José Serra no UOL.

Serra quer retomar as danosas privatizações de FHC.

O candidato do PSDB à Presidência da república pelo PSDB, ex-governador José Serra, confirmou que caso seja eleito retomará o programa de privatização de empresas estatais inaugurado pelo ex-presidente Fernando Henrique Cardoso, de cujo governo ele foi ministro do Planejamento e da Saúde.

Este foi o programa de privatização mais lesivo já levado adiante no País, com prejuízos profundos tanto para o Estado quanto para o cidadão. Ele consiste basicamente no sucateamento prévio das empresas estatais para serem vendidas a preços de banana a empresas que depois cobrarão elevadas tarifas dos usuários.

De acordo com entrevistas que concedeu ao portal UOL/Folha de S. Paulo e ao programa Roda Viva, da TV Cultura de São Paulo, no ar na noite desta segunda-feira (21/6), o alvo preferencial de Serra serão os aeroportos e as rodovias federais, cujos pedágios deverão ser igualados aos das rodovias paulistas, os mais altos do País.

As privatizações processadas no governo FHC foram as mais perniciosas para o Estado e o cidadão brasileiros. Naquela ocasião, empresas como a Companhia Vale do Rio Doce e as empresas telefônicas do Sistema Telebrás foram a leilão por preços bem abaixo de seu valor patrimonial, depois de uma ampla campanha para desacreditá-las perante a opinião pública e falsas promessas de acesso universal e a preços baixos a linhas telefônicas.

No caso da Vale do Rio Doce, a mineradora “transformou-se” numa da maiores empresas do mundo com o “toque mágico” da administração privada. Na verdade, a Vale já tinha esse porte e sua administração sempre foi de primeira grandeza, a exemplo da Petrobrás que continua sendo uma das maiores petrolíferas do mundo nas mãos do Estado.

Com relação às empresas de telefonia, a universalização do acesso se deu não por causa da privatização das empresas do Sistema Telebrás, mas pelo inevitável avanço tecnológico do setor que transformou os telefones em bem de consumo de massa. Aqui e no resto do mundo.

Mas ao contrário do que ocorre no resto do mundo, no Brasil as empresas privadas de telefonia formam uma espécie de “cartel branco” e cobram do usuário brasileiro as mais elevadas tarifas do mundo. Uma conta telefônica no Brasil, seja de aparelho fixo ou móvel, custa em média duas vezes à cobrada no Chile ou na Argentina, por exemplo.

Além disso, há a limitação da oferta de serviços para cidades mais distantes ou populações de renda mais baixa. São muitos os exemplos de cidades onde os moradores têm telefone, mas não conseguem falar por que as concessionárias não implantaram redes de expansão por que não são consideradas lucrativas.

O mesmo ocorre como acesso à internet, principalmente quando se fala de banda larga. As empresas de telefonia, além de não levarem o serviço a todos os municípios, ainda tentaram bombardear o Plano Nacional de Banda Larga anunciado pelo governo federal exatamente para levar conexão de banda larga para escolas públicas e os municípios que não são atendidos por essas empresas.

No caso da privatização das rodovias federais, deverá ocorrer a mesma coisa. Se eleito, Serra vai entregar para a iniciativa privada o chamado filé mignon, ou seja, as estradas de maior volume de tráfego que deixarão altas cifras nos postos de pedágio para a garantia da sua manutenção, deixando a carne de pescoço para o contribuinte. Já se pode imaginar o que acontecerá com as rodovias de menor tráfego.

Com os aeroportos a situação não será diferente. Dos cerca de 60 aeroportos brasileiros administrados pela Infraero, talvez 20% deles sejam lucrativos. Os demais são deficitários e têm suas despesas cobertas com parte da receita dos primeiros. Em caso de privatização, a iniciativa privada não vai querer ficar com os aeroportos deficitários, cujas despesas continuarão bancadas pelo governo.

É isso o que promete o candidato tucano. Parafraseando o ex-ministro Rubens Ricúpero, que traído por um microfone aberto no intervalo de uma entrevista em que fazias loas ao então candidato FHC, afirmou que “o que é bom a gente fatura, e o que é ruim a gente esconde”, pode-se dizer o que é bom a gente vende, o que não presta a gente bota na conta do contribuinte.

Geraldo Seabra