Doutor, a boa nova é que a rua mexeu com os jogadores, que agitam contra o calendário da CBF

Amigo torcedor, amigo secador, peço mais uma vez a devida licença para levar uma prosa com o doutor, sim, aqui na terra vão jogando futebol, tem muito samba, muito mimimi e Bruce Springsteen toca Raul no rock’n’roll. A boa nova, porém, caro Magrão, é que a rua mexeu com os jogadores, os pós-socráticos estão chegando juntos com um manifesto contra o calendário de jogos da CBF.

E que o calendário, doutor, seja apenas o estopim, represente apenas os 20 centavos das passeatas. Mente sã, corpo são. O Bom Senso F.C., como batizaram o movimento, compay, tem o zagueiro Paulo André do teu Corinthians, com quem estivemos em jantares memoráveis antes da tua partida.

O Alex, aquele 10 que tu tanto admiravas, também está na ponta de lança, o cara pôs o dedo na ferida em entrevista ao “Lance!”, faz um tempo, mas tens que saber: “Acho que a CBF não tem uma interferência dentro do futebol tão grande. A CBF cuida apenas da seleção. Quem realmente cuida do futebol é a Globo. A gente sabe que a Globo trabalha na dependência da novela. A gente brinca aqui no Coritiba que os jogos de quarta-feira só rolam depois do último beijo da novela”.

Leio para ti agora também, doutor, o artigo desta semana do teu colunista político predileto, o craque Janio de Freitas, aqui nesta Folha. Tratou da importância do levante dos boleiros. Bem sabes como é difícil jogador de futebol levantar a voz além dos clichês que sopram na latinha dos repórteres. Agora nem os clichês ouvimos a contento: a chefia escolhe quem vai à coletiva no cenário que tem mais propaganda do que macacão da F-1 ou da Indy.

O bom, doutor, é que o movimento cresce a cada dia, começou com 75 jogadores, os técnicos aderiram, o Tite não teve dúvida, o Muricy cutucou ao seu estilo e até a diretoria de um clube, a do Santos, soltou nota favorável ao agito.

Não tem como não lembrar de ti nessa hora, Magrão, como falei noite dessas ao prezado amigo Afonsinho, o pioneiro na peleja pelo passe livre, ainda nos anos 1970, em pleno combate às trevas.

Bem, não vou encher mais teu saco com minhas lenga-lengas terrenas, mas aqui vai uma penca de abraços dos que brindam a ti toda hora, seja na Mercearia São Pedro seja lá no Chico & Alaíde. Sim, o Paulo Cézar Caju, sempre na elegância franco-carioca, Raimundo Fagner e a sua marra de jogador de bola, vestindo uma camisa 10 presenteada pelo Alex do Coritiba.

Sem se falar, eu nem te conto, nas moças bonitas que enfeitam o drama do relógio na madruga. Ontem cantei para elas, em tua homenagem, o Sérgio Bittencourt: “Naquela mesa está faltando ele/ e a saudade dele/ está doendo em mim”.

@xicosa