A falta de uma eficiente infraestrutura de transportes prejudica gravemente a economia baiana e tem preocupado governo, empresas e políticos que representam o Estado em Brasília. Somente esta semana, dois deputados federais – Geraldo Simões (PT) e João Carlos Bacelar (PR) – fizeram discursos que apontam a necessidade de se investir em logística para favorecer a economia baiana, sobretudo no setor de exportações.

 

Na tribuna da Câmara, Bacelar apontou que a Bahia deixa de exportar anualmente 700 mil toneladas de produtos, devido à carência de infraestrutura. “A Bahia perde para Pernambuco, Ceará, Espírito Santo e Rio de Janeiro um volume de cargas equivalente a 39% do que exporta”, registrou o deputado.

 

Bacelar faz uma defesa veemente do Complexo Logístico Intermodal Porto Sul, que inclui a Ferrovia de Integração Oeste-Leste (Fiol), um aeroporto internacional e um porto público, juntamente com um terminal de embarque privado para escoamento de minério de ferro em Ilhéus.

 

O primeiro trecho da ferrovia, entre Caetité e Illhéus, com 537 quilômetros, já se encontra com as obras em andamento. O segundo trecho, de 600 quilômetros, irá ligar Caetité a Barreiras. Quando esta etapa estiver concluída, a Fiol servirá ao escoamento da produção agrícola do oeste da Bahia. Para o trecho baiano, são previstos investimentos de R$ 4,2 bilhões, oriundos do Programa de Aceleração do Crescimento (PAC).

 

Pela Fiol, até o Porto Sul, serão transportados grãos, minérios e biocombustíveis produzidos no oeste, sudoeste e sul da Bahia. No sentido contrário, a ferrovia levará fertilizantes e derivados de petróleo. Bacelar destaca que o custo médio do transporte de mercadorias será 30% menor que no transporte rodoviário, o que significa aumento de competitividade da economia baiana.

Caminho traçado e irreversível

 

O caminho da Bahia para um maior dinamismo econômico está traçado, como crê o economista e ex-secretário do Planejamento do Estado, Armando Avena. “A Bahia vai entrar num ciclo virtuoso de investimentos entre 2011 e 2014”, opina o ex-secretário no portal que mantém na internet, o “Bahia Econômica”. Especificamente com relação ao Complexo Intermodal, para Bacelar, além de estar traçado, o caminho é irreversível.

 

“Mesmo com os estudos de impacto ambiental em andamento, vejo como irreversível a instalação do complexo”, declarou Bacelar em seu discurso na Câmara dos Deputados. Para ele, “com a ordem de serviço da Ferrovia de Integração Oeste-Leste já assinada e as empresas responsáveis pelas obras em fase de montagem de canteiros e mobilização de pessoal, a percepção é de que já não existe espaço para mudanças no projeto, já que a ferrovia depende diretamente do porto para escoar as cargas”.

 

Quando fala sobre mudanças, o deputado se refere aos rumores de que o terminal marítimo da Bahia Mineração (Bamin) – empresa âncora do projeto –  poderia sair da Ponta da Tulha, localidade situada no litoral norte de Ilhéus. Recentemente, o Ibama solicitou novos estudos sobre o projeto, que deverão ser apresentados até o final do mês pela empresa. A partir daí, a expectativa da Bamin é obter a licença de instalação e iniciar as obras de seu terminal que será implantado dentro do Complexo e terá uma ponte de embarque off-shore compartilhada com o Estado.

 

Bacelar salienta que “a avaliação do governo baiano e de especialistas no assunto é de que as alternativas à Ponta da Tulha seriam ainda mais prejudiciais do ponto de vista ambiental, social e econômico”.

 

Também esta semana, na Câmara Federal, o deputado Geraldo Simões (PT-BA) denunciou a Rede Bahia, retransmissora da Globo no Estado, de promover uma campanha contrária ao Complexo Intermodal. A empresa, na opinião do deputado, age em nome de interesses empresariais fortes e que favorecem outros estados. Essa suposta articulação já foi criticada pelo governador da Bahia, Jaques Wagner.