Publicado em 23/05/2018 às 12h15.

A lei que brotou da Lava Jato, proibindo doações privadas, tem a pretensão de querer inverter, botar o povo para dar dinheiro a político

Levi Vasconcelos
Frase da vez

“Corremos sem preocupação para um precipício, após termos posto uma venda para o não poder ver”

Blaise Pascal, matemático e filosófo francês (1623-1662).

Foto divulgação

 

A tradição no Brasil sempre foi o eleitor pedir dinheiro aos políticos. A lei que brotou da Lava Jato, proibindo doações privadas, tem a pretensão de querer inverter, botar o povo para dar dinheiro a político. Não colou, até agora pelo menos.

Muito pelo contrário, na medida em que a campanha se aproxima, os pré-candidatos vão se dando conta de que os sinais iniciais, os de que as fichas das lideranças do interior ainda não caíram para estes tempos de dinheiro curto, se ampliou.

Caixa 3 —Ainda não se sabe exatamente como será a partilha do dinheiro do Fundo Eleitoral. O rateio de R$ 1,716 bilhão dá R$ 215 milhões para o MDB, o mais bem aquinhoado, R$ 199 milhões para o PT, R$ 173 milhões para o PSDB, R$ 109 milhões para o PSD, R$ 101 milhões para o PSB e R$ 85 milhões para o DEM, tudo para ser dividido entre os seus estados, candidatos a presidente, ao governo e a deputados estaduais e federais.

Fala o deputado estadual Marcel Moraes (PSDB), candidato a federal:

— Nessa história deputado estadual dança. O pessoal só liga para a área federal.

Fala Marcelo Nilo (PSB), também candidato a federal:

— Pelo que estamos vendo aí quem não tem dinheiro para gastar vai dançar.

O senador Otto Alencar vislumbra o pior dos cenários, as portas abertas para o caixa 3, traficantes e afins:

— No Rio já está assim.