Tradicionalmente, hoje (26.03) é comemorado o Dia do Cacau, mas há motivos para comemoração? No cenário mundial, a Organização Internacional do Cacau (ICCO) aponta que haverá um déficit mundial do fruto nos próximos dois anos em função de pragas, doenças e envelhecimento das plantações.

“Nós agora temos o que chamamos de um déficit estrutural, porque as árvores de cacau estão envelhecendo, assim como os agricultores também estão velhos e os jovens não querem assumir as plantações”, disse o Diretor Executivo Jean-Marc Anga, em uma conferência na Indonésia.

A organização espera um déficit de 45 mil toneladas na safra de 2012/2013, que termina em setembro. Os preços caíram 5,4% este ano em Nova York. Por outro lado, a maior fabricante de chocolate do mundo, Barry Callebaut (sede em Zurique), diz que os processadores estão expandindo sua capacidade de moagem para atender a demanda do mercado, que tem crescido de 2 a 3% ao ano.

No mercado interno o preço pago ao produtor está baixo, e de acordo com os produtores o valor de R$60,00@ (que tem sido pago nas últimas semanas na Bahia) é insuficiente para manter uma boa lavoura, que necessita de insumos e novos investimentos. Além disto, a concorrência com o mercado externo que não pagam encargos trabalhista é enorme.

Esta semana circula na Internet um vídeo produzido em 2010, pelo jornalista Dinamarquês Miki Mistrati, em que ele mostra o lado obscuro do chocolate. Em uma investigação que, além do trabalho escravo infantil, o profissional também mostra como é o tráfico de crianças em Mali para a Costa do Marfim (maior produtor de cacau do mundo).

Lá as crianças são vendidas aos fazendeiros a uma média de 350 Euros e trabalham nas lavouras de cacau longe de suas famílias e se quer, frequentam escola. O documentário tem pouco mais de 45 minutos e revela o lado obscuro da produção de cacau na África.

PROTESTOS 

Aqui, no sul da Bahia, os produtores decidiram protestar e reivindicar melhores preços e suspensão das importações. No último dia 5 de Março, no Porto do Malhado em Ilhéus (BA), houve a queima simbólica de sacas da amêndoa – uma forma de reclamar contra a importação do produto, que provoca aumento de estoques e consequente desvalorização do preço oferecido.

Os produtores também reclamam que a importação de cacau provoca riscos: os últimos embarques trouxeram cargas infectadas por insetos, mas acabaram sendo liberadas pelo Ministério da Agricultura. Líderes regionais produtores da Bahia defendem a adoção da política do preço mínimo também para o cacau.

Mas, vale lembrar que o cacau produzido no Brasil tem sido muito elogiado. E, vem se tornando referência no desenvolvimento de grãos mais resistentes e consequentemente melhores, isto graças ao valor de mercado que o chocolate possui. Nas últimas edições do Salão do Chocolate de Paris e em termos de qualidade, o cacau brasileiro tem saído vitorioso com amostras classificadas e premiadas como melhores do mundo, ganhando títulos como: Cacau de Excelência como melhor cacau da América Latina, na categoria Cacau Chocolate. Fonte: Mercado do Cacau