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:: 26/maio/2021 . 15:34

Polícia Federal investiga fraude na concessão do auxílio emergencial

Operação é feita na cidade de Guarapari, no Espírito Santo

Publicado em 26/05/2021 – 12:57 Por Pedro Peduzzi – Repórter da Agência Brasil – Brasília

A Polícia Federal (PF) e a Receita Federal deflagraram hoje (26) em Guarapari, no Espírito Santo, a Operação Mendacium, visando combater crimes de fraudes no benefício do Auxílio Emergencial, falsidade ideológica e lavagem de dinheiro.

A ação conta com a participação de cinco policiais federais e dois auditores da Receita que cumprem um mandado de prisão preventiva e um de busca e apreensão. Foi determinado, também, o bloqueio de bens de um investigado. Segundo a PF, foram apreendidos, no local da busca, equipamentos de mídia em geral e um documento falso.

“A operação apura o cometimento de crimes de falsidade ideológica, estelionato contra a União e lavagem de capitais, decorrentes do recebimento indevido do auxílio emergencial do governo federal, em razão da pandemia associada à covid-19”, informou a Polícia Federal.

O investigado praticou fraude utilizando pelo menos seis nomes diferentes, “através do uso de documentos, como, por exemplo, diversos CPFs (Cadastro de Pessoa Física) falsos para receber esses auxílios”, acrescentou a PF.

O próximo passo da investigação abrange a preparação de laudo pericial e a análise dos equipamentos de mídia, na expectativa de verificar a participação de outros envolvidos. Os nomes dos investigados ainda não foram divulgados.

Edição: Kleber Sampaio

Trigo surpreende no Ceará com precocidade e alta produtividade

  • ELIANE SILVA

 ATUALIZADO EM 

Alexandre Sales e os filhos, David e Pedro. Plantar trigo no Ceará tem dado resultado (Foto: Arquivo pessoal)

Uma viagem do empresário Alexandre Sales em 2018 à China serviu de inspiração para um projeto de plantio de trigo no ensolarado e seco Ceará que já colheu resultados que surpreenderam até o chefe-geral da Embrapa Trigo, Osvaldo Vasconcelos, que pesquisa a cultura há mais de 20 anos. O grão, principal cultura de inverno do Brasil, foi plantado em parceria com a Agrícola Famosa, maior produtora e exportadora mundial de melão e melancia, e ficou pronto para colheita em tempo recorde, com uma produtividade de 5.300 kg por hectare, só perdendo para o colhido no Cerrado.

“Nunca imaginei colher trigo em apenas 75 dias. Isso é tempo de safra de feijão”, disse o pesquisador da Embrapa. Para comparar, na região sul, responsável pela produção de 85% do trigo nacional, a produtividade média é de 2.500 kg por hectare e a colheita ocorre entre 140 e 180 dias após o plantio. No Cerrado, nesse mesmo período, a produtividade média é de 5.500 kg por hectare, mas há plantios irrigados que chegam a 8.000 kg/ha.

A partir de junho, junto com a Agrícola Famosa e outros parceiros, Sales vai plantar trigo irrigado pelo terceiro ano consecutivo. Desta vez, a área de semeadura deve atingir 500 hectares distribuídos por Ceará, Maranhão e Piauí. Além disso, o grupo pretende experimentar o plantio de sequeiro na região do Apodi (Rio Grande do Norte) ainda este mês. Nos próximos três anos, o plano é chegar a 2.000 hectares só no Ceará.

SAIBA MAIS

O empresário, que é dono do moinho Santa Lúcia, em Aquiraz, região metropolitana de Fortaleza, disse que viu na China trigo plantado com sucesso em regiões de baixa altitude e clima seco. Considerando que o Ceará já se tornou referência na produção e exportação de frutas e de rosas, decidiu testar a semeadura em seu Estado, que é o segundo maior moedor e importador do produtor de trigo do país.

Procurou inicialmente a Embrapa, pela experiência da empresa em pesquisa e cultivares, e depois a Agrícola Famosa. A primeira experiência em 2019, em apenas meio hectare, serviu como aprendizagem. “A colheita foi rápida, mas a produtividade foi baixa, cerca de 3.800 kg por hectare”, conta Sales.

Em 2020, já ocupando cinco hectares de entressafra do melão da Agrícola Famosa, plantou três variedades, BR264  e BR404, ambas da Embrapa, e a Aton da empresa privada Biotrigo. O melhor resultado foi o da variedade 264. “As outras duas renderam até mais, 6.000 kg por hectare, mas o trigo só ficou pronto em 90 dias”, diz Sales.

Melão

Carlos Porro, CEO da Agrícola Famosa, diz que o trigo se adaptou bem ao ciclo da empresa, gerando receita numa época de entressafra do melão. “Temos que aproveitar que os grandes moinhos estão em nosso quintal. Além de usar a estrutura da empresa que ficaria parada na entressafra, ainda ganhamos com o melhoramento do solo após a colheita do trigo.”

Segundo Porro, a ideia é expandir a parceria, podendo chegar a uma área plantada nas terras da empresa, de até 2.000 hectares, sempre na entressafra. A Famosa tem 30 mil hectares no Rio Grande do Norte e Ceará, sendo 10 mil para a produção de melão.

No final de 2020, Sales fez dois experimentos que não foram bem-sucedidos em regiões de baixa altitude, no nível do mar, usando um blend de água salgada e doce para a irrigação por gotejamento. “É uma época muito quente, de intensa luminosidade. O trigo ficou lindo, mas a produtividade não passou de 4.000 kg.”

Alto potencial

Vasconcelos, da Embrapa, diz que os experimentos provaram que o Nordeste tem alto potencial para a cultura do trigo, especialmente em áreas acima de 600 metros de altitude, produzindo um grão de qualidade muito boa, semelhante à do Cerrado e do trigo importado.

“Com o melhoramento genético das sementes para o clima seco e quente que já desenvolvemos há dez anos a partir de material do México e um ajuste na irrigação e adubação, a região pode ser uma nova fronteira para o trigo”, diz. Segundo ele, a Embrapa já tem projetos de plantio também em Alagoas.

SAIBA MAIS

Com qualidade, precocidade e produtividade garantidas, Sales diz que precisa melhorar o custo de produção. “Com a escala, devemos ter um custo menor com a compra de insumos”, acredita ele, que também é avicultor e dono de uma fábrica de massas.

A capacidade do moinho Santa Lúcia é moer 3.000 toneladas de trigo por mês. O Ceará, que tem grandes moinhos como M.Dias Branco, J.Macêdo e Grande Moinho Cearense, do Grupo Jereissati, importa quase todo o trigo que abastece suas moendas da Argentina ou da Rússia. O produto da região sul do país, que chega por cabotagem, sai mais caro.

Autossuficiência

Atualmente, o Brasil importa cerca de 60% do trigo que consome. O plantio no Cerrado, que atinge cerca de 200 mil hectares e tem potencial para aumentar dez vezes, e no Nordeste, além dos avanços em Minas, Goiás e São Paulo são apostas para diminuir essa dependência, mas o chefe da Embrapa não acredita em uma solução no curto prazo.

“Em um período de cinco anos, não teremos autossuficiência. Até porque faltam outros fatores como mais sementes. Mas, estamos começando a achar um caminho. O trigo deve seguir o mesmo caminho do milho. O Brasil importava muito milho e hoje é um dos maiores exportadores do grão.”

Segundo Vasconcelos, no ano passado, a pandemia do Covid-19 mostrou a importância do trigo como alimento mundial e muitos países passaram a fazer estoques, o que elevou os preços. Ele diz que o preço mais alto incentiva o produtor a aumentar a área, mas isso precisa ser conjugado com contratos já estabelecidos que garantam mercado e lucro ante os custos de produção, além do seguro.

“No ano passado, a área de produção de trigo na região sul aumentou. No Rio Grande do Sul passou de 750 mil hectares para 940 mil e, neste ano, deve romper a barreira de 1 milhão. Já o Paraná foi de 700 mil para 1 milhão. Isso mostra que o produtor está apostando na cultura.”

SAIBA MAIS

O que também está aumentando são as exportações de trigo do Rio Grande do Sul, afirma Vasconcelos. Isso porque é o último trigo a ficar disponível para o mercado brasileiro, o que derruba seu preço. Fica, então, mais rentável exportar. No ano passado, foram exportadas 685 mil toneladas, ante as 500 mil de 2019 e as 300 mil de 2018.

O pesquisador explica que o trigo do sul tem uma produtividade menor porque é uma cultura de sequeiro e está sujeita a diversidades climáticas inexistentes no Cerrado e no Nordeste como geadas e chuva na hora da colheita e a doenças como a giberela.

Na quinta (11/3), a Companhia Nacional do Abastecimento (Conab) estimou a próxima safra de trigo em 6,437 milhões de toneladas, um aumento de 3,35% em relação à safra passada. Na área, a previsão é de 2,39 milhões de hectares, alta de 2,1%.

Expansão no Cerrado

A Embrapa entregou ao Ministério da Agricultura, Pecuária e Abastecimento (Mapa) um projeto de expansão do trigo no Cerrado orçado em R$ 2 milhões, que inclui pesquisas e transferências de tecnologia contra a brusone, doença que atinge o trigo na região.

Apesar de ter forte apoio da Associação Brasileira das Indústrias de Trigo (Abitrigo), que formulou uma Política Nacional do Trigo incluindo a expansão do plantio no Cerrado, o projeto não foi incluído no orçamento do Mapa deste ano, o que gerou uma reclamação formal da Abitrigo à ministra Tereza Cristina.

Vasconcelos diz, no entanto, que a ministra já sinalizou que vai disponibilizar recursos para o projeto nos próximos meses. Já a Abitrigo diz que não recebeu nenhum retorno do Mapa.

FALOU TUDO, LIMPO E CLARO, NA LATA!

Senado aprova lei de incentivo ao primeiro emprego

Projeto prevê redução de tributos no primeiro ano de contratação

Publicado em 25/05/2021 – 21:57 Por Marcelo Brandão – Repórter da Agência Brasil – Brasília

Brasília 60 Anos – Congresso Nacional

O Senado aprovou hoje (25) um projeto de Lei (PL) que incentiva as empresas na contratação de jovens de 16 a 29 anos sem experiência no mercado de trabalho. O projeto prevê, a título de incentivo às empresas, a redução do INSS patronal de 20% para até 1%, e da alíquota do FGTS de 8% para 1% no primeiro ano de contratação. O projeto segue para a Câmara.

Para o autor do projeto, senador Irajá (PSD-TO), a regra vem tratar os desiguais de forma diferente. “[Esses jovens] não possuem experiência profissional e exatamente por essa razão que as oportunidades minguam. E o papel do estado brasileiro é conduzir os desiguais a um tratamento especial que estimule o mercado de trabalho a dar oportunidade para esses jovens”, disse Irajá. “A empresa tem como contrapartida nesse primeiro ano de emprego capacitar e qualificar o jovem e isso requer investimento, é importante que isso fique claro. É apenas um ano em que o jovem poderá ser contemplado por uma série de esforços de empresas, do governo e dele próprio”.

A ideia do projeto é submeter os jovens e as empresas a um contrato mais simplificado, menos oneroso para a empresa, e que garanta uma remuneração ao jovem e, uma experiência de trabalho. Os jovens contemplados pelo projeto devem estar matriculados em cursos superior ou profissionalizante.

Mas o relator, Veneziano Vital do Rêgo (MDB-PB) incluiu no projeto as pessoas que não estão nem trabalhando, nem estudando, a chamada “geração nem-nem”. “Trata-se de grupo que deve estar na base de toda atuação do Poder público, dadas suas características difíceis e do desamparo social que o acompanham”, disse o relator.

Os contratos previstos no projeto só poderão ser firmados em até 5 anos após a publicação da lei, caso seja aprovada também na Câmara. O projeto, que se chamava “Lei do Primeiro Emprego” mudou de nome. Agora, se chama “Lei Bruno Covas”, em homenagem ao prefeito de São Paulo, falecido em 16 de maio vítima de câncer.

Edição: Aline Leal

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