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MATÉRIA REQUENTADA DO SITE PORTOGENTE, AGORA COM NOVA PERSONAGEM.

  • Ilhéus

    ONG critica posição do Governo da Bahia sobre o Porto Sul

    Texto atualizado em 12 de Janeiro de 2010 – 02h28

 

Bruno Rios

reportagem

 

A presidente da ONG Ação Ilhéus, Maria do Socorro Mendonça, entrou em contato com a reportagem do PortoGente na semana passada. Indignada com a resposta que o Governo da Bahia enviou ao site defendendo a instalação do Porto Sul na cidade baiana de Ilhéus, a 462 km de distância da capital Salvador, ela rebateu um a um os pontos destacados pela assessoria de imprensa da Secretaria de Estado da Indústria Naval e Portuária. E reafirmou que o projeto espantou investidores do ramo turístico e trouxe dois sentimentos ao Sul da Bahia: preocupação e incertezas.* 

“O que disse o Luigi [Massa, presidente da Associação de Turismo de Ilhéus] é verdade, pois antes do anúncio de instalação do Porto Sul havia pelo menos cinco empreendimentos turísticos. Estes hotéis e condomínios de luxo somavam mais de R$ 623 milhões em investimentos e gerariam três mil empregos diretos na fase de operação. De acordo com o próprio Governo da Bahia, cada emprego direto do turismo gera cerca de três vagas indiretas. Portanto, desse modo nós teríamos nove mil novos empregos formais. E eles se perderam. O Governo mentiu de novo”.

Maria do Socorro explica que, em Ilhéus, a necessidade de empregos que existe é exatamente para mão de obra não qualificada ou para pouca especialização, pois a comunidade não teve acesso, nos últimos anos, a diversos cursos de qualificação disponíveis no mercado de trabalho. Questionada sobre a possibilidade de o Porto Sul mudar a realidade local e trazer esperança de dias melhores ao povo de Ilhéus, a presidente da ONG Ação Ilhéus se baseou em mais números oficiais para refutar a tese.

“A Bahia Mineração (Bamin) gerará na operação do Porto Sul 300 empregos diretos e os indiretos nesse tipo de atividade são de 1,3 para cada emprego direto, além de não gerar vagas para a mão de obra disponível que temos que não é qualificada. Para piorar, segundo o representante do Governo Antonio Carlos Mathias nos disse em 2008 e 2009, o que de fato existe é o empreendimento da Bamin. Tudo o mais é de livre pensar, já que pode ou não acontecer. Como podemos confiar em uma história dessa?”

O argumento do Governo que deixou a presidente da ONG mais irritada foi o de que as atividades portuária e turística podem conviver em harmonia. Foram citados como exemplos os portos de Suape, em Pernambuco, localizado a apenas 3 km do Eco Resort Cabo de Santo Agostinho, e Itajaí, em Santa Catarina, que fica a 6 km do Balneário Camboriú. “Os portos que eles dizem que vivem em harmonia com o turismo não exportam minério de ferro. Queremos saber como é o turismo convivendo com o Porto do Itaqui (MA) e com o Porto da Vale no Espírito Santo”.

Maria do Socorro discorda, também, da escolha da Ponta do Tulha para a instalação do Porto Sul. Para ela, o Governo do Estado tem de provar que não existe outro local na Bahia para receber o porto e, só depois disso, vir a público dizer que a Ponta é a área ideal. “Isso eles não fizeram. Das sete alternativas, cinco estão no mesmo bioma (conjunto de diferentes ecossistemas) na Estrada Ilhéus-Itacaré, em 30 km. A escolha da Ponta da Tulha foi apresentada numa planilha que pode ser alterada de acordo com as conveniências. Mentem e depois esbarram nas próprias mentiras”.

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