Mais do que a vontade de se tornar um jogador profissional, o jovem Vitor Rodrigues, de 14 anos, aluno da Escolinha de Futebol Os Meninos de Ilhéus, espera poder voltar a treinar no Centro de Esportes, da Avenida Esperança, construído pela Ong Human Network do Brasil para o uso do projeto que ele faz parte.

Jogador dedicado, Vitor está no projeto há mais de 6 anos e é um dos poucos da atual geração de alunos que teve a oportunidade de treinar na sede oficial da Escolinha de Futebol, localizada na Avenida Esperança. Segundo o aluno, “na Avenida Esperança o treino era melhor porque tinha vestuário e mais conforto para jogar. O campo era bom, não tinha buraco, o gramado era plano e a estrutura oferecia mais segurança. Tenho vontade e quero muito que a gente possa voltar a treinar lá”, afirmou com esperança.

Há 5 anos, os alunos treinam  no campo localizado na Avenida Litorânea, no bairro do Malhado, em Ilhéus, sem contar com a devida estrutura do vestuário, bebedouros, arquibancada e segurança que eram oferecidos no Centro de Esportes da Avenida Esperança. “Aqui no Malhado, já aconteceu de treinarmos com cavalo próximo, meu colega já se bateu com o cavalo”, afirmou o aluno Vitor. 

 Imagem

Além da falta de privacidade, segurança e terreno irregular, próximos às laterais e escanteios do campo existem duas caixas de esgoto de cimento abertas, oferecendo risco aos alunos.

O coordenador e professor do projeto, Seu Luís, diz que “antes de iniciamos os treinos, colhíamos 2 a 3 sacolas cheias de vidro e lixo aqui no campo do Malhado, que aos poucos passou a se transformar com o nosso trabalho”.

O Professor Luís lembra que na Avenida Esperança “eram os próprios alunos que administravam o espaço. Eles desenvolveram uma noção muito boa de cuidar de algo que era de uso deles, a manter limpo e organizado pelas próprias famílias e a comunidade, que era beneficiada com as aulas de reforço escolar e cursos de dança afro e hortigranjeiras que oferecíamos”. 

 Imagem Alunos treinando no Centro de Esportes da Avenida Esperança

O terreno do Centro de Esportes construído para a Escolinha de Futebol, na Avenida Esperança, foi comprado legalmente pela Ong Human Network do Brasil em 2002, que contou com o apoio financeiro da família Rechenberg, de Munique, da Alemanha, e da empresa Stock Licores do Brasil, para a construção da estrutura física. Este imóvel foi objeto de uma equivocada reintegração de posse em 2009, concedida a uma construtora pela Justiça de Ilhéus, em que foi configurado um caso de Embargos de Terceiros. O processo atualmente se encontra no Tribunal de Justiça da Bahia, depois que a HNB emitiu uma queixa por excesso de prazo da Justiça de Ilhéus ao Conselho Nacional de Justiça. 

Já são 5 anos em que 140 alunos aproximadamente treinam em local improvisado e esperam uma solução judicial, depois que foram retirados a mando da Justiça, da sede oficial de treinamento do projeto. Enquanto isso, o sonho de centenas de crianças e jovens se renova todos os dias na espera de reaver o direito de treinar no campo de futebol que foi construído para eles, atualmente em total abandono e tomado pelo matagal.