“O pior de uma sociedade manipulada por políticos é ver os pobres

defendendo ricos culpáveis de sua pobreza”. Paulo Coelho

As oligarquias de famílias políticas tem se perpetuado no comando do poder político e econômico do País por muitos anos. São dezenas de anos que tradicionais famílias mantem este controle e a forma como o fazem parece que não muda e este método vem passando de pai para filho e até para os netos.

As oligarquias políticas não querem ceder o controle político conquistado ao longo de décadas e fazem de tudo para não perder a posse do bastão para seus adversários políticos e muito menos para quem se atreva entrar neste circulo fechado onde poucas famílias fazem parte do clube.

A pratica para isso não difere muito dos tempos da idade antiga e ou medieval. O exemplo mais conhecido de controle e forma perversa para se continuar no poder vem da Roma antiga, quando Cezar, imperador romano, construiu o Coliseu onde promovia espetáculos circenses, onde homens e animais se digladiavam até a morte de um dos gladiadores, enquanto o pão era distribuído à plebe faminta que momentaneamente se esquecia da miséria, doenças, das mutilações sofridas com as guerras e do abandono nas aldeias em que viviam.

A prática perversa de Cezar fez escola no Brasil e alguns políticos fizeram desta pratica uma forma de se perpetuarem no poder. O já falecido Antonio Carlos Peixoto de Magalhães, mais conhecido como ACM , quando prefeito de Salvador, usou a abusou de dar migalhas ao povo e usou o carnaval(festa circense) para iludir o povo. Vendo nesta festa um bom mote para manipular o povo, mudou o calendário do carnaval que era de três dias(domingo, segunda e terça feira) para cinco dias(sexta feira, sábado, domingo, segunda feira e terça feira). Como a plebe da Roma antiga, o povo baiano também se esbaldava nos cinco dias de carnaval esquecendo-se da miséria, da fome, da falta de atendimento médico, falta do emprego; de boas escolas; de creches, para depois voltar andando para suas míseras casas e depois de chegar ver que nada mudou e que continuam abandonados pelo poder público e que a merda de vida que viviam continuava depois do carnaval. A falsa felicidade só lhes era concedido nos cinco dias de carnaval, nada mais do que isso.

Nos tempos atuais, temos nada mais nada menos governando Salvador, a terceira linhagem do Ex-prefeito e governador e ex-senador da Bahia nas décadas de 60/70/80/90 e até 2002 ,  seu neto mais pródigo, Antonio Carlos Magalhães Neto (ACM Neto), mostrando que é um esmerado aluno do avô e faz de Salvador um grande coliseu e a plebe soteropolitana um bando de alienados que venera o jovem prefeito fazedor de festas, que para não fugir a regra, logo no seu primeiro mandato fez a multiplicação do carnaval, decretou dez dias de momo e caiu nas graças do povo, dos empresários dos ramos de bebidas, hotelaria, camarotes, montadoras de palco, transportes e artistas que ganham muito dinheiro com o carnaval.

Esse negócio de festa é tão lucrativo e alienante que o Réveillon, tradicionalmente comemorado em qualquer lugar do mundo na madrugada do dia 01de janeiro, aqui em Salvador comemora-se em cinco dias; assim como o inicio da Primavera que passou a ser comorado também em cinco dias, com festas espalhadas pelos quatro cantos de Salvador.

Como o avô, além das festas ele também gosta de trocar o asfalto bom por asfalto de qualidade duvidosa nas principais avenidas da cidade, enquanto bairros do quintal de Salvador ficam na fila de espera. Afinal obras em bairros da periferia não dão visibilidade como as obras realizadas nos bairros da orla e das áreas nobres de Salvador, então porque se preocupar com a plebe se eles podem ser enganados com festas, festas e muitas festas?

Por falar em asfalto, esse parece ser um grande negocio político e econômico para prefeitos de Salvador e de outras capitais, pois é um bota e tira de asfalto inclusive onde não precisa da troca dele, que é como se sua aplicação não tivesse custos tal à forma e a quantidade que é aplicado. Outro grande negócio da administração municipal é a coleta de lixo e transportes urbanos. Exemplo desse negócio que parece invisível aos olhos da maioria da população é a forma como o prefeito realiza mudanças nas linhas de ônibus e que aos olhos dos incautos parece uma coisa normal. Imagina então quando ele consegue transformar mais de uma dezena de empresas de ônibus em uma única empresa dando-lhe o sugestivo nome de “Integra” e inacreditavelmente ninguém comenta o assunto, inclusive os vereadores que dizem fazer oposição a ele.

Não sei como o prefeito conseguiu tal façanha de transformação das empresas de ônibus em uma única empresa sem que ninguém percebesse. Ou todo mundo é alienado, cego e tapado ou tem muita gente, além do gestor público e dos empresários que aceitaram passar por esta metamorfose, ganhando com estas mudanças. Com certeza a população que precisa desse tipo de serviço público é que não está ganhando nada com esta transformação, ainda que grite diante das dificuldades e da qualidade desse serviço que parece não mudar nunca, e que só muda mesmo no discurso de campanha. Nada mais do que isso.

Enquanto nada acontece para melhorar a qualidade de vida dos soteropolitanos, continuamos sendo a capital do desemprego; temos um dos piores IDH-Índice de Desenvolvimento Humano do País; faltam hospitais públicos e boas escolas públicas e creches; falta saneamento básico nos bairros periféricos e boa mobilidade urbana.

O que sobra para o povo pobre: transportes, IPTU e taxa de lixo com valores exorbitantes; postos de saúde que não atendem as necessidades da população e, com inicio das chuvas, encostas caindo sobre as casas, soterrando famílias e a água invadindo residências e casas comerciais, causando enormes prejuízos aos seus proprietários, e quando isso acontece o prefeito aparece rapidamente com sua equipe de boys com caras de assustadas com a pobreza que eles não estão acostumados a ver de perto, e mais um batalhão de fotógrafos e repórteres de TV, para rapidamente ordenar a colocação de plásticos de contenção nas encostas como se este procedimento desse segurança aos moradores dessas encostas. Não dá. É só paliativo e ele sabe disso. Mas finge que acredita nisso porque ele, sua equipe e suas famílias não moram ali.

Se todo investimento em praças, festas e na manipulação de números dos resultados do trabalho do prefeito (ele é craque em manipular números) derem certos e bem assimilados pelo povo que não tem discernimento para entender o que é certo ou errado, ACM Neto se tornará governador dos baianos e a Bahia se transformará num grande coliseu, com muitas festas para distrair a atenção do povo submetido ao atraso, à ignorância e desta forma eles vão se mantendo no poder, assim como fez ACM.

Tal avô, tal neto.  Que Deus tenha piedade do povo soteropolitano e da Bahia.

Juarez Cruz

Escritor e cronista – Salvador-BA

juarez.cruz@uol.com.br