EM ITABUNA, PT CORRE O RISCO DE PAGAR POR SUA PRÓPRIA ARROGÂNCIA
Publicado por Editor em 6 de março de 2011 (20:05) na categoria Opinião

 

O cenário para o geraldismo não traz o prenúncio de facilidades. Se ao bloco dos decepcionados juntar-se o dos adversários históricos, a situação se tornará ainda mais complicada para o petista.

O PT de Itabuna poderá pagar muito caro por ter se tornado um partido autocrático, fechado e de mão única. Militantes ligados ao núcleo dirigente podem discordar, esbravejar e chamar o escriba de desinformado, mas certamente toda essa reação que antecipamos não passaria de uma indignação natural de quem não é muito suscetível às críticas de quem está do lado de fora. Tipo a mãe que não aceita reclamações contra o filho, mesmo sendo este uma peste.

Simões (ao lado da esposa Juçara Feitosa) tem ditado os rumos da esquerda em Itabuna

É fato que o PT local se apegou a um projeto familiar e dificilmente o candidato do partido a prefeito em 2012 deixará de ser Geraldo Simões ou Juçara Feitosa. Aliás, têm todo o direito de ser, já que um é deputado federal reeleito, já foi prefeito de Itabuna em duas ocasiões, enquanto a esposa teve em torno de 40 mil votos na eleição de 2008, ficando em segundo lugar na disputa.

Não se deve, porém, deixar de considerar que Geraldo reduziu seu patrimônio eleitoral nas últimas eleições e Juçara Feitosa sofreu uma derrota acachapante em 2008, cedendo a vitória a um inusitado e saltitante Capitão Azevedo.

Sinais de arrogância e isolamento começaram a se manifestar no geraldismo desde o segundo mandato do político como prefeito de Itabuna. Há queixas de ex-aliados (somados a prováveis ex-aliados), que se cansaram de fazer política a reboque do PT e não serem respeitados pelo partido quando no poder municipal. Outros simplesmente não aceitam mais que Geraldo Simões dite os rumos e as regras, sujeitando os demais à passiva condição de seguidores.

O PT  sofreu na última década duas derrotas em Itabuna (2004 e 2008), a primeira já com o companheiro Lula no Governo Federal e a segunda com o partido governando o Brasil e a Bahia. Ou seja, não faltou apoio e as circunstâncias raramente seriam tão favoráveis, não fossem os rumos equivocados do partido no município.

No ano 2000, Geraldo Simões foi eleito graças a uma super-aliança de nove partidos que não se repetirá tão cedo. Nos últimos anos, o que se vê é o afastamento entre os componentes daquele grupo (alguns do próprio PT debandaram do núcleo geraldista e até do partido).

Para 2014, anuncia-se a formação de novos grupos, tendo como maior novidade a disposição do PCdoB de ter candidato próprio. Não há outro caminho e se o partido não encabeçar uma chapa em 2012 se desmoraliza, segundo afirmação do próprio presidente do PCdoB no município, o vereador Wenceslau Júnior.

O cenário para o geraldismo não traz o prenúncio de facilidades. Se ao bloco dos decepcionados juntar-se o dos adversários históricos, a situação se tornará ainda mais complicada para o petista, que poderá sofrer sua terceira derrota em três eleições municipais consecutivas.  Assim, ficará muito difícil, senão impossível, impor regras na próxima disputa.

 

Ricardo Ribeiro
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