ILHÉUS MERECE RESPEITO, E SEUS MORADORES MAIS AINDA.
Remanejado
Uma Cidade do Barulho
Enviado por Anonymous em seg, 08/30/2010 – 10:24.
Depois de quase 6 semanas de férias em Ilhéus não posso deixar de registrar a minha indignação com a poluição sonora exposta a quem aqui vive ou visita. Não é nenhuma novidade os carros de som que transitam pela cidade com suas caixas de som infernizando a todos nós com propagandas praticamente incompreensíveis de tão distorcido que o som se torna. Depois apareceram as bicicletas e motos, sem falar nos próprios cidadãos que acham bonito se exibirem pela cidade com equipamentos de som que valem mais do que o próprio carro. Em época de eleição ou não, percebo sempre quão barulhenta a cidade é. As autoridades ignoram recomendações claras da Organização Mundial da Saúde, quanto ao tempo de exposição segura para que Lesões Auditivas irreversíveis não ocorram.
Falo como fonoaudióloga, que trabalha com reabilitação auditiva e tem, cada vez mais, atendido jovens com perdas auditivas que poderiam ter sido evitadas.
Quando o ruído é intenso e a exposição a ele é continuada, em média 85dB(A) por oito horas por dia, ocorrem alterações estruturais na orelha interna, que determinam a ocorrência da Pair (Perda Auditiva Induzida por Ruído)(CID 10 – H83.3).
Vejam a tabela abaixo:
Nível de Pressão Sonora-NPS dB(A)
Db(A) Máxima Exposiçao Diária Permissível
85 8 horas
86 7 horas
87 6 horas
88 5 horas
89 4 horas e 30 minutos
90 4 horas
91 3 horas e 30 minutos
92 3 horas
93 2 horas e 40 minutos
94 2 horas e 15 minutos
95 2 horas
96 1 hora e 45 minutos
98 1 hora e 15 minutos
100 1 hora
104 35 minutos
105 30 minutos
106 25 minutos
108 20 minutos
110 15 minutos
112 10 minutos
114 8 minutos
115 7 minutos
Mais indignada ainda fiquei ontem ao assistir no Teatro Municipal de Ilhéus a peça infantil “ A Hora dos Brinquedos”. Antes da peça começar, um anúncio (o mesmo veiculado nos tais carros de som) foi apresentado e pude testemunhar um número enorme de pessoas (adultos e crianças) na minha frente tapando os ouvidos . As lindas coreografias eram executadas com muita graça, mas a intensidade do som era insuportável, ao ponto de uma criança portadora de Paralisia Cerebral ter que ser retirada pela sua mãe, chorando compulsivamente, assustada e apresentando espasmos causados pelo nível excessivo do som (espero que os ingressos tenham sido reembolsados).
Fui reclamar e, por algumas músicas, o som realmente esteve mais baixo, mas depois, sabe-se lá o motivo, aumentaram o som novamente.
A acústica do Teatro é uma das melhores do Brasil, pois quando foi construído, não existiam equipamentos de som e a projeção da voz era audível a todos que ali se encontravam.
Foge à minha compreensão a razão desse absurdo. As crianças têm que “engolir” e achar normal viver numa cidade onde a norma é o barulho. Adoraria que os cidadãos Ilheenses e os visitantes conseguissem apreciar mais os pássaros e outros sons da natureza, tão abundantes na nossa cidade.
Renée de Almeida Rassasse
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Todos (praticamente todos) falam alto e rápido demais. Com o tempo fui me acostumando…
Para os que chegam em visita, a situação é incomodativa. A questão não está no regionalismo nem nos termos que são desconhecidos dos visitantes, mas como se fala. É muito comum encontrar-se por aqui um grupo de pesssoas, todas falando ao mesmo tempo.
Na Região Sul do País é onde se fala mais pausadamente. Por essa razão, os sulistas são os que mais estranham.
Quanto ao som nas ruas, é um problema que as autoridades precisam resolver.
Estive numa festa em praça pública onde uma banda tocava no palco e a cerca de 50 metros alguns carros de som, com as malas abertas, competiam com ela, tocando mais alto.
Puro exibicionismo dos donos dos equipamentos!
A falta de educação do povo daqui é impressionante e estressante! Ilhéus deveria ser uma cidade com uma qualidade de vida maravilhosa – isso seria se não fosse esse povo mal educado e suas autoridades sem noção que não fazem respeitar a Lei.