Luiz Ferreira da Silva

Engenheiro Agrônomo, Pesquisador aposentado da CEPLAC

luizferreira1937@gmail.com

Tenho lido muitas teorias a respeito do “olho grande” dos países desenvolvidos, não só dando palpites, mas com preocupações exageradas sobre o futuro da floresta úmida tropical. E se baseiam em pesquisas de cientistas, apoiados pela Organização das Nações Unidas (ONU), que publica um relatório periódico sintetizando os estudos feitos sobre o aquecimento global em todo o mundo, através do Painel Intergovernamental de Mudanças Climáticas (IPCC).

E sempre colocam esse magnânimo interesse no bem-estar da humanidade, ante os desastres apregoados com o desmatamento, que vai da destruição da camada de ozônio ao aquecimento global, antevendo-se submersão de várias cidades litorâneas e redução da produtividade agrícola.

No entanto, há uma outra corrente de estudiosos que rechaçam aqueles, argumentando não existir comprovação científica.

Por outro lado, os jornalistas brasileiros, aproveitando a onda ecológica, escrevem elucubrações dessa fobia estrangeira pela Amazônia, que inclui desde a exploração do nióbio, além dos fármacos anticancerígenos, sem esquecer da desnacionalização da nossa grande bacia hidrográfica.

Essas reportagens dão um IBOPE danado. Nisso, se aproveitam os Ecologistas que não distinguem um pé de mogno de um pé de alface. São elevados à classe de super. entendidos e arrastam uma multidão em suas palestras sem pé e sem cabeça.

Como eles podem, eu também posso, pelo menos dar uns pitacos, pois conheço razoavelmente bem a Amazônia e, inclusive, desenvolvi estudos na área de solos para fins de uso agrícola. Também, morei 3 anos em Belém. Ademais, já passei dos 80 e, a essa faixa etária, tudo se releva.

Em 1973, quando da crise ocasionada pelo petróleo, na qual os árabes pegaram os europeus de calça curta, houve uma nova ordem mundial.

Então, o que fizeram as potências desenvolvidas? Inteligentemente, investiram em alimentos, com o raciocínio de que o petróleo não se come e os árabes carecem da energia que vem do campo, a que enche o bucho.

A Europa, em pouco tempo, abarrotou-se em “comida”, até com excesso, como foi o caso do leite. E a crise foi contornada.

Tempos depois, o Brasil descobre os Cerrados e se torna celeiro mundial na produção de grãos e carne, exportando produtos e tecnologias, assustando os americanos e europeus. De vez em quando, põem barreiras, “descobrem” bactérias, depreciam as nossas exportações.

E na cabeça deles, ninguém segura o Brasil, já uma potência, e que, mais e mais, terá poder em diversos aspectos no futuro, quando o Mundo haverá que dobrar a sua produção agrícola para alimentar as 3 bilhões de bocas a mais em 2050

E que poder é esse? O poder de matar a fome, o poder da energia humana, o poder de sobrevivência da espécie!

Assim, o alimento se tornará a arma mais importante que os misseis coreanos, que os poções de petróleo da Arábia Saudita, que as indústrias dos Rollis Roce da Inglaterra, pois nada disso se come.

E neste contexto de ficção, a Amazônia passa a ser o trunfo brasileiro, num cenário desfavorável, sobretudo de disponibilidade de terras dos atuais poderosos países, cheios de dólares e euros. Atualmente, mandam em todos nós, países em desenvolvimento; no futuro, não.

E o que fazer para conter esse potencial tupiniquim, há de estar se perguntado o mundo?

O prezado leitor talvez concorde comigo: – “Boicotar a Amazônia”.

(Maceió, 24 de agosto de 2019).