de febre aftosa sem vacinação, concedido nessa quinta-feira (27) pela Organização Mundial de Saúde Animal (OIE). 

“Nós temos até 2026 para cobrir todo o Brasil, e a gente espera que realmente todos os outros estados agora fiquem mais animados porque vão ver o que temos de vantagem com esse reconhecimento para a produção, para exportação a mercados mais exigentes, que pagam melhor. Na parte da suinocultura, é fundamental ser livre de aftosa com vacinação”, disse. “Nós temos aí um longo caminho, ainda é um desafio para os outros estados brasileiros porque temos mais 21 que precisam estar também nesse cronograma e atingir esse status”.

Ouça na Radioagência Nacional:

Edição: Fábio Massali

Trigo surpreende no Ceará com precocidade e alta produtividade

  • ELIANE SILVA

 ATUALIZADO EM 

Alexandre Sales e os filhos, David e Pedro. Plantar trigo no Ceará tem dado resultado (Foto: Arquivo pessoal)

Uma viagem do empresário Alexandre Sales em 2018 à China serviu de inspiração para um projeto de plantio de trigo no ensolarado e seco Ceará que já colheu resultados que surpreenderam até o chefe-geral da Embrapa Trigo, Osvaldo Vasconcelos, que pesquisa a cultura há mais de 20 anos. O grão, principal cultura de inverno do Brasil, foi plantado em parceria com a Agrícola Famosa, maior produtora e exportadora mundial de melão e melancia, e ficou pronto para colheita em tempo recorde, com uma produtividade de 5.300 kg por hectare, só perdendo para o colhido no Cerrado.

“Nunca imaginei colher trigo em apenas 75 dias. Isso é tempo de safra de feijão”, disse o pesquisador da Embrapa. Para comparar, na região sul, responsável pela produção de 85% do trigo nacional, a produtividade média é de 2.500 kg por hectare e a colheita ocorre entre 140 e 180 dias após o plantio. No Cerrado, nesse mesmo período, a produtividade média é de 5.500 kg por hectare, mas há plantios irrigados que chegam a 8.000 kg/ha.

A partir de junho, junto com a Agrícola Famosa e outros parceiros, Sales vai plantar trigo irrigado pelo terceiro ano consecutivo. Desta vez, a área de semeadura deve atingir 500 hectares distribuídos por Ceará, Maranhão e Piauí. Além disso, o grupo pretende experimentar o plantio de sequeiro na região do Apodi (Rio Grande do Norte) ainda este mês. Nos próximos três anos, o plano é chegar a 2.000 hectares só no Ceará.

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O empresário, que é dono do moinho Santa Lúcia, em Aquiraz, região metropolitana de Fortaleza, disse que viu na China trigo plantado com sucesso em regiões de baixa altitude e clima seco. Considerando que o Ceará já se tornou referência na produção e exportação de frutas e de rosas, decidiu testar a semeadura em seu Estado, que é o segundo maior moedor e importador do produtor de trigo do país.

Procurou inicialmente a Embrapa, pela experiência da empresa em pesquisa e cultivares, e depois a Agrícola Famosa. A primeira experiência em 2019, em apenas meio hectare, serviu como aprendizagem. “A colheita foi rápida, mas a produtividade foi baixa, cerca de 3.800 kg por hectare”, conta Sales.

Em 2020, já ocupando cinco hectares de entressafra do melão da Agrícola Famosa, plantou três variedades, BR264  e BR404, ambas da Embrapa, e a Aton da empresa privada Biotrigo. O melhor resultado foi o da variedade 264. “As outras duas renderam até mais, 6.000 kg por hectare, mas o trigo só ficou pronto em 90 dias”, diz Sales.

Melão

Carlos Porro, CEO da Agrícola Famosa, diz que o trigo se adaptou bem ao ciclo da empresa, gerando receita numa época de entressafra do melão. “Temos que aproveitar que os grandes moinhos estão em nosso quintal. Além de usar a estrutura da empresa que ficaria parada na entressafra, ainda ganhamos com o melhoramento do solo após a colheita do trigo.”

Segundo Porro, a ideia é expandir a parceria, podendo chegar a uma área plantada nas terras da empresa, de até 2.000 hectares, sempre na entressafra. A Famosa tem 30 mil hectares no Rio Grande do Norte e Ceará, sendo 10 mil para a produção de melão.

No final de 2020, Sales fez dois experimentos que não foram bem-sucedidos em regiões de baixa altitude, no nível do mar, usando um blend de água salgada e doce para a irrigação por gotejamento. “É uma época muito quente, de intensa luminosidade. O trigo ficou lindo, mas a produtividade não passou de 4.000 kg.”

Alto potencial

Vasconcelos, da Embrapa, diz que os experimentos provaram que o Nordeste tem alto potencial para a cultura do trigo, especialmente em áreas acima de 600 metros de altitude, produzindo um grão de qualidade muito boa, semelhante à do Cerrado e do trigo importado.

“Com o melhoramento genético das sementes para o clima seco e quente que já desenvolvemos há dez anos a partir de material do México e um ajuste na irrigação e adubação, a região pode ser uma nova fronteira para o trigo”, diz. Segundo ele, a Embrapa já tem projetos de plantio também em Alagoas.

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Com qualidade, precocidade e produtividade garantidas, Sales diz que precisa melhorar o custo de produção. “Com a escala, devemos ter um custo menor com a compra de insumos”, acredita ele, que também é avicultor e dono de uma fábrica de massas.

A capacidade do moinho Santa Lúcia é moer 3.000 toneladas de trigo por mês. O Ceará, que tem grandes moinhos como M.Dias Branco, J.Macêdo e Grande Moinho Cearense, do Grupo Jereissati, importa quase todo o trigo que abastece suas moendas da Argentina ou da Rússia. O produto da região sul do país, que chega por cabotagem, sai mais caro.

Autossuficiência

Atualmente, o Brasil importa cerca de 60% do trigo que consome. O plantio no Cerrado, que atinge cerca de 200 mil hectares e tem potencial para aumentar dez vezes, e no Nordeste, além dos avanços em Minas, Goiás e São Paulo são apostas para diminuir essa dependência, mas o chefe da Embrapa não acredita em uma solução no curto prazo.

“Em um período de cinco anos, não teremos autossuficiência. Até porque faltam outros fatores como mais sementes. Mas, estamos começando a achar um caminho. O trigo deve seguir o mesmo caminho do milho. O Brasil importava muito milho e hoje é um dos maiores exportadores do grão.”

Segundo Vasconcelos, no ano passado, a pandemia do Covid-19 mostrou a importância do trigo como alimento mundial e muitos países passaram a fazer estoques, o que elevou os preços. Ele diz que o preço mais alto incentiva o produtor a aumentar a área, mas isso precisa ser conjugado com contratos já estabelecidos que garantam mercado e lucro ante os custos de produção, além do seguro.

“No ano passado, a área de produção de trigo na região sul aumentou. No Rio Grande do Sul passou de 750 mil hectares para 940 mil e, neste ano, deve romper a barreira de 1 milhão. Já o Paraná foi de 700 mil para 1 milhão. Isso mostra que o produtor está apostando na cultura.”

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O que também está aumentando são as exportações de trigo do Rio Grande do Sul, afirma Vasconcelos. Isso porque é o último trigo a ficar disponível para o mercado brasileiro, o que derruba seu preço. Fica, então, mais rentável exportar. No ano passado, foram exportadas 685 mil toneladas, ante as 500 mil de 2019 e as 300 mil de 2018.

O pesquisador explica que o trigo do sul tem uma produtividade menor porque é uma cultura de sequeiro e está sujeita a diversidades climáticas inexistentes no Cerrado e no Nordeste como geadas e chuva na hora da colheita e a doenças como a giberela.

Na quinta (11/3), a Companhia Nacional do Abastecimento (Conab) estimou a próxima safra de trigo em 6,437 milhões de toneladas, um aumento de 3,35% em relação à safra passada. Na área, a previsão é de 2,39 milhões de hectares, alta de 2,1%.

Expansão no Cerrado

A Embrapa entregou ao Ministério da Agricultura, Pecuária e Abastecimento (Mapa) um projeto de expansão do trigo no Cerrado orçado em R$ 2 milhões, que inclui pesquisas e transferências de tecnologia contra a brusone, doença que atinge o trigo na região.

Apesar de ter forte apoio da Associação Brasileira das Indústrias de Trigo (Abitrigo), que formulou uma Política Nacional do Trigo incluindo a expansão do plantio no Cerrado, o projeto não foi incluído no orçamento do Mapa deste ano, o que gerou uma reclamação formal da Abitrigo à ministra Tereza Cristina.

Vasconcelos diz, no entanto, que a ministra já sinalizou que vai disponibilizar recursos para o projeto nos próximos meses. Já a Abitrigo diz que não recebeu nenhum retorno do Mapa.

Empresas apostam em economia circular para reduzir impactos ambientais

Tecnologia e campanhas educativas melhoram gestão de resíduos

Publicado em 17/05/2021 – 06:50 Por Pedro Rafael Vilela – Repórter da Agência Brasil – Brasília

Na Reserva Mamirauá, pesquisadores e ribeirinhos buscam a sustentabilidade pelo manejo florestal (Tomaz Silva/Agência Brasil)

As mudanças climáticas e o aquecimento global, com efeitos potencialmente destrutivos para a humanidade, têm demandado de governos e empresas a adoção de medidas robustas de mitigação de impactos ambientais na produção econômica. Nesse cenário, iniciativas em torno da chamada economia circular desenvolvem soluções tecnológicas e campanhas educativas que ajudam a “limpar” a cadeia produtiva e a melhorar a gestão de resíduos em diversos setores.

“De forma simplificada, economia circular é você tentar manter o recurso pelo máximo de tempo possível dentro da cadeia produtiva. Investir nos seus ciclos, que é a questão da reciclagem, o reuso, a remanufatura e, dessa forma, manter a durabilidade [do recurso] pelo maior tempo possível”, afirma Davi Bomtempo, gerente executivo de Meio Ambiente e Sustentabilidade da Confederação Nacional da Indústria (CNI). 

Para Bomtempo, com a ascensão da agenda ambiental ao centro das preocupações geopolíticas, a exemplo da Cúpula do Clima, organizada pelo presidente dos Estados Unidos, Joe Biden, no mês passado, fica mais evidente que a economia circular pode desempenhar um papel transformador para que os países consigam atingir as metas de redução da emissão de gases poluentes na atmosfera. 

“Se você tiver os princípios de economia circular implantados em um determinado país, com certeza passa a reduzir emissões e contribuir para o alcance dessas metas. É importante lembrar que há um contexto internacional muito forte. No acordo do Mercosul com a União Europeia, por exemplo, há um capítulo inteiro sobre desenvolvimento sustentável, onde o pilar central é a redução das emissões por meio do Acordo de Paris. E é dessa forma que a economia circular poderia entrar para contribuir”, argumenta. 

Pesquisa feita pela CNI em 2019 mostra que 76,5% das indústrias desenvolvem alguma iniciativa de economia circular, embora a maior parte não saiba que as ações se enquadram nesse conceito. Entre as principais práticas estão a otimização de processos (56,5%), o uso de insumos circulares (37,1%) e a recuperação de recursos (24,1%). A pesquisa também mostra que 88,2% dos entrevistados avaliaram a economia circular como importante ou muito importante para a indústria brasileira. E não se trata apenas da busca por eficiência e economia. 

Levantamento sobre o perfil dos consumidores brasileiros, também da CNI, mostra que 38% dos entrevistados sempre verificam ou verificam às vezes se os produtos foram produzidos de forma ambientalmente correta. A pesquisa revela ainda que os brasileiros também têm mais consciência sobre o destino do lixo. O número de pessoas que separa o lixo para a reciclagem cresceu de 47%, em 2013, para 55% no ano passado.

Para incentivar a circularidade na economia, a Organização Internacional de Normalização (ISO, na sigla em inglês) está elaborando uma norma técnica internacional de economia circular, com a participação de representantes de 70 países, incluindo o Brasil. A CNI representa o Brasil e a América Latina nesse processo. No próximo ano, o país deve sediar encontro para finalizar o texto do documento.

Circularidade de produtos eletrônicos

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Mapa inaugura centro de inovação para o cacau

8.Maio.2021

Fonte: A Região

Mapa inaugura centro de inovação para o cacau

Embrapa cacau

que será administrado pela Embrapa. O projeto, parceria da Ceplac com a Empresa Brasileira de Pesquisa Agropecuária, é a Unidade Mista de Pesquisa e Inovação (UMIPI) do Cacau instalado em Ilhéus, na Bahia. Serão investidos R$ 4,7 milhões em quatro linhas de pesquisa.

Também haverá transferência de tecnologia entre as instituições para fortalecer a cadeia produtiva do cacau. A parceria para a UMIPI alia o conhecimento da Ceplac, responsável por um dos maiores bancos de germoplasma de cacau do mundo, e a infraestrutura da Embrapa.

A ministra Tereza Cristina destacou que a UMIPI é a base para revitalização da cacauicultura e o alcance da meta de autossuficiência na produção de cacau até 2025. Para cumprir a meta, segundo a ministra, é necessária a união da cadeia produtiva e o uso intensivo de tecnologia.

Autossuficiência

“Em busca da meta de autossuficiência, esperamos conseguir destinar, ao longo dos próximos dois anos, cerca de R$ 15 milhões ao setor. Promoveremos a expansão da área plantada, a ampliação da produtividade e a melhoria do produto.”

Tereza Cristina ressaltou que a cultura “oferece múltiplos benefícios, desde a geração de emprego e renda à preservação da floresta e à fixação de carbono”.

Depois de enfrentar pragas, quedas de preço, fechamento de roças e desemprego, a cacauicultura no Brasil vive uma fase de recuperação e perspectiva de aumentar a produção em 60 mil toneladas nos próximos quatro anos. O Brasil já foi o 2º maior produtor mundial de cacau, hoje é o 7º.

Cacau e chocolate

A produção anual, segundo o IBGE, é estimada em 250 mil toneladas, sendo que o Pará figura como maior estado produtor, com cerca de 129 mil toneladas por ano. A Bahia aparece na sequência, com 113 mil toneladas.

Além de produtor de cacau, o Brasil é o 5º maior produtor de chocolate do mundo. O ranking é o mesmo quando se fala em consumo da iguaria, que faz parte do dia a dia do brasileiro. Toda essa indústria é responsável por 300 mil empregos diretos.

O secretário de Inovação, Desenvolvimento Rural e Irrigação do Mapa, Fernando Camargo, ressalta que o Brasil tem uma característica única no mundo em relação ao cacau, por ter toda a cadeia do produto: produz a semente, processa o cacau, fabrica chocolate, exporta cacau e chocolate.

Linhas de pesquisa

Uma das linhas de pesquisa da UMIPI será voltada para caracterização, avaliação e conservação de recursos genéticos do cacau com eficiência e economicidade. A Ceplac reúne mais de 4.549 acessos a germoplasma, distribuídos em quatro coleções.

O diretor da Ceplac, Waldeck Araújo, explica que, apesar de ocupar uma posição de destaque, os estudos apontam que essas coleções conservam apenas 20% da variabilidade existente na região amazônica brasileira.

Outro tema a ser pesquisado é o melhoramento genético da espécie a partir de clones de cacaueiros com resistência a pragas como a monilíase e a vassoura de bruxa.

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