Trecho da Lagoa Encantada. Foto Pimenta na Muqueca.

A VERDADEIRA APA DA LAGOA ENCANTADA II

Com base nos estudos e teses da Ceplac e técnicos da Uesc, aos poucos vamos conhecendo a realidade da Lagoa do Itaipe , hoje conhecida como APA da Lagoa Encantada. Nos estudos de Walmir do Carmo, presidente do GRAMA-Grupo de Resistência as agressões ambientais, Caracterização Ambiental da Bacia do Rio Almada-Aspectos Sócio-Abientais (1995), passamos  a conhecer detalhes que sempre foram relatados mais que nunca foram acatados pelos poderes públicos.

Vegetação

Como em grande parte da APA da Lagoa e Almada, as áreas que circundam a área da Lagoa Encantada, a vegetação se encontra bastante alterada. Basta observar no mapa ou em sobrevôo, conforme foto, onde percebemos que o cacau e as pastagens , substituíram as áreas Inicialmente cobertas por floresta perenifólia higrófila e ribeirinha.Também  formações secundárias de capoeira substituem a vegetação original.

A capoeira encontra-se em estágios de desenvolvimento, de acordo cem o uso antrópico e a época em que foram abandonadas. De acordo com SANTANA (1986), a capoeira é formada por arvores de pequeno diâmetro, variando da forma arbórea à arbustiva, destacando-se a embaúba, a coarana e a corindiba.

A vegetação ao redor da Lagoa Encantada também já se encontra muito alterada. Algumas fazendas substituíram totalmente a vegetação original, até o espelho d’água, por gramíneas ou cultivo do cacau.

A vegetação de brejo existente entre a Lagoa e o rio, entre Vila Nova e Castelo Novo, apresenta-se conservada, com a presença de taboa e várias ciperáceas (aninga).

Na Lagoa Encantada, existem várias “ilhas” formadas pela associação de aningas, hibiscos e várias macrófitas, contribuindo para a diminuição do espelho d’água.

É necessário preservar a vegetação que circunda a Lagoa, para evitar o assoreamento e a diminuição do espelho d’água.

Segundo GASPARETTO (1989), e as observações obtidas em campo pelo CEPEMAR (1990), as cachoeiras do Rio Almada e dos cursos d’água que alimentam a Lagoa Encantada, também se encontram desmatadas. Isto leva à alteração do solo, lixiviação, aumento da erosão nas margens, assoreamento do leito dos rios. Segundo o PLAMI (1969), durante o período de chuvas os rios da área se tornam torrenciais, carregando material das margens,,inclusive “árvores que são transportadas pela correnteza para o estuário. Segundo o CEPEMAR (1990), existem ao longo do Rio Almada, árvores tombadas e sinais de escavação do leito arenoso e desbarrancamento das margens.

Encontram-se ainda alguns remanescentes da mata higrófila bem conservada, na cabeceira do Rio Almada, na área que foi a Fazenda Sete Paus, hoje subdividida com os herdeiros. Porém, nas fazendas próximas, a mata apresenta-se bastante descaracterizada, predominando o cultivo do cacau. Desta forma, à área das cabeceiras, a mata foi retirada, substituída por outros cultivos, fato que ocasiona problemas quanto à qualidade e quantidade dos recursos hídricos.

O que hoje os neo-ambientalistas chamam de Mata atlântica, na verdade não passa de uma capoeira de vários estágios, sem as tradicionais madeiras nativas, pois estas já foram tiradas à muito tempo. O sitio em si, onde vai ocorrer a intervenção, é uma área que sempre foram identificados como área antropizada  desde os estudos realizado pela Ceplac em 1970/76 – Diagnóstico Sócio Econômico da Região Cacaueira. A área que fica entre o elevado que do acesso a Tibina e o mar, esta sob uma Japara. Formação hidromorfica artificial, isto ocorreu porque durante a construção da BA 001 ao elevar o leito da estrada e não colocar opções das águas das chuvas escoarem naturalmente em direção ao mar que acabam ficando represadas e formando uma área de charco, porém sem vida ictiológica.

De Almadina, ponto extremo da APA  até Coaraci , diminuem os pastos e aumentam as áreas de cacau e algumas capoeiras. De Coaraci a Itajuipe, predomina o cacau com alternância de pastagens e capoeiras. Isto se repete até Sambaituba.

F oram implantadas espécies exóticas para sombreamento do cacau. A espécie predominante é a “Erytrina fusca” (eritrina de baixa). Encontra-se também a “Erytrina peoppigiana (mulunga) e a “Erytrina velutina” (mulungu).  Estão presentes ainda nas margens, associadas ou não ao, cacau, jenipapo, mangue doce, velame, ingazeira, gameleira, vinhático, angelim, entre outras. Há uma boa representação do coco da Bahia, dendê e piaçava.

Em alguns pontos as pastagens se estendem até a beira d’água com predominância de brachiara que se destina à criação de bovinos e ao longo do rio nas áreas mais alagadas e úmidas, encontra-se o mangue doce, constituído principalmente de arruda e aninga.

Nos locais onde a velocidade da água é muito pequena, encontram-se “ilhas” de macrófitas, destacando-se a baronesa e a alface d’água. Essas macrófita são abundantes no rio Almada.

Entre Sambaituba e a foz, passando por Aritaguá, observa-se a presença do “mangue doce”, que vai sendo substituído pelo mangue salgado. Nas áreas onde a influência da salinidade é mais constante, observa-se o mangue salgado, com uma associação predominante de mangue vermelho e siriba.

Junto à foz. nos cordões arenosos, encontram-se grandes extensões de coco da Bahia. Segundo o PLAMI (1969), estas áreas de restinga existem ligeiramente acima das marés altas atuais (1,5 a 2,O m). As áreas de restinga se encontram muito alteradas, ocupadas por empreendimentos turísticos, condomínios, residências.

Outro problema grave, conseqüente do desmatamento, e o assoreamento da Lagoa Encantada, e, de acordo com estudos feitos pelo CEPEMAR. a aceleração da construção da barra do Almada. ponto arenoso que ameaça fechar a foz do rio.

Percebe-se, pelo que se viu até aqui que a vegetação na Bacia do Almada, da nascente a foz, incluindo a Lagoa Encantada  já se alterou bastante pela ação antrópica, desde a extração da madeira de valor econômico ou não, à substituição pelo cultivo de pastagens de cacau.

Ed Ferreira