Demitidos de Ilhéus em luta recebem cestas básicas doadas à campanha deflagrada para aliviar os problemas causados pelo decreto do prefeito Mário Alexandre que, há um mês, demitiu quase 300 servidores admitidos legalmente entre 1983 e 1988, em um ato considerado injusto pelos sindicatos locais.

Eles distribuíram, nesta semana, mais um lote de cestas básicas aos servidores mais vulneráveis economicamente. Os demitidos aguardam o julgamento de um recurso, no Tribunal de Justiça da Bahia, contra a decisão do juiz Alex Venicius Miranda.

Foi com base na decisão da 1ª Vara da Fazenda Pública de Ilhéus que o prefeito promoveu a demissão em massa, protegendo e mantendo nos cargos um grupo de mais de 100 servidores na mesma situação dos demitidos.

Sem palavra

Uma semana antes de assinar o decreto, Mário Alexandre tinha se comprometido a não afastar ninguém até o último recurso judicial possível. “ o decreto do prefeito tem vários erros,” afirma Osman Nogueira, presidente da APPI/APLB.

“Dentre eles, afastou pessoas reintegradas pela Justiça do Trabalho, sindicalistas com direito à imunidade e funcionários que já haviam aderido ao Plano de Demissão Voluntária (PDV). Os equívocos deram origem a recursos administrativos já protocolados”.

A campanha de arrecadação de alimentos é coordenada pelo Sinsepi, APPI\APLB, Sindguarda e Sindiacs\ACE, diante da situação de necessidade a que foram relegados os servidores demitidos depois de mais de 33 anos de serviço público.

Nos últimos dias, a ação de solidariedade ganhou a adesão da subseção da OAB de Ilhéus. Segundo a professora Enilda Mendonça, a campanha tem recebido o apoio da população e de empresários locais.

Traumas psicológicos

“Além de lutar na Justiça pela reintegração dos servidores aos postos de trabalho, as entidades sindicais recolhem cestas básicas de alimentos para assistir a dezenas de servidores que estão em dificuldades para a sobrevivência”.

Osman salienta que os problemas enfrentados pelos servidores demitidos não se restringem a alimentos, mas também a situações críticas de saúde, como depressão, crises de ansiedade, hipertensão, entre outras.

“O responsável é o prefeito Marão, por ter jogado os servidores nesse estado de miséria. Mas a luta continua em defesa da dignidade do trabalhador”. A campanha conta com postos de coleta de doações na sede da APPI\APLB, no Malhado, e no Sinsepi, no Centro.